terça-feira, outubro 13, 2026

Breves e, certamente, indignas de registo

 

1. Estávamos aqui na sala, descansados, a ver um daqueles episódios da série de design de espaços quando ouvimos um barulho considerável aqui em casa. Olhámos um para o outro, tentando perceber se o outro tinha percebido o que era. Não identificámos o que poderia ter sido pelo que empreendemos uma busca. Varremos a casa de uma ponta a outra. Nada. Não conseguimos descobrir o que possa ter sido, não vimos nada caído. Alguma coisa foi, e foi coisa ruidosa.

Desistimos. Como o cão está tranquilo, admitimos que não será nada de extravagante. Amanhã (isto é, daqui por umas horas) logo haveremos de descobrir.

2. Continua a materializar-se tudo o que estava pendente há séculos. Hoje vieram instalar uma porta que tivemos dificuldade em encontrar quem a fizesse, uma porta à medida. Tempos e tempos de espera. Não há planeamento, não há prazos, não há nada. É na base de 'quando tivermos um bocadinho tratamos disso'. De manhã liguei para o dono da pequena empresa, preparada para protestar. Disse-me: vou hoje à tarde. E assim foi, desta vez cumpriu. Não veio ele mas mandou dois funcionários. Passado um bocado, ouvi: 'Olhe, faz favor!'. Fui ver. Estavam os dois especados: 'Quem é que encomendou esta porta?'. Não percebi bem o alcance da pergunta mas adiantei: 'Quem encomendou fomos nós mas foi o vosso patrão que cá veio ver e que tirou as medidas e fez o desenho.'. Aí eles arrepiaram caminho: 'É que a porta veio ao contrário, a abrir para o outro lado'. Foi a minha vez de ficar especada, sem perceber bem, sem conseguir avaliar se isso teria contraindicações. Chamei o meu marido que, segundos antes, me tinha chamado a mim para me comunicar que a máquina da roupa estava a deitar água por fora.

Foi ver e concluiu o mesmo que eu, que se estava assim e se, pelos vistos, não tinha contraindicações, pois o que se haveria de fazer...? Mas tinha, teria que se colocar um pouco mais para trás do que era suposto. Um deles disse, fica aqui com isto à vista mas é só pintar. E, claro, o 'só pintar' não é com eles, eles é só portas. 

Ocorreu-me que, se isto fosse em contexto profissional, a porta iria para trás por inconformidade. Assim, na penúria de oferta de qualidade, o que se há de fazer? O meu marido olhou para mim e encolheu os ombros. A falta de profissionalismo e rigor destas coisas é de uma pessoa se passar. Mas a falta de alternativas é total. Portanto, ficou e acabou-se, não se pensa mais nisso.

3. Entretanto, a máquina da roupa estava parada, isto é, sem funcionar, mas cheia de roupa e de água. Tinha feito uma máquina com a toalha gigante usada no domingo e mais umas toalhas e coisas claras que se aguentam com uma lavagem a preceito. Não despejava a água, não centrifugava, nada. Várias tentativas. Nada. Portanto, o meu marido pôs um tabuleiro fundo no chão, encostado à portinhola, e abriu a máquina. O tabuleiro ficou cheio de água mas o chão também. Tirámos a roupa a escorrer, mais do que ensopada, e pusemos tudo na corda. Depois, à mangueirada, enxaguámos. Depois, os dois, um a pegar numa ponta e outro na outra, torcemos cada peça. Ginástica a valer. Depois estendemos. À noite estava ainda tudo molhado a valer. Recolhemos para não ficar ainda pior com a humidade da noite. 

4. O cão agora, neste momento, está maluco, ladra, ladra. E os cães do lado também. Fui ver à janela e não vi nada. Presumo que seja o gato branco que por aí ande, outra vez, a provocar os cães. Aquele gato é estranhíssimo.

