sexta-feira, julho 11, 2014

O BES e o Expresso. O BES e a Política. O BES e o BdP. O BES e a solidez da Banca Portuguesa. O BES e a Troika. O BES e a pouca sorte dos portugueses. E Ricardo salgado e Bernie Madoff.


No post abaixo já levei os Leitores de Um Jeito Manso até Saint-Tropez onde poderão refrescar-se mergulhando nas águas tépidas e azuis do mar enquanto podem deitar o olho às seis mais requisitadas top-models da actualidade, de entre as quais se conta a portuguesíssima Sara Sampaio. Belas e desnudadas, elas estão ali melhor do que eu, que estou aqui cheia de calor enquanto elas estão ali à fresquinha.


Mas isso é a seguir. Aqui, agora, a conversa é ainda sobre o BES. E quem diz BES diz GES, Grupo Espírito Santo.

E quem diz Grupo Espírito Santo diz a família Espírito Santo, diz Ricardo Salgado, o ex-todo-poderoso Ricardo Salgado.



Antes de eu dizer o que quer que seja, peço-vos que vejam o vídeo abaixo, que vejam a tranquilidade de um homem que escondia o dinheiro em offshores, que fugiu pessoalmente ao fisco no valor de milhões (enquanto a grande maioria da população do seu país vive com dificuldade, uns sem emprego, muitos com pensões e salários cortados, quase todos esmagados sob o peso dos impostos, muita gente com ordenados penhorados, muitos sem casa), que pelos vistos recebia presentes no valor de vários milhões (e pergunto eu: uma pessoa de negócios receber presentes de 14 milhões não é corrupção?!?!? E da grossa?!?!?), em cujas sociedades se camuflavam contas, fugiam ao controlo dos auditores, enganavam reguladores, accionistas, colaboradores, investidores e depositantes - e que, no entanto, se apresenta como um vencedor, um impoluto gestor, alguém que sabe mais do que qualquer outra pessoa à superfície da Terra.

Vejam como, tranquilamente, com aquela pose de banqueiro sólido, afirma que o Banco resistiu à crise, que foi o banco que melhor aguentou o embate da crise. Visto agora - agora que assistimos ao desmoronar de um império que estava assente em cima de dívida, de imparidades, de incobráveis, de créditos concedidos sabe-se lá a quem, de dinheiro que rolava sem que se soubesse bem por onde, para quem - é sinistro. A hipocrisia, a impunidade, o sentimento de superioridade, de que vale tudo, de que o dinheiro compra tudo, é o que justifica tudo o que está a acontecer.


(No título do vídeo fala em Laurinda Alves mas não: como seria de esperar é Maria João Avillez. Who else?)





Quantas pessoas já estão hoje mais pobres porque acreditaram na solidez do nome Espírito Santo e compraram títulos, fundos, acções?

Quanto do aumento de juros da dívida pública resulta da desconfiança que os investidores têm no que se passa em Portugal em que uma coisa destas acontece nas barbas da Troika, do FMI, do Banco de Portugal? E com razão: que raio de testes de stress, que análises pagas a peso de ouro é que tantos especialistas da troika e do FMI andaram a fazer que não deram por nada?

E quem mais, senão nós, os contribuintes, vai pagar estes juros acrescidos?

O facto é que o Grupo Espírito Santo desmorona-se de dia para dia, o BES desvaloriza-se de dia para dia, as empresas caminham a passos largos para a insolvência - e vamos ver onde é que isto vai parar.


Carlos Costa, a sumidade, a esperteza que tinha obrigado a sair os elementos da família para lá meter gente da confiança dos mercados (Vítor Bento, Moreira Rato), que diz agora com a negociação de acções em bolsa suspensas, tamanha a hecatombe? E de que vai servir ao BES, perante este desmoronamento, ter à frente do Conselho de Administração um homem que sabe mais dos segredos do País do que toda a Secreta junta? 


Trafulhices, conluios, esquemas e papagaios - são os ingredientes desta história.

Maria João Avillez, José Gomes Ferreira e tantos outros não têm feito outra coisa senão estender a passadeira vermelha a todos os senhores da nação que até aqui têm achado que, se querem, então podem e mandam. Ao louvarem, ao tecerem loas, ao mostrarem servil reverência perante pessoas como Ricardo Salgado, estes jornalistas mais não têm feito do que legitimar, perante a opinião pública, toda a política criminosa que tem vindo a esbulhar muitos para que uns quantos possam viver como nababos.

