Como já escrevi, votei no Seguro por opção -- mas sem convicção.
Nas primeiras intervenções, após ser eleito, parecia que tínhamos um actor político diferente do que tinha sido quando foi líder do PS e que seria com presidente mais assertivo, com mais coragem política e com disponibilidade para, quando fosse caso disso, cortar a direito. Foi sol de pouca dura.
Embora há muito pouco tempo no cargo, e por isso ainda poderá existir algum benefício da dúvida, as primeiras intervenções do novo presidente estão muito próximas do que foi o Tó Zé no tempo em que esteve activo na política. O que resultou da visita às regiões afectadas pelas tempestades foi uma reunião com especialistas e o alerta para a falta de um relatório. No meio, safou-se, com o alerta para a quantidade de combustível existente nos terrenos e o enorme perigo que é para a época de incêndios. Foi pouco, muito pouco, para o desacerto que tem desnorteado a actuação do governo no apoio às populações e na reconstrução do que foi destruído.
Pior do que tudo, revelando o que é o verdadeiro Tó Zé, é a novela do apelo às negociações sobre o pacote laboral. Atravessou-se na campanha com o chumbo da lei se não houvesse acordo, e agora panicou porque pode ter que tomar uma decisão sobre uma lei que não foi aprovada na concertação social. E não vale a pena dizer que não faz pressão ou que fica feliz quando as partes se voltam a sentar à mesa para lhe fazerem um frete. Na verdade, está a pressionar a UGT sobre uma lei que tem a chancela da direita mais retrógrada, não defende os trabalhadores, não toca nos aspetos fundamentais das novas relações laborais quando a IA começa massivamente a entrar nas empresas nem se preocupa com a vida familiar de quem trabalha. Está a pressionar a UGT para dar o acordo a uma lei que inclina estupidamente as relações laborais para o lado do patronato. E pasme-se nem o patronato menos extremista está interessado nesta lei. Ainda aqui há dias, o presidente da confederação das microempresas, teoricamente as que têm menos força, vinha dizer que não precisava para nada desta reforma à legislação, e não é caso único. Portanto, Tó Zé, faço votos para que tenha evoluído e não faça já uma parte dos seus eleitores começarem a ficar arrependidos de terem votado em si. Não existe em Portugal nenhum problema que ponha em causa o desenvolvimento da economia causado pela atual legislação laboral. Esta opção do governo é apenas política e não tem nada a ver com os verdadeiros problemas do País. Era isso que o Seguro devia dizer ao governo, pressionando o Luís para ir dar uma volta ao bilhar grande juntamente com a ministra do trabalho e o representante da CIP e, durante a voltinha, atirarem a lei para o lixo. Assim, cumpriria as expectativas que depositaram em si quando o elegeram.
Veremos, e espero que não se aplique o ditado popular: Tó Zé uma vez, Tó Zé para sempre.
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