Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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domingo, março 18, 2018

E lá se foi o saloio* Feliciano Barreiras Duarte
... e já vai tarde porque quem escreve como ele escreve merece é levar reguadas naquelas mãos e ser posto de castigo ao canto da sala


A dream team do Rio
(a olho nu via-se bem que a coisa não augurava nada de bom)

Enquanto escrevo, ouço a desanda que o nosso senadorzinho de trazer pela TV está a dar no ex-secretário-geral do PSD e ex-braço direito do PSD. Que é um saloio, que se portou mal, que o que fez é uma bacoquice, que devia era ter vergonha na cara (esta não disse assim mas por outras palavras) e que o Rio devia ter agido há mais tempo em vez de andar a apanhar bonés (sic) e que espera que não estivesse com o rabo preso. E tal e tal.


E eu que ontem já tinha aconselhado o pobre-coitado Fefé BD a dedicar-se a outra coisa -- não a coser meias mas a descacar batatas -- vejo, com agrado, que já anunciou que ia pregar para outra freguesia. Talvez para descacar batatas tenha jeito. Tem ar disso. Eu olho para ele e diria que para presidente de uma junta de freguesia ali numa qualquer aldeia do Bombarral talvez ele também leve algum jeito. Mas mais do que isso já me parece um desafio ao Princípio de Peter.

Mas, de tudo que se conhece -- desde ter enfeitado o CV com pepineiras criativas até ter recebido um subsídio indevido -- nada me parece tão grave como escrever como escreve. 

Transcrevo a conclusão da sua tese de Mestrado: SISTEMA POLÍTICO NACIONAL E SISTEMAS POLÍTICOS COMPARADOS e digam-me se quem escreve coisas destas não merece é um correctivo a preceito.
Em conclusão, a elaboração deste relatório, com os fins e objectivos anteriormente referidos, pretende-se que seja consabido, o relacionamento entre a primeira e a segunda parte do mesmo, com a evidência principal, que de entre a multiplicidade do currículo do seu autor, poderá sobressair e outrossim destacar, o fio condutor de que nas suas múltiplas actividades e intervenções, académicas, profissionais, não profissionais, mas de servidor público, jurista, professor, investigador, conferencista, autor e afins, está sempre presente uma trave mestra – a saber – que é a problemática do sistema jurídico e político português. Com uma incidência especial, na sua axiologia, a sua catalogação jurídico política e sobretudo a sua elasticidade jurídico constitucional. De entre outros temas possíveis e prováveis de serem expendidos pelo autor, a problemática associada a este tema, tem toda a actualidade para quem, tem 21 livros publicados, prefaciou vários trabalhos de investigação, foi conferencista e moderador em 164 conferencias, seminários e afins, publicou cerca de 750 artigos e cronicas em jornais e revistas, e tem variadas intervenções no plano profissional, extraprofissional, publica, política e de outras tipologias. 
Demitiu-se? Face a isto, é pouco. Tem que ser posto de castigo. Tem que fazer cópias, ditados. Deve desfilar com orelhas de burro. Deve levar reguadas. Deve voltar para o 1º ciclo. No mínimo.

Mas poderia dizer-se que, quando escreveu a conclusão já estava cansado, que já não atinava com as vírgulas nem com coisa nenhuma. Mas não. Veja-se, por exemplo, a abrir, a dedicatória --e digam-me se é possível uma coisa destas.
Agradeço à minha família (meu pai, minha mãe, minha mulher, meus três filhos, meu irmão e restante família) e a todos quantos nas últimas quase três décadas, partilharam bons e maus momentos e bons e maus resultados, em toda a minha vida não só familiar, mas acima de tudo, académica e profissional e também em toda a minha vida pública, enquanto servidor da coisa pública e protagonista da vida política, quer ao nível autárquico e parlamentar e também ao nível governativo. Agradeço, sobretudo aqueles, que se mantiveram fieis inabalavelmente à lealdade, competência, diligencia, sacrifício, honradez, sinceridade, amizade e confidencia. 
É muito jogo. É de Mestre. Mestre Fefé BD, o ás das vírgulas e da conversa da treta.

Olha. Bye bye, saloio* Feliciano.

[NB: Isto do saloio foi o Marques Mendes que dixit.]