domingo, agosto 16, 2026

Mais um dia sem carro, sem computador e com um cão-fera que tem que ser tratado

 

Continuo naquela marezinha. O computador, que levou séculos a arranjar, veio de lá entre o deficiente e o telhudo. Eternidades para despertar. Da oficina, a quem já reportei, disseram que o levasse lá. Expliquei: em onda de azarinhos, não podia faltar o carro empanado (nota: continua à espera que lhe peguem). Como acabava por se ligar, eu dava o desconto e ia aguentando. Mas este sábado deu bote: não arrancou. Estou outra vez no telemóvel o que me desmoraliza: coisinha pequenina não é para conversa longa. Depois, quando concluir o que estou a escrever, vou ao outro computador, o esclorosado e idoso, o do teclado virtual, e formato minimamente o texto. Aliás estou a ser injusta, o idoso estava nos trinques até que apanhou água. E da oficina dizem que, dada a idade, se calhar não vale a pena. Mas, na volta, um dia destes avanço mesmo para um pedido de orçamento. Quem sabe não é o drama que pintam.

Sem carro, sem o meu computador, sinto-me limitada. Tínhamos pensado que se não nos dessem o carro na sexta-feira, requesitaríamos um de substituição. Mas vacilámos. Receamos seriamente que o animal dê cabo do carro. A maior necessidade era irmos com ele aos tratamentos. 

Mas hoje resolvemos que haveríamos de dar conta do recado. As feridas estão mais secas. Apenas uma está ainda num estado um bocado estranho. Achamos mesmo que ele arrancou um bocado. Depois há umas duas ainda assim-assim. Mas as outras estão no bom caminho. Portanto, suportaria melhor a desinfecção. 

Se não estivesse aqui a escrever numa coisinha na palma da mão, contaria o festival que foi até que, já quase a entregar os pontos, lhe fiz mil festinhas. Estava mesmo com pena dele, mais do que mau feitio, o que ele tem é medo de ser magoado. Aí acalmou-se. Nessa altura o meu marido deu-lhe um apertão sem hipótese, agarrou-o sem margem para se virar e deu-me um grito a mim: 'Pega-lhe no rabo e trata-o!' e eu obedeci e, nem sei como, o canito, fofo, nem estrebuchou. É que, na volta, eu sou parte do problema. Tenho medo de magoar, não consigo, nem quero pensar que vou fazer doer e, por isso, deixo passar todas as oportunidades e ele, que é esperto, mete a cauda toda entre as pernas, senta-se em cima e eu fico sem acesso. Já para não falar que rosna, salta, tenta virar-se, mostra os dentes. E, ao mesmo tempo, o meu marido quase faz o mesmo em direcção a mim porque está a agarrá-lo e a arriscar-se e eu ali feita maricas, sem me mexer. Mas, pronto, acabou por correr bem. Desinfectei, limpei com gaze, devagarinho, e ele deixou, sem estrebuchar. No fim quisemos recompensá-lo com um biscoitinho mas fechou a boca, virou a cara, disse que o comessemos nós.

De qualquer maneira, agora está a pôr o sono em dia. Dorme, dorme. E, ao vê-lo já a deitar-se, tranquilizo-me, significa que o incómodo que o impedia de ter sossego já está a passar. Coitadinho do meu bichinho.


Mas o dia foi bom. Jardinagens, regas, limpezas, leituras, passeios a pé. Gosto dos dias assim. Não sei porquê mas até me parece que estou ainda mais de férias. Só me faz falta o computador para escrever umas coisas mas, enfim, há coisas piores. 

Continuo a ver pouquíssima televisão. Não me dá jeito ver televisão de dia. Só enquanto almoçamos é que a ligamos, mas saltamos crimes, choradinhos, catástrofes, doenças, conversas religiosas ou pseudo-intelectuais. Por isso, com bastante frequência desligamos de seguida. Depois, só volta a ser ligada depois do passeio nocturno. Mas, ainda assim, nessa altura, aproveito para dar uma espreitadela nas redes sociais. 

De vez em quando há coisas que não se entendem. Ontem publiquei no instagram uma fotografia do cãopeludinho a passear à trela levado pelo meu marido. Hoje apareceu-me uma mensagem a dizer para eu tirar um pouquinho para festejar porque aquela publicação já tinha sido vista mais de 3.600 vezes. Fui verificar e era mesmo verdade. Agora já passou as 4.100. Para a maioria das pessoas se calhar não é nada, se calhar tudo o que seja menos de 100.000 é pouco. Mas para minzinha, desconhecida, sem vender nada, sem patrocínios nem conversas de influencer, publicar uma fotografia simples com meia dúzia de palavras e isso ser visto mais de 4.000 vezes é uma coisa que me espanta.

É como aqui no blog. Apesar de já por aqui andar há tanto tempo, ainda me surpreendo quando constato que agora há sempre cerca de 5 ou 6.000 visualizações todos os dias, quando não mais. Sinto-me agradecida, muito, mas deveras surpreendida. Tantas pessoas aí desse lado a ler o que aqui eu e o meu marido vamos escrevendo...

Bem. Fico-me por aqui. Agora vou para o pico-pico, sarapico, no tecladozinho virtual do computador -- que geralmente teima em pôr-se em cima do que estou a escrever -- para formatar isto.

Às vezes penso que tenho ali o tablet da minha mãe, nestas alturas era capaz de dar jeito. Mas ainda não consigo vencer a barreira, também ela virtual, de usar uma coisa que ela tanto usou. Enfim, lá chegarei. 

Desejo-vos um bom domingo.

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