domingo, janeiro 10, 2016

Cada vez mais mulheres americanas declaram a sua bissexualidade (ou sexualidade fluida, como se diz). Só americanas? E isto é tendência recente? --- Olhem que não, olhem que não.



Já aqui há pouco tempo o tema veio à baila, não a propósito do que aqui vou falar, que é de natureza estatística, mas, sim, de natureza psicológica (- ou fisiológica, digamos assim). Na altura, levei quase na brincadeira. Agora, se a coisa mete estatística, mudo de tom e tento aumentar a amostragem.

Um estudo publicado há dias nos Estados Unidos mostra que há três vezes mais mulheres que homens a declararem-se bissexuais. O estudo mostra também que este número cresceu desde a última avaliação, poucos anos antes.

Não é que o número seja elevado (5,5% nas mulheres, 2% nos homens) mas, ainda assim, as proporções e a evolução merecem atenção.

Para além disso, se perguntadas se alguma vez tinham tido um contacto sexual com alguém do mesmo sexo (e isto, de um contacto, pode ser uma coisa esporádica e não uma orientação permanente), também o número de mulheres que responde positivamente é bem maior nas mulheres que nos homens -- 17,4% contra 6,2% -- e é significativo.

Também desde há alguns anos se vem verificando uma tendência crescente na assumpção por parte de figuras públicas da sua condição de bissexuais. Alguns exemplos:

Kristen Stewart e a sua namorada  Alicia Cargile

Depois de viver vários anos com Robert Pattinson,
agora é Alicia que faz vibrar a talentosa Kristen

Angelina Jolie não esconde o caso amoroso que viveu com Jenny Shimizu

Cara Delevingne e St. Vincent
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Mas, pergunto eu, qual a novidade? E porquê tanto destaque à realidade americana?

Respondo - Nenhuma novidade, desde sempre, em todo o lado.
(Mas às escondidas, claro... O manto do pecado pesava, a clandestinidade impunha-se)

Gravure Galante, XII ou XIII?

La Nymphe Callisto, séduite par Jupiter sous les traits de Diane, François Boucher,  (1759).


Le sommeil de Gustave Courbet, 1866 (também chamado: Les deux amies Paresse et Luxure)


Les deux amies, oil, ca. 1894-5; Henri de Toulouse-Lautrec

Egon Schiele - Two Women, 1915
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E estava tentada a fazer avançar as mulheres malditas do Baudelaire mas o poema é longo, longo e, portanto, por hoje não. Avanço para o cinema.

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Violette (Violette Leduc)


Carol



Adele



Ou seja, a bissexualidade, tal como a homossexualidade ou a heterossexualidade -- ou whatever -- existem, não dá para as escamotear. Mas são matérias do foro íntimo, pessoal, orientações com as quais ninguém tem nada a ver a não ser os próprios. E eu, pela parte que me toca, di-lo-ei vezes sem conta: não é pelo facto de eu ser hetero que alguma vez poderei sentir-me no direito que censurar quem quer que seja por ser diferente de mim tal como não aceitaria ser censurada ou ser condenada por eu ser hetero, uma vez que é coisa que não é voluntária ou controlável.

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E estava para vos mostrar como estava belo, belíssimo, o mar nesta tarde bravia de sábado mas, dado o adiantado da hora, limito-me a sugerir-vos que deslizem até ao post seguinte para saberem esta agora do Marcelo a abafar um palmier ao Nóvoa, dando assim início à sua excêntrica Campanha do Coração.
Se ele se apanhasse ao pé de mim neste momento, estava capaz de jurar que me dava razão, haveria de jurar a pés juntos que isto da bissexualidade é que está a dar e que ele próprio, até, enfim... (e sorriria e pigarrearia, todo malicioso, para ver se me ultrapassava, ora não, quiçá até para ver se ultrapassava em fluidez sexual a Angelina Jolie. Menino para isso é ele).
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1 comentário:

Um Jeito Manso disse...

Olá caro Anónimo,

Deixe-me lá publicar os seus dois comentários... Se até está como 'anónimo', qual é o seu problema? Achei imensa graça. Deixe lá...