Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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terça-feira, março 14, 2017

Os gémeos sem mãe de Cristiano Ronaldo;
o bordel de bonecas sexuais em Barcelona;
o voto de Rentes de Carvalho em Geert Wilders;
Kellyanne Conway e os micro-ondas que andaram a espiar Trump;
e a auto-destruição da imagem da máquina judicial em mais um número de reality show envolvendo Sócrates, neste never ending inquérito conduzido pelo excêntrico Rosário Teixeira com o beneplácito do não menos extravagante super-juiz Carlos Alexandre.


Falo, não falo? Falo, não falo? Não é por vezes o silêncio mil vezes mais ajuizado do que as palavras? 
Não sei eu que sim? 
Porquê, então, esta vontade de falar sobre o que talvez mereça silêncio?
Não sei.
Ainda por cima...

No fim de semana, ao andar junto ao rio, no meio da ventania, as lágrimas começaram a correr-me. Pensei que era apenas do vento. Depois comecei a ficar também com pingo no nariz. No domingo à noite sentia-me como se estivesse com alergia. Ora, nunca fui de alergias. Mas tomei um anti-histamínico. Pois, pois, Para mim é como se fosse um 'boa-noite cinderela'. O sacrifício que fiz para me manter acordada durante o dia... Vim para casa mais cedo. Cheguei a casa deviam ser umas sete da tarde, talvez um pouco depois. Mal me sentei no sofá, senti uma pancada de sono. Passado um bocado, acordei com um estrondo. Era o computador no chão. Lá acordei. Escrevi, então, sobre a sexy Betty Boop de carne e osso.

Agora estou de novo com o computador ao colo. Continuo com sintomas. Agora tenho o nariz entupido, outra première. Disseram-me que as alergias estão a aumentar exponencialmente. Muita árvore. Talvez o pólen. Ou terei apanhado frio e talvez isto seja apenas um resfriado. Não interessa. Ao jantar, a ver se me ponho normal, tomei outro anti-histamínico. Diz que é dos que não dão sono. Mas a mim até o ben-u-ron me põe KO. Por isso, quero escrever mas tropeço nas palavras, a cada espaço quase adormeço.

Na televisão, na RTP 1, um documentário sobre Malala. Agora discursa. Um discurso veemente, corajoso. É uma jovem com uma clarividência extraordinária. O pai a ouvi-la, orgulhoso. Comovo-me. Comovo-me. Ou talvez já estivesse comovida.


Por isso, porque hei-de eu agora falar de coisas que estão num outro patamar, cá mais para baixo, ainda por cima estando eu a precisar é de um chá quente e cama?

Mas, enfim, pode alguém ser quem não é?

Portanto, com vossa licença, vou falar de coisas que não entendo. Não entendo e não me agradam -- embora, em abono da verdade se diga, são coisas com as quais nada tenho a ver. É mais por uma questão de higiene pública. Parece que são coisas que contagiam, que poluem o ar.
Não sei explicar. Às vezes sinto que me faltam conhecimentos para poder entender melhor o que sinto. Depois, pensando melhor, acho que mais vale manter-me na ignorância. 
Ora, então, sem mais delongas e sem ordem especial.

1. Leio que parece que Cristiano Ronaldo vai ser outra vez pai, desta vez de gémeos e, também ao que parece, de novo, de uma barrriga de aluguer. 


Incomoda-me, isto. Acho uma aberração. Sempre com tantas namoradas e nenhuma lhe serve para mãe dos filhos? E que presunção ou aberração é esta de ter um filho desta maneira, como quem encomenda um carro de marca, como quem manda fazer um fato à medida? 

Pensar numa opção destas por parte de um rapaz saudável e podre de rico é coisa que me revolve as entranhas. Parece-me uma forma extrema de desumanização. Pensar que miúdos de todo o mundo o tomam por exemplo e que ele faz isto arrepia-me. 


2. Leio que abriu em Barcelona um bordel com bonecas sexuais. O que leio deixa-me estupefacta. A maneira como elas estão vestidas, a decoração, o ambiente. Até taças com morangos. Como se fosse um encontro com gente de verdade. Parece anedota. Oitenta euros por uma hora, preço de abertura. Depois sobe para cento e vinte. Depois de cada utilização, as bonecas são lavadas, desinfectadas. Leio que, não tarda, teremos os robots. Já falei deles, bonecas que falam, que sentem, que agem em função do 'clima', que reagem à química. Um nicho de mercado, dizem uns; um pesadelo, penso eu.


E, uma vez mais, o que sinto é o frio de uma desumanização que parece estar a invadir o mundo que habitamos. Nem consigo falar muito mais sobre isto. O que leva um homem (presumo que apenas homens frequentem tal lugar) a pagar para partilhar uma hora do seu tempo com uma boneca?

Que vertigem é esta a caminho da desmaterialização humana? 


3. Rentes de Carvalho publicou um texto e deu pelo menos uma entrevista a uma rádio na qual anuncia que vai votar em Wilders, uma daquelas aberrações populistas que andam a minar as fundações da democracia. 


No seu blog, dá uma trôpega justificação que eu leio com dificuldade. Custa-me assistir a uma coisa destas.