Neste processo, honra seja concedida a Nicolau Santos que, no Expresso, desde há tempo, vem alertando para as fragilidades e comportamentos desviantes do BES, e para Pedro Santos Guerreiro que, como um cão de fila, tem avançado na peugada das pistas que indiciavam fraude e falência, desvendando, um a um, (quase) todos os podres.


Tirando estas e talvez mais algumas (poucas) excepções, ao longo de três anos ouvimos que vivíamos acima das nossas possibilidades, que éramos piegas, pouco produtivos, que tínhamos que empobrecer, que o País não podia suportar escolas no interior nem postos médicos com médicos lá dentro. Durante anos a política tem sido a de espezinhar o ensino e a investigação, escorraçar os jovens, esvaziar o País, vendê-lo ao desbarato a chineses, angolanos, russos, brasileiros. Durante anos a política tem sido a de retirar direitos aos trabalhadores, tratá-los como ociosos. Durante anos a política tem sido desprezar os idosos, apresentando-os como um grupo de gente que suga a seiva dos novos.

E tudo abençoado por Ricardo Salgado, o senhor do Espírito Santo. Com Passos Coelho, o executor desta política, à frente do Governo e com uma criatura diminuída em Belém que nada faz em prol do bem dos portugueses e da honra de Portugal.


Ninguém sabe o que vai acontecer ao GES ou ao BES. Provavelmente vai ser tudo vendido e sabe-se lá a quem. Angolanos, venezuelanos, chineses, japoneses, quem calhar. Pelo caminho ficarão as vítimas, os danos colaterais do costume.

Numa altura em que se impunha um comunicado que tranquilizasse os detentores de acções ou títulos, nada se substancial e credível diz: o Grupo está paralisado, ninguém se pronuncia (com excepção para Ricciardi que já ninguém leva muito a sério) e, do lado do Banco de Portugal, o que nos chega é também um estranho silêncio. Carlos Costa, a sumidade, para além de surdo e cego agora parece que também emudeceu.


Ao ouvir, naquele vídeo, o Ricardo Salgado, fez-me lembrar o Madoff, na altura em que era todo-poderoso, um caso de sucesso. Reparem, no vídeo aqui abaixo, como falava com descontração e segurança de como eram as operações, como diz com ar sincero que era tudo tão regulado que ninguém jamais poderia cometer alguma coisa vagamente fraudulenta já que seria inevitavelmente pelo apanhado pelo regulador. Dava aulas de boa gestão, explicava como se ganhava dinheiro, fazia humor. Descarado, vaidoso, achando-se imune.

Ao seu lado um dos filhos. Aparentemente os filhos não sabiam de nada. Ninguém sabia de nada. Era uma das empresas mais importantes de Wall Street - e, no entanto, era uma fraude monumental, um vulgar esquema da pirâmide, uma D. Branca. E ninguém sabia de nada.

Enquanto Madoff ria, cavava-se a ruína de muitas pessoas que acreditaram nele e lhe entregaram a gestão das suas economias. Enquanto, poderoso, se sentia acima da moral comum, o mundo começava a ruir tal como o conhecíamos.

Tantas as mentiras, tantos os esquemas, tanta prepotência, tanto rei na barriga - e sempre tantos sabujos e atrasados mentais prontos a servir os senhores do dinheiro, prontos a papaguearem aldrabices, conveniências.

Madoff acabou preso, um dos filhos suicidou-se, não sei se aquele que ali ouvia as gabarolices do pai. Não sei como vai acabar Ricardo Salgado. Provavelmente vai viver para o Brasil e viverá rico e de consciência tranquila.

Mas, nada do que aconteça a Madoff, Ricardo Salgado, Oliveira Costa ou João Rendeiro anula a ruína que causaram em tantas famílias.




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Recordo: se descerem até ao post seguinte, sairão do fogo do inferno financeiro para mergulhar nas belas águas em que se banham as seis mais belas e sexy top models da actualidade, entre as quais a nossa Sara Sampaio. O dress code é: de preferência nada em cima.

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Daqui a nada tenho que estar a pé que esta sexta feira a alvorada é com os galos ou antes de isso. Rumo a norte e vai ser jornada longa. 

