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quinta-feira, abril 28, 2016

Alô, alô senhores e senhoras do Bloco de Esquerda!
Que é lá isso de só se preocuparem com o género do Cartão de Cidadão?
E o resto...?! Estou farta de tanto machismo.
Porque é que o dress code dos homens há-de implicar andar de calças (ou, vá lá, calções)?
Faz favor de legislarem para acabar com isso: queremos roupa sem género. Roupas e outras coisas do género.
[E já agora o link para um post antigo que está a receber montes de visitas e eu não sei porquê: "Uma mulher solitária em toda a sua nudez (- ou uma história ainda mais estranha)"]





Caros Leitores e Leitoras, isto do machismo está por todo o lado. Mal uma pessoa se distrai e já está a cair na esparrela, usando palavras aplicadas a nós, mulheres, que são do sexo masculino. Ora isto das palavras terem sexo é uma maçada.
[É sexo ou género que têm as palavras? Estas meninas do Bloco Esquerdo já fizeram este lindo serviço de uma pessoa misturar procriação com gramática. Agora já nem sei e isso é um problema, aliás é do tipo de problemas que até costuma tirar-me o sono.]

Adiante. Hoje fui ficar, durante uma parte do dia, com dois manos que estão com uma virose. Já se sabe que a febre nas crianças dá pouco abalo e, portanto, embora mais sossegados do que habitualmente, murchos também não estavam. O mais crescido estava mais quentinho, mais jururu, encostadinho a mim e eu a ler-lhe a História de Portugal da Ana Maria Magalhães e ele todo interessado. O mais pequeno, aquele que em tempos era chamado de ex-bebé e que agora já fez 5 anos, andava de trotinete pela casa e, pelo meio, a fingir que era um guerreiro.

Às tantas, pedi que estivesse quieto porque já estava a exorbitar. Começou a fingir que me atacava e eu a dizer para estar sossegado e ele, a rir, todo folião, saíu-se com esta parvoíce: 'Dou-te um pontapé na pilinha!' Zanguei-me: 'Ai! O que é isso?? Isso diz-se?. Corrigiu de imediato: 'Ah, pois é: Tá, dou-te um pontapé no pipi'.

Tive que me esforçar para não me desatar a rir. Acho que lá consegui manter o meu ar de avózinha bem comportada e disse: 'Nada de violências, não acho graça nenhuma a essas palermices'.

Bom. Onde é que eu ia? 

Não sei, estou cheia de sono. Estou é a pedir a todos os santinhos que não me tenham pegado a virose porque era só o que me faltava. Estafada como ando, a rebentar pelas costuras com tanta reunião e tanta confusão, apanhar febre em cima da canseira com que ando vinha mesmo a calhar, vinha, vinha.

Adiante.

Ah, sim, o género. 

Há zonas da cidade em que uma pessoa se cruza com toda o género de excêntricos. Há bocado cruzei-me com uma mulher de meia idade, baixinha, bem encorpada, toda vestida de preto, botinhas pela canela, com o cabelo pelo meio das costas em cor de rosa vivo e com uns óculos de lentes transparentes e armação de massa também rosa fúcsia. Bizarra. E, comparando com outras, esta nem era nada de demais.

Pelas minhas andanças profissionais é o oposto, tudo produzido na base dos consultores e consultoras, vestidos de igual, fatos, camisas brancas, tudo formal, ou, se não é isso, são meninas dressed to impress. Não há cá excêntricos ou fora da caixa.

Na verdade, uma seca. Bem, seca não será.

Hoje subi no elevador com uma que fazia duas de mim, altíssima, com uns sapatos compensados de uma altura assustadora, com uma saia justa e curta, uma blusa transparente com um decote a perder de vista, com umas unhas pintadésimas, com um cabelo ultra bem penteado, toda loura com madeixas, um perfume marcado, uns lábios encarnados, debruados noutro tom, a pele toda coberta de base. Uma coisa intimidante.
As duas no elevador, ela meio à minha frente para eu a poder ver bem, e eu a sentir-me insignificante, cabelo à balda, roupa normal, sapatos normais, unhas curtas sem cor, na prática uma anemia em forma de gente ao pé daquela colorida estrela de Bollywood.
Outras vezes desço com executivos, todos pipocos, uns do género mais doce e outros do género mais salgado, mas, basicamente, tudo farinha do mesmo saco: armados em snobs, blasés, convencidos que são bons. Se vão sozinhos ainda quase parecem normais. Mas, se vão em grupo, é uma graça, armados ao pingarelho, a fazerem de conta que são gente que gosta de a levar na descontra mas incapazes de não evidenciarem a cagança de que são recheados. Penso sempre que deveria arranjar maneira de filmar estes pimpões, depois fazer uma montagem e pôr no youtube. Aposto que se transformava rapidamente numa cena viral.