Mas, infelizmente, não é o único. Um pouco por todo o mundo dito desenvolvido, nas eleições as pessoas estão a escolher os mais impreparados, os mais irracionais, os mais perigosos  e que, em comum, têm uma coisa -- dizem o que o cidadão mal informado gosta de ouvir. E que gente ignorante faça escolhas contra-producentes eu ainda consigo admitir: não sabem o que estão a fazer, não sabem que estão a enfiar-se na boca do lobo. Agora que uma pessoa como Rentes de Carvalho o faça deixa-me muito incomodada. Muito. Não desiludida que isso o fiquei quando soube que estava a escrever crónicas para o Correio da Manhã e quando, para minha estupefacção, vi que adaptava o estilo e escolhia os assuntos à medida dos leitores de tal pasquim.

O mundo deve estar a girar ao contrário e provavelmente caminhamos para o fim dos tempos, fazendo-nos pequenos, ínfimos, comprimindo as nossas mentes, destruindo as nossas almas, até cabermos todos naquele pequeno nada que um dia, faz muitos anos, explodiu. 


4. No meio disto, e depois do que já aqui escrevi, ler que Kellyanne Conway -- a loura burra que anda por cima dos sofás da Sala Oval a tirar fotografias aos convidados do Presidente -- diz que este pode ter sido espiado pelo micro-ondas até quase me parece uma coisa normal. 


E, se não é uma coisa normal, é uma coisa alternativa que, por estes dias, são coisas que quase se equivalem. Este é, de facto, um mundo apalhaçado que destrói a esperança de quem preferia acreditar nos altos desígnios da espécie humana.



5. E que, no fim do prazo estendido para concluirem um processo de acusação que dura há séculos, tenham ouvido Sócrates (apenas!) pela terceira vez e que, face à suruba que para ali está armada, suspeitos para todos os gostos e, ao que parece, já para cima de 20 (vinte!), digam que provavelmente não vão conseguir cumprir mais um prazo também já quase me parece uma coisa normal. Desde o princípio que aquela gente funciona em série e não em paralelo. Far-lhes-ia bem ter umas lições de teoria dos grafos, por exemplo. Assim, mais parecem aqueles lelés desnorteados que vão enleando as lãs, os fios todos ensarilhados uns nos outros e, às tantas, já nem distinguem as causas das consequências, nem que coisa é o ovo, que coisa é a galinha e que coisa são os macaquinhos que se infiltraram no sótão. Digo eu.

Por isso, para dizer a verdade, o que verdadeiramente me surpreende já não é isso. A isso já eu estou acostumada. 

O que me surpreende é outra coisa: ao fim de mais de seis horas de interrogatório, depois de anos de perseguição, prisão, escutas, destruição de uma vida normal, ainda nos aparece ele, fresco, o tal animal feroz pronto para a luta, verbo afiado, cabeça erguida, a dar o peito às balas. Eu estaria de rastos, de gatas, exausta, meia morta, com fome, com sede, com vontade de ir à casa de banho, com vontade de me meter debaixo de um chuveiro, com vontade de me atirar para cima de um sofá, sem energia, sem palavras. E ele ali, lúcido e fresco daquela maneira. Isso é que me espanta. 
Diz que as acusações são estapafúrdias, que não recebeu dinheiro nenhum, que nem sequer beneficiou aqueles de que dizem que o corromperam, e que ao longo do interrogatório continuaram a não apresentar provas, a não apontar factos. E ele, ali, ainda combativo, ar satisfeito de quem assistiu na plateia à confusão de quem o quer apanhar. 
Acredite-se ou não nele, tal resiliência é de se lhe tirar o chapéu. E acredite-se ou não nele, uma coisa é certa: esta nossa Justiça actua de forma miserável, sem respeito pelos cidadãos. Marcelo diz que se sente desconfortável. Desconfortável é pouco. Tem que se sentir agoniado, revoltado. Tem que tentar fazer alguma coisa que isto assim é de susto. Um pobre coitado que caia nas malhas da justiça, está feito, está desgraçado.

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Pronto. Calo-me já. Até parece que, com toda esta conversa, me passou o sono. Só visto.

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E para não darem a visita por perdida, uma coisa que vale a pena.

De novo,  Khatia Buniatishvili, desta vez com uma valsa de Chopin.




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Caso queiram continuar na companhia da Betty Boop de carne e osso, a virtuosa pianista sexy, é só descerem um pouco mais.

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3 comentários:

Anónimo disse...

Ó minha linda
O Cristiano Ronaldo é gay. Tal como Michael Jackson.
Keep it simple and you`ll understand.

Anónimo disse...

Pois, se calhar é isso que o anónimo diz. Porque já é bizarria a mais, essa dos filhos em barrigas de aluguer (outros a caminho)! Para provar o quê, que é capaz? Realmente! Resta perceber o papel das tais namoradas. Sabiam, sabem, ou então o que é que se passou entre eles? Isto há cada excentricidade!
P.Rufino

Pôr do Sol disse...

É verdade, o Mundo está a girar ao contrário. Está tudo louco.

Permite-se tudo, porque as crianças são o melhor do mundo. Pergunto eu, e este mundo é o melhor para as crianças? Não se lhes transmite valores, sentido de familia, educação, regras, etc etc., mas dá-se-lhes tudo o que é material.

Só porque se tem muito dinheiro, deixa-se que se "fabriquem", é mesmo o termo, crianças sem ter em conta que adultos serão amanhã.

Não auguro um futuro feliz para o menino que já existe, assim como outros que se seguirão. Não é fácil ser o filho do melhor do mundo, ter tudo menos a resposta para quando se pergunta pela mãe. Mas isto sou eu que penso.