5. O Neves continua a fazer das dele. Agora correu com o Secretário-Geral do MAI que não está a ser de modas, acusa o Neves de informalidades, de o querer obrigar a cometer ilegalidades e acusa-o ainda de bullying contra ele próprio por não estar para aparar essas cenas. Se tivesse paciência para o Neves, ia ler umas coisas para descortinar ao certo o que se passa. Mas não tenho. Santa paciência. É tudo mais do mesmo. O Neves é assim que funciona. Tenho lido que os autistas são óptimos a descobrir padrões. Na volta sou do espectro pois acho que também detecto padrões à légua. Vejo o Neves e imediatamente o associo a outros do género que conheci, alguns dos quais de perto, um deles infelizmente perto de mais. Chamemos-lhe Sá Vidal, Engenheiro Sá Vidal. E digo infelizmente porque já não aguentava tanto esquema, tanta malabarice, tanta chico-espertice, tanto atropelo à ética, aos procedimentos, às regras da casa. E o pior é que era apreciado por meio mundo. Ia a todas. Volta e meia apareciam-me histórias, aparentemente desconexas, mas que o tinham como protagonista. Estou a lembrar-me de uma de quem um dia vieram dizer-me que tinha pedido uma reunião aos RH para dizer que achava que estava mal aproveitada, queria ser promovida, ganhar mais, que tinha potencial para ser directora, e que isto aquilo e o outro. Nos RH estavam parvos com aquilo. Tinha sido recepcionista e dali tinha transitado para a área de economato, como administrativa. Anunciou ainda que ia tirar o curso de gestão à noite, queria que lhe dessem o estatuto de trabalhadora estudante. No decurso da conversa descaiu-se que tinha ido almoçar com o Sá e que o Sá a tinha estado a incentivar. Os dos RH ainda mais pasmados ficaram. Ela tratava o Engenheiro Sá Vidal por Sá, na maior informalidade. E o Sá, numa de simpatia e charme com ela, a incentivá-la a apresentar-se como candidata a directora gestora. Fantástico. Numa outra vez, contaram-me que uma das recepcionistas, uma que mais parecia uma influencer, uma temporária que lá estava a substituir uma outra que tinha tido uma criança, tinha relatado que, estando com o frigorífico avariado, o Sá tinha ido a casa dela ver se conseguia arranjar ou perceber de que se tratava. Toda a gente estava de queixá caído. Não apenas ela morava no cu de judas como também o tratava por Sá. E ele tinha ido a casa dela arranjar o frigorífico? Parecia piada. Um director com montanhas de coisas para tratar, que nunca tinha tempo para 'papéis' (leia-se: ler relatórios, despachar expediente, etc), e andava a ir a casa da recepcionista para arranjar o frigorífico? Eu ficava passada com isto. Claro que toda a gente gostava dele, ultra disponível para tudo. Na prática não resolvia nada. Como o Neves a fazer excelente gestão a levar o atrelado cheio de produtos perigosos para um armazém normal em vez de os destruir como a juíza tinha ordenado, e, na prática, sem resolver coisa nenhuma e, na prática, pondo em risca a segurança de meio mundo (se houvesse um acidente na autoestrada ou um incêndio no armazém, alguém imagina o risco que aquilo seria?). Enfim. Uma anedota.

6. Outro que continua a fazer das dele é o Passos, Passos Coelho, em tempos aqui designado por Láparo. Mais parecendo um caniche a morder as canelas ao Montenegro, o Coelho de vez em quando sai da toca para chatear o sucessor espinhense. O tipo remediado de Massamá embirra à brava com o novo-rico da Spinumviva, é o que é. E não as poupa. Que é como o Costa, diz o Láparo, querendo com isso dizer, lá na dele, que o Montenegro não faz reformas, não faz nada que se veja, que, no fundo, não passa de um envaginado: em vez de se juntar à malta do povo profundo, taberneiros, ladrões de malas, pedófilos, invasoras de rádios e outros que tais, quiçá também com os betos da IL, o Montenegro por aí anda à deriva, de braço dado com uma cambada de ministrecos que não fazem ponta de coisa nenhuma. E vai mais longe, o Láparo: ameaça que se o Montenegro não provar que fez alguma coisa, salta mesmo a terreiro e vai ele tomar conta do saco de gatos que é o PSD. Imagino que a esta hora os gémeos separados à nascença, Montenegro e Hugo Soares, dois moços conhecidos pela sua visão estratégica, já estarão a preparar uma arruaça para pôr o Láparo mais o Relvas e mais o Morgado na linha. Gente fina é outra coisa.

Quem deve estar que nem um feijãozinho lhe cabe deve ser o Ventura, ao ver-se alçado a parceiro de confiança pelo seu mestre, actualmente em versão skinhead. 

Enfim. É o que é. Ou melhor, é o que temos. Ó Portugal, se fosses só três sílabas de plástico, que era mais barato!

7. Finalmente, para destoar, uma digna de registo. 

Susana Menezes diz 'Portugal' de Alexandre O'Neill


Desejo-vos um bom dia

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