domingo, agosto 23, 2026

Breves

 

Num meio que nada tem de rural, apesar de todas as casas terem jardim, é com prazer que, quando acordo de madrugada, ouço um galo a cantar.

Esta noite, ao passear por aqui, passei junto a uma casa muito bonita, com uma arquitectura invulgar. Tinha a porta aberta e as luzes de dentro todas acesas. Vi muitos vultos no jardim, uns entravam e outros saíam de casa, sempre conversando, recortados contra a luz que vinha de dentro. Falavam em francês. Parecia um filme.

Muitas vezes não publico os comentários porque são ofensivos, sobretudo para algumas pessoas que não eu (imigrantes, homossexuais, etc). Outras vezes não publico porque são demasiado estúpidos. Outras porque são incompreensíveis, certamente escritos por pessoas que não estão bem. Mas acontece que por vezes fazem o pleno e juntam-lhe ainda erros ortográficos. Por exemplo, tenho aqui um que não vou publicar e que, entre outras pérolas, fala da 'chumgaria'. Assim mesmo, com m. Se nem escrever sabem como podem avançar para o patamar seguinte que é o de expor ideias? 

Há uma coisa que me anda a parecer muito curiosa. Dizia-se, ou melhor, admitia-se, que o Luís Neves era o ás da judite. Não havia criminoso que lhe escapasse. Pois bem: desde que saiu, é raro o dia em que não é apanhada uma rede, seja do que for, de bandidagem ligada à droga, às burlas, às fraudes, a tudo. Não há aqueles nomes criativos para as operações, pelo menos que se saiba, mas parece que tudo o que andava encalhado no tempo do Neves, agora está a resolver-se a toda a brida. Seria interessante que alguém comparasse a estatística de apreensões (droga, armes, bandidos, whatever) antes, no tempo do Neves na Judite, e depois, desde que deixou por circular por lá. 

Harvard vende cursos ministrados por clones de IA dos seus professoes. Quando uma coisa inexistente já se dá ao luxo de ensinar um humano, só posso dizer que vou ali e já venho. Pior: quando um humano aceita pagar 700 euros por um curso ministrado por uma coisa, só espero que seja um parvo daqueles que estão sempre prontos a darem com o burrinho nas couves, e não uma moda que está a vir para ficar. Mundinho mais tinhoso, este. E tudo estará bem, se o avatar não alucinar ou não estiver desinformado ou com algum bug. Mas pode estar e estará a ensinar a grelagem das batatas em vez de física quantica. Mas, mesmo que esteja a dizer coisas acertadas, um professor não é mais do que uma mera máquina debitadeira? Pensava que era. Eu, pelo menos, durante a minha curta experiência, tentava ser muit mais que isso. Estamos a caminhar para a autofagia, é isso?

Li também que um enviado de Trump usa vodka e piadas brejeiras para conduzir a diplomacia dos Estados Unidos. Não me admira. Quando se desce ao nível rastejante, tudo faz sentido, os vermes de todo o mundo sentem-se econhecidos. De qualquer forma, o estilo não é inédito e há sempre quem aprecie o género e caia na esparrela. Tive uns colegas, gente muito vip, gente muito ilustrada, viajantes de muitas mil milhas à volta do mundo, empresários autodenominados de 'mão cheia', que, tendo a ilusão de fazer negócios com altos empresários chineses, se deixaram enredar em situações em que uma chinesa insinuante se atirava ao mais pateta deles, por sinal também considerado um ás, segundo ele batido em tudo o que é arte e manha -- e as noites acabavam com ela enfiada no quarto de hotel dele, com ele embriagado e, sem saber porquê ou sem se dar conta disso, completamente maluco. Ou ela lhe dava alguma bebida que mexia com a estabilidade mental dele ou, então, o álcool desatinava-o mais do que a conta. Os outros colegas, não sei se completamente sóbrios ou se apenas um pouco mais conscientes que ele, relatavam, off the record, à boca mais do que pequena, episódios estarrecedores. Tendo ele aparecido de uma dessas viagens com um brutal hematoma, ferido mesmo, na testa, veio depois a saber-se por portas e travessas que, não se sabe como, numa dessas noites selvagens, com a dita chinesa lá metida no quarto, ele subiu para a cómoda e de lá pretendeu atirar-se em mergulho para a cama, tendo, obviamente, aterrado no chão. O que ela sacou dele nunca se conseguiu saber, nem ele, que não conseguia reconstituir nada do que se tinha passado. Claro que, ao fim de algum tempo, os chineses perdiam o interesse nas parcerias. Dizia eu e outras más línguas que já tinham obtido o que queriam. Por essas alturas, recebemos uma visita do SIS que nos veio avisar para os riscos de algumas situações e descreveu várias, algumas tiradas a papel químico do que sabíamos que se tinha passado com os chineses mas também com árabes. Algumas pessoas em funções de responsabilidade são um perigo.

E, por hoje, fico-me por aqui. Se um dia me ponho para aqui a desbocar-me vai ser o bom e o bonito. O que me vale é que não há nenhum chinês por aqui, que me ponha a falar do que não quero. Na-na-ni-na-não. Da minha boca não vai sair nada de mais, não.

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Desejo-vos um bom dia de domingo

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