Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

quinta-feira, abril 12, 2018

Zuckerberg -- e o seu sorriso mais do que amarelo -- é incapaz de disfarçar que não tem como controlar o monstro que criou.
E as evidências provam que, uma vez mais, meio mundo segue cegamente qualquer palerma que pareça estar a oferecer qualquer coisa


Read my lips: é impossível saber tudo o que aconteceu ou, melhor, tudo o que quotidiamente acontece com os dados dos utilizadores do Facebook. Impossível. É o próprio modelo de negócio, é a própria plataforma tecnológica, é a total incapacidade de parar o mar com as mãos, é a absoluta impossibilidade de contar todos os grãos de poeira ou supor que, um dia, se vai poder controlar toda a areia do mundo. Impossível.

Bits e bits e bits, incontáveis, infinitos, em progressão constante, carregados por milhões e milhões de pessoas em todo o mundo, e publicidade, apps e gadgets a serem introduzidos a toda a hora na dita plataforma ao dispor de utilizadores incautos. Uma empresa gigante gerida por um rapaz, agora apenas com 33 anos, convencido que é superiormente dotado e que se viu milionaríssimo e sem falta de nada e que emprega igual rapaziada para quem a ética e o respeito pela dignidade e pela liberdade são cenas que não interessam para nada. 

Por isso, os escândalos não se ficarão por aqui (a menos que, por não despertar o interesse na opinião pública, deixem de ser noticiados).

E não preciso de ler as notícias que o confirmam para afirmar tão preremptoriamente -- e não é apenas de agora que o faço -- que isto do Facebook não é apenas uma treta: é, sobretudo, um perigo.

Mas, efectivamente, as notícias confirmam-no:

The data was collected through an app called thisisyourdigitallife, built by the Cambridge University academic Aleksandr Kogan. The Democratic congressman Eliot Engel of New York asked if Facebook planned to sue Kogan, Cambridge University or Cambridge Analytica.

Zuckerberg said legal action was being considered and added: “What we found now is that there’s a whole programme associated with Cambridge University where … there were a number of other researchers building similar apps. We do need to understand whether there is something bad going on at Cambridge University overall that will require a stronger action from us.”

(...) 

The Democrat Frank Pallone asked Zuckerberg to make a clear commitment to change all Facebook’s default settings to minimise the possible collection of personal data. The Facebook founder declined to give a simple response, saying: “Congressman, this is a complex issue that I think deserves more than a one-word answer.” Pallone replied: “That’s disappointing to me.” (...)

The university said it would be “surprised” to learn Zuckerberg was only now aware of its work in the psychographics field. “Our researchers have been publishing such research since 2013 in major peer-reviewed scientific journals, and these studies have been reported widely in international media,” it added. “These have included one study in 2015 led by Dr Aleksandr Spectre [Kogan] and co-authored by two Facebook employees.”
(....)

John Sarbanes, a Democrat from Maryland, said: “Facebook is becoming a self-regulated superstructure for political discourse. Are we, the American people, going to regulate the political dialogue or are you, Mark Zuckerberg?”

The Democrat Frank Pallone asked Zuckerberg to make a clear commitment to change all Facebook’s default settings to minimise the possible collection of personal data. The Facebook founder declined to give a simple response, saying: “Congressman, this is a complex issue that I think deserves more than a one-word answer.” Pallone replied: “That’s disappointing to me.” (...)