Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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terça-feira, maio 03, 2016

Passos Coelho, o 1º de Maio, os trabalhadores, o desempenho do actual governo e tudo o mais que manifestamente se ensarilhou em torno dos seus dois únicos neurónios activos
[Não estará na hora dos seus correlegionários do PSD o mandarem pôr-se ao fresco? Ou promoverem-no (à moda da Porta dos Fundos)?]



Passos Coelho diz que não tem razões para festejar o 1º de Maio. As razões que dá são absurdas como aliás é absurdo tudo o que ele diz. Refere que há retrocessos mas não se percebe em relação a quê nem o que é que isso tem a ver com não querer festejar o Dia do Trabalhador. 


[Mas alguma vez o festejou? Ou alguma vez o festejou de gosto? 

Duvida-se.]
Também diz que, se alguma coisa correr mal com o Governo do PS, acha bem que não se ponham ao fresco. E uma pessoa tenta perceber a que se refere ele e não se percebe.

Todo o linguajar da criatura é indigente e desprovido de conteúdo. Envergonha-me pensar que uma pessoa tão destituída de raciocínio lógico e de capacidades de expressão governou o meu país durante 4 anos. Mas ainda me espanta mais que, depois de provado e comprovado que a criatura fez tudo no sentido de prejudicar Portugal e os Portugueses, ainda haja um conjunto de pessoas que o apoie. Custa a perceber. 
[Há nele, no seu porte físico e na sua voz colocada, dois aspectos que ajudam a difundir a ideia da credibilidade. Contudo, isso são aspectos que, em geral, funcionam bem em cima do que é básico e fundamental (cultura democrática, honestidade intelectual, inteligência geral, competência, visão estratégica, etc). Ora não é o caso de Passos Coelho que é uma nulidade em tudo o que é basilar. Ou seja, ter um bom porte e uma voz colocada, só por si vale zero.]
Que haja quem ainda não tenha percebido isso e o mantenham à frente do PSD e que ainda alguém lhe dê palco, deixando que apareça na televisão ou nos jornais, é intrigante.

Mas volto aos trabalhadores.

Há em Passos Coelho, tal como há em Ferraz da Costa (que bem o ouvi à hora de almoço) ou em mais uns quantos espertos que por aí andam, a ideia peregrina de que uma economia só floresce em cima de uma classe trabalhadora mal paga, sem vínculos contratuais, precária, sujeita a todas as arbitrariedades. Dá ideia que o elemento diferenciador que torna competitiva uma empresa ou, em geral, a economia, é o baixo custo da mão de obra e os inexistentes direitos dos trabalhadores.


Pois o que tenho a dizer em relação a isso é que nada é mais errado. De muitos patrões, administradores e chefes que conheci ao longo da minha vida profissional, o que tenho a dizer é que as causas internas do sucesso ou insucesso de uma empresa se prendem sobretudo com as capacidades de gestão dos seus líderes. Um fraco rei faz fraca a forte gente - e isto é verdade em qualquer lugar onde haja chefes e chefiados.

Portugal tem vários problemas e, de entre eles, um que é sério: a falta de líderes capazes. E isto acontece na política, nas empresas, provavelmente nas escolas, talvez em todo o lado. Por algum motivo, os portugueses tendem a temer a disrupção -- que muitas vezes está associada a uma clara capacidade de visão ou a uma certa intolerância em relação à mediocridade. Teme-se quem seja pouco diplomático e esteja disposto a cortar a direito ou a marrar de frente. Por isso, por via das dúvidas, para garantir a acalmia, dá-se o poder a gente amorfa, mediana (quando não medíocre).

Gente incapaz não sabe liderar, não sabe puxar pelo que de melhor têm as pessoas. Pelo contrário gente incapaz prefere rodear-se de criaturas igualmente incapazes ou ainda mais fracas. E rejeitam gente desalinhada, gente que pensa de forma mais fracturante (e que são as pessoas capazes de inovar, de arriscar, de ir mais longe).

Aqui reside o problema principal das empresas portuguesas e, por decorrência, o problema da economia.

Uma empresa apenas pode tornar-se forte se tiver boas lideranças e trabalhadores motivados. Quem defende o contrário ou não é inteligente ou não é bem intencionado.


Passos Coelho não sabe isto. Nem isto nem nada. Passos Coelho não sabe nada de nada. Com a mesma lógica que chamou piegas aos portugueses diz agora que não tem razões para festejar o Dia do Trabalhador. De caminho faz avisos descabidos e ridículos ao actual governo, depois embrulha-se nos argumentos, a seguir dá o dito por não dito  (e tudo com aquela voz de barítono que o La Feria, em seu tempo, rejeitou) - e a comunicação social ainda lhe dá palco, como se ele fosse uma voz credível.

Uma miséria.

Se os sociais-democratas -- que ainda os deve haver no PSD -- tiverem amor ao País, deverão tentar manter vivo o seu partido por forma a poder contribuir com soluções ou alternativas bem intencionadas para Portugal. E deverão perceber que isso só pode vir a acontecer sem Passos Coelho em lugar de destaque no PSD.
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Sugestão à moda da Porta dos Fundos

Não há alguém responsável pela Gestão de Recursos Humanos no PSD? Há? Boa. Então que essa pessoa aplique ao Passos Coelho (já agora também ao Montenegro, ao puto chico-esperto, ao cão com pulgas que agora anda muito calado e à espertalhona da Marilú) a receita que o António, o artista aqui de baixo, aplica aos pobres coitados: promovam-no. 

Ganhar uma promoção é uma das melhores coisas que pode acontecer na sua carreira. Melhor que isso, só se você for promovido para um home office. E já pensou em trabalhar num home office onde você não tenha chefe, horários, prazos, relatórios ou obrigações? Tá aí o melhor dos mundos.


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As fotografias mostram um erudito graffiti com anjinhos papudos na Costa de Caparica. 
Não tem nada a ver com Passos Coelho, claro, mas não me apeteceu ter aqui fotografias com ele e, como é sabido, sou apreciadora de arte de rua. 

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