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quinta-feira, julho 30, 2015

Fernando Medina, um homem de bem. As suas referências a Sócrates na entrevista que concedeu ao Público e o apoio da Câmara de Lisboa à Fundação Ricardo Espírito Santo são dois exemplos recentes da sua inteireza. Fernando Medina é um socialista dos novos tempos, é o PS no seu melhor.


Gosto muito de Fernando Medina. Há nele um ar cândido e honrado que me inspira confiança. Já quando era Secretário de Estado me agradava a sua actuação. Na Câmara de Lisboa tem sido discreto e a sua competência fá-lo ser respeitado por socialistas e não socialistas.







Quando o vejo na televisão, ouço-o com atenção. A sua conversa não é formatada nem vazia. Com a sua maneira de ser cordata e a segurança com que se exprime, consegue que o ouçam com atenção. Os adversários com quem debate não conseguem sustentar o normal tom arruaceiro com que disfarçam a sua ignorância e visão deformada perante o cavalheirismo e bom conhecimento das matérias de Fernando Medina.




Não tinha lido a sua entrevista no Público mas, ao ler um comentário num post abaixo, fui lê-la e confirma-se: é um homem honrado que ali está. Sabe do que fala e é firme na defesa das suas opiniões.

E, no que se refere ao que diz de Sócrates, está toda a sua inteireza. 


Transcrevo uns excertos dessa entrevista:


Essa celeridade pode conduzir a que a acusação seja feita durante o período de campanha. Isso não pode prejudicar o PS?
Não quero especular sobre isso. A Justiça está a fazer o seu papel, o seu trabalho.
Não considera que terá impacto eleitoral para o PS?
Não vejo porquê.
Sócrates foi primeiro-ministro em nome do PS.
É um processo que está a correr, volto a dizer que não conhecemos a acusação a José Sócrates e a um conjunto de pessoas. 
(...)
Admirar-se-á se vierem a ser presas mais figuras destacadas do passado ou do presente do PS?
Não faço a menor ideia. Não conheço o processo, não faço ideia do que está a ser investigado, não sei o que está em causa. É algo a que não lhe posso responder.
Não se questiona se poderá haver mais pessoas envolvidas?
Posso dizer-lhe com toda a franqueza uma coisa: eu não tenho conhecimento de nenhum facto nem de qualquer comportamento que considere — daquilo que eu vi — indício criminal de nada.
Mesmo quando era membro do Governo, nunca se apercebeu de nada? O senhor foi secretário de Estado dos dois governos Sócrates.
Fui secretário de Estado sempre do ministro Vieira da Silva. Estive quatro anos no Emprego, no Ministério do Trabalho e Solidariedade Social, com o Emprego e a Formação Profissional, e depois no Ministério da Economia, com a Indústria e os Fundos Comunitários. Tive sempre pastas de grande responsabilidade, com grande impacto do ponto de vista financeiro. O meu testemunho em relação ao ex-primeiro-ministro José Sócrates é de uma relação absolutamente impecável na defesa do interesse público, em todas as áreas em que trabalhei com ele. Faço esse testemunho aqui e faço esse testemunho em qualquer lugar. Não posso dizer mais do que isto, mas também não digo menos do que isto. Trabalhei com ele durante seis anos. Tenho esse testemunho a dar. Foi sempre uma relação impecável, irrepreensível, na defesa do interesse público, a que eu assisti, na relação comigo e em relação às áreas que eu acompanhei.

Assim é Fernando Medina_ parafraseando Sophia, 'inteiro onde os outros se dividem'

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Entretanto, li outra notícia que me fez sentir orgulhosa dele. Transcrevo um excerto:

A Câmara Municipal de Lisboa vai dar, este ano, 150 mil euros à Fundação Ricardo do Espírito Santo Silva (FRESS), a instituição cultural que até há pouco era apoiada pelo Grupo Espírito Santo (GES) e que, com a queda deste, passou a estar numa delicada situação financeira. A proposta de ajuda à FRESS foi aprovada pelo município na semana passada, apenas com a abstenção dos vereadores do PCP.

Na proposta levada à reunião de câmara, subscrita pelo presidente Fernando Medina e à qual o Observador teve acesso, a autarquia refere-se à FRESS como “um projeto de inquestionável relevância cultural” que foi “inevitavelmente afetado” pela crise do GES.

O protocolo celebrado entre a câmara e a FRESS prevê o pagamento imediato da verba e destina-se principalmente a que a instituição consiga cumprir o programa de atividades previsto até ao fim do ano. 

Em contrapartida, a fundação compromete-se a 13 alíneas, desde descontos no museu para trabalhadores da câmara, cedência de espaços para eventos da autarquia e atividades para crianças da freguesia onde se situa o edifício da fundação. 

