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terça-feira, março 13, 2018

Um best-seller em 1748
-- Teses filosóficas intercaladas com descrições eróticas --




Um texto exemplar deste novo género, e um dos best-sellers da época, foi Thérèse philosophe, um romance libertino típico, em que os diálogos filosóficos acompanhavam os mais variados, sofisticados e rebuscados desvarios sexuais entre os dialogantes.

O título completo do romance é Thérèse philosophe ou Mémoires pour servir à l´histoire du P. Dirrag et de Mlle Éradice. O livro foi publicado em 1748, em pleno século das Luzes. A sua autoria deixa algumas dúvidas, embora seja geralmente atribuído a Jean-Baptiste de Boyer, marquês d'Argens, aristocrata e militar, protegido de Frederico II da Prússia. 

D'Argens era um escritor muito prolífero que se fixara na Holanda para poder livremente atacar a religião católica. Nos 40 anos que precederam a Revolução, o romance conheceu dez edições. Ao modo do tempo, apresentava teses filosóficas intercaladas com descrições eróticas, que a narradora, a tal 'Teresa filósofa', ia contando em jeito de memórias. O livro não tinha alusões políticas críticas -- apenas a religião católica e o clero eram objecto de ataque nas descrições de constantes orgias em bordéis e conventos. Thérèse philosophe inaugurou um género que, até à Revolução, iria contribuir decisivamente para pôr em causa, na sociedade francesa, sobretudo nos círculos do poder, nas classes altas e na burguesia de província, os valores e princípios cristãos.


O próprio Marquês de Sade havia de reconhecer os méritos do livro, que atribuía a d'Argens. (...)

Esta e outras obras chegavam ao público que as queria e as lia através de uma rede de cumplicidade de autores, editores, impressores, livreiros, funcionários e políticos.


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No seguimento do post abaixo, Filosofia e Pornografia, mais um excerto do livro Bárbaros e Iluminados, populismo e utopia no século XXI de Jaime Nogueira Pinto

Ilustrações de época de Thérèse philosophe

Hristos Anesti por Divna Ljubojevic

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