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quarta-feira, julho 29, 2015

Eu, empática (tipo E), confesso: prefiro, de facto, músicas de tipo soul, blues,soft jazz. Se o meu tipo fosse S, de sistemática, preferiria heavy metal e hard rock.


As conclusões parecem até intuitivas: há uma correlação entre o tipo de personalidade das pessoas e a sua maneira de pensar e a música que preferem. 


A curiosidade é que um estudo científico feito com todos os matadores -- levado a cabo por um conjunto de investigadores de Cambridge, UK (de: Department of Psychology, Autism Research Centre, Department of Psychiatry, The Psychometrics Centre, Department of Psychology, School of Biological Sciences) e Stanford, California, USA (Department of Computer Science, Stanford University) -- que o comprova, sem margem para dúvidas.





Transcrevo:


(...) David Greenberg e os seus colegas da Universidade de Cambridge provaram que é possível deduzir a preferência musical de alguém através do seu estilo de pensamento. Trata-se de um parâmetro psicológico que, segundo a teoria da empatia-sistematização de Simon Baron-Cohen, divide a cognição humana em duas grandes categorias: os que criam empatia, que têm um estilo de pensamento que se foca no estado mental e emocional dos outros, e os são sistemáticos, que analisam e respondem através de regras exteriores que governam vários sistemas, sejam eles políticos, abstratos, naturais ou musicais.

O estudo submeteu 4000 participantes, escolhidos nas redes sociais por psicólogas e sociólogas, a questionários que analisaram o seu estilo cognitivo. Os mesmo voluntários escutaram 50 peças musicais, de 26 géneros e subgéneros diferentes, todos na mesma quantidade, e escreveram notas da audição.

Os resultados são claros: aqueles que mostraram no questionário ter um pensamento Tipo E (empatia) preferiram canções mais melosas, dentro do soul e soft rock, em contraste com os de Tipo S (sistematização) que preferiram músicas mais agressivas e complexas, dentro do género do heavy metal e hard rock.

Mas a questão não se limita a géneros mas sim a características. 

Os de Tipo E mostraram uma tendência para gostarem mais de atributos gentis, acolhedores e sensuais, com atmosferas tristes, melancólicas e com alguma profundidade emocional. 

Os de tipo S escolheram sensações de excitação, rapidez, tensão, com atmosferas animadas e profundidade cerebral, ou seja, complexa. 

Ou seja, segundo o estudo, um apreciador de música clássica de Tipo E preferiu Mozart, com grande intensidade emocional, enquanto o de Tipo S preferiu o complexo pianista húngaro Bartok.

O que é que faz uma grande canção? Greenberg, que além de líder desta investigação e psicólogo doutorado é também um saxofonista apaixonado por jazz, explicou que uma canção que agrade a 'gregos e troianos’ seria aquela que fundisse profundidade cerebral e emocional. Uma delas é “Giant Steps”, de John Coltrane. (...)


O estudo referido é:

Musical Preferences are Linked to Cognitive Styles

by
David M. Greenberg, Simon Baron-Cohen, David J. Stillwell, Michal Kosinski, Peter J. Rentfrow



E do resumo transcrevo o seguinte:

Why do we like the music we do? Research has shown that musical preferences and personality are linked, yet little is known about other influences on preferences such as cognitive styles. 
To address this gap, we investigated how individual differences in musical preferences are explained by the empathizing-systemizing (E-S) theory. (...) 
Those who are type E (bias towards empathizing) preferred music on the Mellow dimension (R&B/soul, adult contemporary, soft rock genres) compared to type S (bias towards systemizing) who preferred music on the Intense dimension (punk, heavy metal, and hard rock). 
Analyses of fine-grained psychological and sonic attributes in the music revealed that type E individuals preferred music that featured low arousal (gentle, warm, and sensual attributes), negative valence (depressing and sad), and emotional depth (poetic, relaxing, and thoughtful), while type S preferred music that featured high arousal (strong, tense, and thrilling), and aspects of positive valence (animated) and cerebral depth (complexity). 
The application of these findings for clinicians, interventions, and those on the autism spectrum (largely type S or extreme type S) are discussed.
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Escolhi uma música que ilustra, justamente, um dos géneros que me agrada e de uma das minhas cantoras preferidas: Melody Gardot, aqui interpretando Lover Undercover.




Melody Gardot, por sinal, actua esta quarta-feira nos jardins do Marquês de Pombal, em Oeiras, no EDPcooljazz
Conhecida como a "artista acidental", por se ter dedicado à música como forma de terapia, depois de um grave acidente que lhe deixou diversas sequelas, Melody Gardot é uma cantora e compositora de jazz influenciada pelos blues e jazz de Janis Joplin, Miles Davis, Duke Ellington e George Gershwin, entre outros. Mas a música de Melody Gardot distingue-se pela especial ligeireza e suavidade impregnadas nas suas composições, consequência da elevada sensibilidade com que o seu corpo reagiu durante a recuperação, e que marca o tom dos seus espetáculos. 
A cantora norte-americana, nascida em Nova Jérsia, em 1985, é uma apaixonada por Lisboa, e neste regresso aos palcos portugueses, Melody Gardot traz vários temas do seu reportório, entre eles alguns dos temas do seu álbum “The Absence”, editado em 2012, e que inclui as canções "Lisboa" e "Amália", que nada tem que ver com Amália Rodrigues, mas com um pássaro de asas partidas, que um dia pousou ao pé de Melody, em Lisboa.
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Por razão nenhuma especial escolhi para ilustrar o post fotografias de Horia Manolache para a série How Chairs Would Look If They Were People e, claro, descobri-as no Bored Panda.

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4 comentários:

Maçães disse...

Posso ter o seu telefone?

Eduardo disse...

O Passos gosta das musicas do La Feria. Isso significa o q?

Anónimo disse...

Esta Segunda-Feira, 27, com o carro na oficina, tendo vindo de comboio, quando caminhava por Cascais, antes de tomar um táxi para me levar a casa, passei numa esplanada, Pau-de-Canela, ali à Visconde da Luz e entrei para beber uma água, visto estar calor e eu sedento. Sentado na dita esplanada, estava o Bruno Maçães, 18:30 da tarde, entretido com um IPAD (?) Tablet (?) e um jornal em cima da mesa (seria o Finantial Time?). Estava só. Sem vigilância. Nem namorada. De fato e gravata. Mas, aquelas horas ali? Não deveria estar a tratar dos assuntos relevantes do Estado? Bom, também tem direto a uma folga.
P.Rufino
PS: Melody Gardot é excelente!

Rosa Pinto disse...

Empatia / Simpatia ...achei interessante.

https://youtu.be/zwau1PKyfX4?t=86


E sim o Pau de Canela é muito bom!