No documento não está previsto qualquer apoio financeiro para os próximos anos.

É da competência da Câmara Municipal de Lisboa apoiar ou comparticipar, pelos meios adequados, no apoio a atividades que contribuam de forma significativa para a dinamização cultural da cidade de Lisboa”, lê-se no protocolo.

A fundação engloba várias vertentes, que vão desde um museu onde estão expostas vastas coleções das artes decorativas portuguesas (têxteis, faianças, mobiliário e pintura, entre outras) até às oficinas e escolas de conservação e restauro, onde desde 1953 se aprendem técnicas manuais de construção e manutenção daquelas artes. A FRESS, lê-se na proposta camarária, “não só é essencial para a diversificação da oferta cultural e turística da cidade, como desempenha igualmente um papel também ele único na preservação dos saber-fazer tradicionais”.


Fico satisfeita. A Fundação Ricardo Espírito Santo tem um papel relevante na preservação do património cultural português e nela trabalham pessoas dedicadas, competentes, com saberes únicos. Seria uma pena muito grande que soçobrasse por falta de apoios, 
"Imagine um barco: um barco fantástico, mas que está à deriva. Há uma tempestade enorme, não sabe para onde tem de ir e ninguém lhe diz onde é o porto…”, afirmava em Novembro Conceição Amaral, agora presidente do conselho de administração (e que na altura era diretora do museu), referindo que o futuro da FRESS  era uma incógnita.
Fico, portanto, muito contente por saber que Fernando Medina subscreveu a proposta de apoio levada à reunião da Câmara que vai permitir que o barco prossiga o seu caminho, sabendo que há um porto onde pode aportar em caso de tempestade - pelo menos, para já.

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O PS tem revelado alguma dificuldade em encontrar o seu caminho perante um contexto minado e entre os arruaceiros, mentecaptos celerados e mentirosos da coligação PSD+CDS



Fernando Medina mostra aos socialistas qual o caminho certo: manter a face erguida, defender as suas convicções e os seus princípios, mostrar orgulho nas ideias que defende, ser sério, convincente, firme.

[Podia acrescentar (se estivesse numa de brincadeirinha boba) que, ainda por cima, Fernando Medina é giro todos os dias, tem um sorriso bonito, tem um corpinho bem feito, etc, e que o eleitorado feminino é sensível a esses atributos mas, enfim, não me alongo porque a hora já vai adiantada e hoje não estou nos meus melhores dias. 

Mas uma coisa vos digo: se o PS arranjar mais uns quantos assim (assim como ele e como o João Galamba, por exemplo), bem pode criar uma frente mediática avançada que uma coisa vos garanto: levam tudo à frente. Não haveria mulher que resistisse a um tal 'esquadrão'. Ora é sabido que, em casa, é a mulher que mais influencia as decisões familiares... Os senhores da área de comunicação e imagem do PS, que têm andado tão desinspirados, pensem nisto. ]

E tenho dito.

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Permitam que vos informe que, no post abaixo, falo de um estudo que comprova que existe uma correlação sólida entre a personalidade e a maneira de pensar de uma pessoa e o género de música que prefere.
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Desejo-vos, meus Caros Leitores, um dia muito feliz.

E a todos desejo muita sorte e que mantenham a esperança perante qualquer situação da vossa vida, por mais ingrata ou assustadora que pareça.

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1 comentário:

Anónimo disse...

O PS tem gente, como aqui diz, que nos pode entusiasmar. Estes dois exemplos que aqui nos traz são bons. Pena que não façam, aparentemente, parte do plano de Costa para um futuro governo. Gente nova, de ideias arejadas, inovadoras, com coragem política e fora dos esquemas neoliberais que afundaram o país. E fora de outros esquemas, como os da Tecnoforma, submarinos, Relvas, BPN, etc.
E já que falamos de entrevistas, embora ontem, aquilo que assisti na SIC, com a Ana Lourenço, não fosse uma entrevista, mas um debate de ideias, entre Nuno Sá e Mariana Morgado, gostei da forma bem articulada, inteligente e preparada da representante do Bloco. O pobre do Sá foi ao tapete. Até a Ana Lourenço já tinha pena dele.
Fernando Medina teve outro registo que considero relevante, o facto de não recear falar, bem, dos governos de Sócrates, de que fez, orgulhosamente como se infere, parte e não fez mau trabalho, ao que parece, nem se deixou enredar pelas manhas jornalísticas sobre a actual situação do ex-PM.
Fui ler essa peça publicada no Aventar, que aqui nos chamou à atenção, o tal marau da Guarda e realmente é inacreditável! O Blogue em questão, Aventar, é aliás excelente.
P.Rufino