Tudo o que é coisa destas funciona a toque de caixa dos algoritmos. E os algoritmos funcionam com base em estatísticas e probabilidades: 'o que é que me chama a atenção?' 'Dos vídeos que me são mostrados (e são mostrados porque o algoritmo admite que é provável que me interessarem), quais os que me levam a abri-los?', 'Desses, quais vejo até ao fim?', 'Desses, quais partilho?', 'E faço pesquisas? Sobre que assuntos?'... E, com base nessa informação, o algoritmo vai aperfeiçoando o conhecimento que tem dos meus gostos. E, portanto, hierarquizando os meus interesses e fazendo um match selectivo com os vídeos/publicações disponíveis, é-me mostrado, por ordem decrescente de probabilidade de acertarem na mouche, uma selecção. Por isso, raramente me aparecem coisas que estão na moda, vídeos virais, palhaçadas de influencers de meia tigela, bonecadas parvas com citações requentadas, etc. Nem aqui nem no instagram. Quando ouço a outras pessoas ou na televisão comentários sobre personagens conhecidos fico sempre a leste: a mim não me chega dessa sucata. Em contrapartida, ao ser alimentada com temas e vídeos ou publicações que, à partida, são seguramente do meu agrado, fico com menos margem de manobra para pesquisar por mim ou para ser surpreendida por qualquer coisa em que nunca antes tinha pensado. O algoritmo forma uma teia que pode ser, a nível intelectual, uma ratoeira. Lidar com isto é, em si, uma aprendizagem.
Mas, passando adiante, que ninguém deve querer saber destas minhas considerações, hoje fui presenteada como uma entrevista em que in illo tempore, e já lá vão quarenta anos!, Gloria Steinmen conversava com Robert Redford, tristemente agora já ambos do lado de lá. E é um gosto. Pessoas inteligentes e, ainda por cima, com charme são outra coisa. E é uma coisa gostosa de ver como a química é algo de impalpável mas importante quando duas pessoas conversam. Não tem que ser uma química sexualizada, pode ser uma química que nasce das afinidades, da compreensão do encontro de sorrisos, da cumplicidade intelectual. Mas é tão bonito de ver.
Retrospetiva: Entrevista de Gloria Steinem a Robert Redford em 1986
Nesta entrevista de 1986 com Robert Redford, a editora da revista Ms., Gloria Steinem, Redford revela que grande parte da personalidade desajeitada da sua personagem na comédia "Legal Eagles" foi inspirada na sua vida real.
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