Ontem, numa reunião, também vivi um verdadeiro momento Monty Python, uma coisa de loucos, hilariante, com um desses altos executivos com a mania que têm sangue azul mas que volta e meia, mais parecem gente do stand up. Mas não posso contar aqui, ainda a coisa está fresca, sei lá quem é que me lê.

Bom. Ia onde, eu?

Daqui a nada estou a dormir, nem sei bem sobre o que é que estou a escrever. Está bonito, isto, está.

Só de pensar que na sexta tenho que me levantar cedíssimo e passar o dia inteiro, sem intervalo para almoço, em ambiente de trabalho, já me faz sentir cansada. Cansada e frustrada. Estes dias deviam prever um período para passeio nas terras. É que passo a vida a ir a sítios lindíssimos sem poder usufruir: é programa cerrado de sol a sol. Bolas, que ainda arranjo é maneira de lá ficar a dormir para poder passear à noite. 

Ora bem. Mostro mas é já o vídeo antes que adormeça e que desate para aqui a escrever enquanto durmo, só sonhos e conversas malucas (isto é, mais malucas do que é costume)

Quem te disse que roupa tem gênero?


Para cada vez mais pessoas, ter no guarda-roupa apenas vestimentas e adereços autorizados para seu gênero é uma ideia limitadora e ultrapassada. Agora, as próprias marcas já começam a entender que é preciso adaptar o mercado a novos anseios e debates.  
Para entender melhor o que está acontecendo e tirar essa conversa do armário, o Trip TV conversou com um artista, um estilista e um caçador de roupas. Os três, cada um em um canto de São Paulo, vivem no dia-a-dia as possibilidades de usar tubinhos, colares e saias.

A Mariana Mortágua já anda quase sempre de calças, camisa e blaser de corte direito, algo masculino. Falta agora os deputados do Bloco começarem a aparecer de saia. Até o Mister Louçã, no seu comentário televisivo, poderia dar o exemplo e aparecer de saia justa e nails às cores.
Saia é uma delícia, ventila, refrigera. E nails? Ontem, ao almoço, vi uma madama com umas unhas que pareciam garras afiadas, cortadas em bico, em que apenas das unhas estavam pintadas, uma de cada cor, verde alface, azul céu, roxo. Mal me distraía lá estava eu, de olhos postos nas unhas da madama.
Adiante. Vamos mas é ao que importa. Está na hora da luta.
Abaixo o sexismo na roupa! 
Queremos roupa sem sexo! 
Cidadãs e Cidadãos: todos para a rua a exigir o fim do sexo modal e verbal!
[Calma: eu disse verbal]
Igualdade de género, já!

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Bem. E quem diz roupa ou palavras diz ballet. Quem é que impõe que os papéis de cisnes devem ser desempenhados por mulheres? Em algum lado se diz que são cisnas? Aliás, a julgar por aquela fofoca da Leda, é mais cisne alfazão que cisnazinha. A menos que fosse uma cisna fofa*.

Ida Nevaseyneva dança a morte do cisne 



Ida (never say never) é, de facto, Paul Ghiselin.
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* Teria o meu filho uns quatro anos, um dia diz qualquer coisa sobre uma coleguinha e conclui: acho que ela é fofa. Fico muito admirada porque ele nunca foi dado a ternurices: 'Fofa?'. E ele vai e faz um sorrisinho malicioso: 'Não sabes o que é fofa?' e eu admirada, sem perceber o alcance da coisa: 'Acho que sim, mas o que queres tu dizer? Que é simpática? Fofinha?'. Riu-se, como se até com pena da minha ignorância: 'Não, não é nada disso'. Vem a minha filha, que teria uns sete anos, muito a medo: 'Eu acho que ele quer dizer fufa'. 