Portanto, por hoje, fico-me por aqui e, uma vez mais, já não consigo reler o que escrevi. Como estou a escrever a grande velocidade porque já é mais tarde do que eu queria, antecipo letras trocadas, vírgulas fora do sítio e toda a espécie de barafunda. As minhas desculpas.

Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma boa sexta feira!


4 comentários:

Vitor Gomes Freire disse...

VALENTÍSSIMO "post" , estimada UJM !
Estamos , cada vez mais, numa " apagada e vil tristeza" . . .
Que se faça JUSTIÇA !
Melhores Cumprimentos
Vitor

Pôr do Sol disse...

Justiça? Em Portugal?

Já não creio nela! Alguem um dia disse quando o dinheiro fala a Justiça cala-se e é o temos vindo a constatar.

Anónimo disse...

No fim de contas, a crónica dos maus malandros. Ainda há pouco voltei a ouvir comentários e mesmo notícias sobre este caso, que vai de mal a pior, e a ideia com que se fica é que isto ainda vai no adro da capela. O PM e o adormecido supervisor (ou menorvisor), sobretudo o primeiro, vão fazendo declarações que lhes podem explodir nas mãos, qual granada, um dia não muito longe deste! O BES, convenhamos, nesta extraordinária situação, acaba de sair de uma certa obscuridade. Já é notícia da CNN, BBC, Finantial Times, etc, enfim, tem o mundo a seus pés, embora pelas piores razões. Diz o nosso fagúncio PM que não devemos temer em ter de pagar pelas aventuras piratas do Salgado e Compª Limtª. Vou ali e já venho! Já mandei, não vá o Diabo tece-las, rezar uma missa na capela da aldeia, ali perto de Seia, onde temos casa de família, com vista a que a Santa Madre Igreja, que sempre protegeu os Poderosos, para que a crise do BES não nos entale ainda mais do que já estamos. Ouvi-los, como aqui nos dá a oportunidade, com a velha Avilez e o tal Salgado, não só não nos traquiliza como nos faz vómitos. E depois, ainda temos uns ideólogos, como o Bessa do Porto - eu sou de lá – ao lado do Supervisor Costa, e chateia-me ver uns rascunhos da Bíblia como o trelho do Bessa a dizer aleivosias em jeito de graça , de humor negro, misturando as torres gémeas com o Sócrates e outras tontarias de quem já devia era ter regressado ao jardim infantil de onde nunca deveria ter saído. Ou seja, a culpa não é de quem praticou o mal, mas de quem é quem. O Salgado e a cambada que o rodeia são uns tipos azarados e a culpa é dos “Sócas desta vida”! Um pouco como aquele criminoso que perante o juiz diz que não teve intenção de matar, tão só a arma quando premiu o gatilho, veja-se lá, a bala saiu e penetrou no coração da vítima , pessoa de sua consideração. Um daqueles imprevistos, azares! E ainda temos uma parte cómica: a tomada de posse dos tais Silvas (Bento, Rato e etc) deixada para o final deste mês. Para permitir que o Gang Espírito Santo limpe a casa do pó e outras porcarias. E o Bento-Rato e Compª Limtª não chamusquem as mãos e eles, BES, consigam safar o deles, sem deixar rastos incómodos. Os tais maus malandros. O BES fede á distância. Mas nem S.Bento, nem Belém, amigos do mau cheiro, se e incomodam. Estão habituados. Já praticam o mal sobre 10 milhões de justos há 3 anos. Isto dava um filme de Fellini se fosse vivo.
P.Rufino

Unknown disse...

Excelente texto. Nada entendendo das ferramentas de um blogue, abandonei a ideia de criar um e, complementar e indirectamente, nada lia de blogues. Acedi a este e estou agradado com o estilo, dito apressado mas bem construído.Tenho dúvidas relativas à bondade da separação, fragmentação ou verdadeira cisão, do grupo, acto que se repercute necessariamente no interesse da universalidade de credores. Nem devemos pensar sequer que o Estado assuma qualquer novo compromisso sendo bastante as garantias prestadas e os eventuais negócios em que seja parte e que poderão dar mais prejuízos que os contratos de swap. A opinião pública deve ser fortalecida em afastar qualquer margem de possibilidade de actos em preju+izo dos contribuintes.