quinta-feira, julho 16, 2026

A vida no palácio

 

Tinha pensado escrever mais um post sobre o tema dos exames mas, à última hora, resolvi que não. Sempre tive um problema na minha vida: parece que antecipo os problemas. Ainda eles não aconteceram e já eu estou capaz de dizer, tim-tim por tim-tim, o que vai acontecer. Pode até parecer que estou a agoirar, mas não é, quero apenas tentar que se evite que aconteçam. Mas as pessoas reagem mal, acham que estou a preocupar-me á toa, dizem que há que dar o benefício da dúvida, que pode ser que as coisas corram bem. Mas eu, quando tal acontece, sei que não podem correr bem. Nunca engracei especialmente com grafos mas, caraças, parece que a mecância ficou gravada na minha cabeça. Dou por mim, a percorrer os caminhos críticos, a detectar os caminhos que são dead ends, a ver o que devia estar a ser feito em paralelo, a antecipar a barracada por estar a fazer em série coisas que, com toda a probabilidade, vão dar bode e empancar todo o processo. Mas como verbalizar isto? Não dá. 

Se me dissessem 'vamos digitalizar os exames' eu adoraria fazê-lo e, acto contínuo, começaria a delinear todo o processo. E, de caras, vos digo: seria um processo limpinho, económico, sem falhas. Se em contrapartida me aparecesse um bando de anhucas a propor implementar o processo que está em curso eu mandá-los-ia ir dar banho ao cão e nunca mais perdia um minuto da minha vida a ouvi-los. O que está em curso não é uma modernização, não é uma transformação (no bom sentido): é um aborto. Com todas as letras: um aborto. Mais um dos abortos em que o Governo de Montenegro se especializou. Um aborto. Não tem ponta por onde se lhe pegue. Não é moderno, não é eficiente, não é racional, não é económico, não é coisa nenhuma. É um aborto.

Não preciso de vir a ter conhecimento concreto sobre o que vai passar-se nos próximos dias: já o sei.

E tudo o que ouço ao Fanã Alex, ao Luís, ao Hugo, ou a qualquer desses cromos (incluindo a intragável Ana Paula) só prova que é gente que não sabe o que anda a fazer, gente incompetente e irresponsável.

Já aqui falei disso muitas vezes: um colega e amigo dizia-me muitas vezes: 'ter razão antes de tempo, em termos práticos, é o mesmo que não ter razão'. Por isso, não vou estar para aqui a enumerar as burrices imperdoáveis que toda esta gente anda a cometer. Na sexta-feira ao fim do dia falamos. Se estiver enganada, e muito gostaria de estar, será bom para os alunos e para as famílias e, até pelos meus dois netos que estão envolvidos nesta cegada, eu gostaria que tudo corresse bem.

Mas, portanto, em vez de falar nisto, opto por partilhar um vídeo que é, todo ele, um documento: as relações de poder, de chantagem implícita, a bajulação, a anulação da personalidade, e, ao mesmo tempo, a capacidade de tirar proveito de uma situação que tem a anulação implícita, são um roteiro do que se passa nos corredores do poder da Casa Branca. Não sei se é só na Casa Branca ou se é também em Downing Steet, no Eliseu, em S. Bento -- não sei. Mas é interessante perceber como funcionam as 'fontes', como a informação é veiculada.

Lindsey Graham morreu. O amigo indefectível de Trump morreu. Homofóbico, defensor da perseguição aos gays era, contudo, um gay. Toda a gente sabia disso, inúmeras histórias circulavam, e, no entanto, ele manteve-se até ao fim no armário. E Trump sabia disso. E, portanto, tinha-o na mão. Mais do que um grande amigo e um asqueroso puxa-saco de Trump, Lindsey Graham tinha medo dele.

O vídeo fala disto e de muito mais e é, como sempre, muito interessante. Mais do que tentar encontrar motivações ou estratégias políticas na actuação de Trump, talvez seja mais útil perceber como funciona a cabeça destrambelhada do doido varrido e quais as dinâmicas dos ridículos personagens que por ali gravitam.

Este é o motivo obscuro pelo qual Trump aterrorizou Graham | 

Dentro da mente de Trump

Michael Wolff e Joanna Coles investigam as consequências políticas da morte súbita de Lindsey Graham, revelando o que Trump realmente pensava por detrás das suas homenagens públicas, como são elaboradas as publicações do Truth Social dentro do seu círculo íntimo e porque é que a complexa relação de Graham com o presidente era motivada tanto pelo medo e influência como pela lealdade. Analisam também as crescentes especulações em torno da saúde de Mitch McConnell, o conflito cada vez mais inescapável de Trump no Médio Oriente, apesar da sua promessa de evitar guerras intermináveis, e porque é que Michael acredita que o presidente está preso à sua própria incapacidade de mudar de rumo. Por fim, voltam-se para uma força inesperada que está a remodelar o Partido Democrata, argumentando que Bernie Sanders pode ter tido um impacto muito maior na política norte-americana do que até os seus críticos estão dispostos a admitir.

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