Nestas ocasiões sempre perdi o pio. Por um lado, espantada com a 'escola' que já tinham, e, por outro, com receio de ter que explicar e sem saber como. Mas também acho nunca tive que explicar-lhes nada, sempre chegaram lá antes que eu supusesse ser a altura certa. Limitei-me, desde que nasceram, a ensinar-lhes que tinham que usar preservativo. Disso é que eu tinha mesmo medo. Lembrava-me sempre da minha colega que foi avó quando o filho teria uns dezoito anos e lhe apareceu em casa, à noite, com a namorada, a dar a notícia e a dizer que tinham resolvido assumir. O marido, ao ouvir a notícia, pegou no casaco e saíu porta fora. Ela ficou especada em frente deles incapaz de articular palavra, só a pensar que lhe apetecia era dar uma tareia ao filho.

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Não garanto que agora não caia da cadeira e não fique a dormir no chão. 
Logo vejo. Às vezes, chego a esta hora e esperto.

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Volto cá para partilhar o meu espanto. Estive a ver o filme 'A minha mãe' na RTP2, filme que não quis ver na altura porque é sobre um tema que me assusta. Mas hoje, aqui em casa, não resisti. Bom, bom filme. Mas não me pronuncio porque não gosto de falar do que me assusta.

E agora estava a prepara-me para desligar o computador e fui espreitar as estatísticas. Pois fiquei admirada: um post antigo a 'bombar' à força toda, visitas e mais visitas. Não sei porquê. Já nem me lembrava de ter escrito aquilo -- uma daquelas minhas histórias que não sei se são muito próprias para consumo.

Caso queiram ver, aqui fica o link

Uma mulher solitária em toda a sua nudez (- ou uma história ainda mais estranha)


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Desejo-vos, meus Caros Leitores uma bela quinta-feira.


1 comentário:

P. disse...

As calças para os homens foi uma ideia, ou melhor, uma moda, importada pelos Romanos aos Bárbaros, os que viviam para além da fronteira do Reno. Que acabou por pegar. Agora, questiono-me: e se não tivesse pegado? Ora bem, quem sabe se hoje estaríamos nós homens ocidentais (e outros se calhar) a vestir saias. Com todo à-vontade. E com se calhar, na época estival, de mini-saia. Ainda hoje estive com uns amigos a almoçar no belo Chiado, gosto daquele local lisboeta, aliás, gosto de quase tudo em Lisboa, às vezes encontramo-nos, mas só homens. Ponho-me, entretanto, a pensar: e se assim tivesse sido? Lá estaríamos, no restaurante/esplanada, resplandescentes com os nossos saiotes. E elas? Também de saias, claro. Imagine-se a marotice do que por aí viria...por acréscimo, todos de saias! Um desses amigos, contava-nos que uma sua actual namorada - ele é um feliz e contente divorciado - uma das “partidas” que gosta de lhe fazer é aparecer-lhe de vez em quando, sem cuecas, venha de saias ou de calças. Outro, também divorciado, com uma namorada uns 25 anos mais nova, contou que lhe tinha aqui há tempos comprado umas cuequinhas rendadas, curtinhas, daquelas que põe os homens num estado...(e mais não digo), uma coisinha sexy e lá lhe ofereceu. Reacção da tipinha: “Mas o que é isto? Vai devolver! Eu só uso fio dental, como já devias ter percebido!” E lá foi trocar a dita cueca rendada (esqueci-me de perguntar de que cor eram). Voltando às calças, acho que foi uma bela importação dos tais Bárbaros, pois, quando me lembro de idas à Serra da Estrela, com aquele “briol”, ainda bem que visto calças. Caso contrário gelavam-me os “tintins”!
Quanto ao Cartão de Cidadão, acho que quando foi pensado bem podia ter ficado como B.I (Identidade sempre é um termo neutro). Mas, seja. A verdade é que tal não é um problema de relevo. Há outros bem piores – herdados da governação da “Caranguejola” (PSD(CDS).
Imaginem o Passos e o Portas (embora neste se calhar não destoasse por aí além) hoje de saias na A.R a flibustar contra o Costa e o seu governo. Se já não os levamos a sério com caças, com saias mandávamos os gajos ir dar um volta ao bilhar grande!
P.Rufino