Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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quarta-feira, setembro 27, 2017

Onde não se fala de relatórios sobre tamancos armados nem de fantasmas avençados, espiões invisíveis ou alegados pasquins de referência.
Tão-pouco se fala de láparos, cristas, rangélicos a desapoiar leais ao coelho, isaltinos e outras prendas de questionáveis valias.
Na verdade, com vossa licença, fala-se é da verdadeira arte em forma de gif.



Só para explicar. A semana ainda nem a meio vai e eu já tive a minha dose. Isto de reuniões sem dar tréguas, sem tempo para me preparar, e importantes, e ter que ir para elas apanhando a substância da coisa on the fly, e pelo meio ter que fazer tretas e mais tretas, e ainda ter que aturar gente complicada ou em mau estado psicológico e, en passant, ter que andar de um lado para o outro e, ainda por cima, saber que até que o bendito feriado da semana que vem me chegue vai ser assim em contínuo... dá-me uma canseira que não consigo aqui explicar.

E estou aqui varada de sono e a pensar que vou ter -- já, já -- que me levantar de madrugada porque há senhores por demais executivos que acham que macho-alfa que se preze tem que ter hábitos de galinha, e tudo bem não fora eu estar mais para fêmea-vénus do que para macho-alfa. Gostam. Gostam de marcar reuniões de madrugada, à hora de almoço, a começar às cinco da tarde para acabarem quando acabarem, na véspera de um feriado ou no dia a seguir, tudo para provarem que não estão nem aí para uma folguinha ou para um lero-lero e que um pequeno ócio, então, nem pensar. E eu que gosto tanto de pensar que tenho vida própria... e a ter que me alinhar com eles. Protesto, mando bocas. Mas sou uma entre não sei quantos galfarrros. Por isso, que venham as quotas. Enfim.  E já que estou numa de desabafos. Cansa-me também quando depois das dez da noite ou às dez da manhã de domingo recebo mails a perguntar se estou disponível para reuniões durante a semana. Não respondo. Mas às vezes tenho mesmo que responder. Mas fico animicamente fatigada.^


Resumindo: fico sem paciência para falar de relatórios feitos por fantasmas. Um ghostwriter a tomar conta das notícias e dos comentários parece-me coisa sem grande lógica. Claro que não li o Expresso. É lugar que me vejo forçada a frequentar cada vez menos. Covil de boateiros, coito de autores por conta (sendo que aqui quem pagará conta se esconde atrás de interesses pouco confessáveis).  Não tenho paciência. Um alegado pateta qualquer, daqueles que alegadamente gosta de se armar ao pingarelho, deu-lhe para fazer uma redacção a elencar alegados cenários bélico-metafísicos. Cenário 1: as armas foram roubadas pelo Kim Jong-un para as mandar numa série de foguetes para a lua. Cenário 2: as armas foram para os amigos do Trump de Loures. Cenário 3: as armas foram para os do exército de Napoleão. Cenário 4: as armas foram para os alegados jihadistas de Angola. Cenário 5: as armas foram para Hollywood. Cenário 6: as armas estão escondidas até o Marcelo receber os três ramos. Cenário 7: as armas foram para a patrona da Ordem dos Enfermeiros que ela tem a mania das grandezas e quer negociar devidamente armada. Cenário 8: as armas foram para Rio Maior para um just in case em que as mocas não cheguem para todos. Cenário 10: as armas nunca existiram de facto, era tudo uma ilusão levada a cabo por Luís de Matos. E vai daí, 1ª página do Expresso e, logo, logo, o presciente láparo a cavalo no fantasma. E a SIC e todos os seus alegados jornalistas e demais comentadores a comentarem os urros do láparo e os salpicos que a ejaculação do fantasma espalhou nas lapelas das hostes laranjas -- e todo um frenesim se formou. Há relatório? Foi alguém bom da cabeça que o fez? Foi um espião na reserva? Foi a vizinha da esquina? Foi mesmo um fantasma encartado? Um noir? Quem...? Quem...? E, sem surpresa, a resposta é a de sempre nestas circunstâncias: Ninguém...


Portanto, dizer o que sobre isto...? Nada. A coisa não me diz nada e, é claro, não fui alvejada por nenhum salpico (que não sou parva de me pôr a jeito). Estou limpa. Portanto comentar o quê? Que o láparo anda nisto? Que aos candidatos a suicidados agora juntou os espiões-fantasmas? Não posso. Sou uma alma caridosa. Não gosto de tripudiar em cima de falecidos políticos. Tempos houve em gostava de coelho à caçador. Agora nem isso. Incapaz de papar coelhos.

Ou então discutir se a Cristas bate a Leal ao Coelho ou vice-versa...? Também não. Comentar as não-ideias de duas cabeçolas cheias de vento não é coisa que me assista. Ou vir para aqui gargalhar até às lágrimas com o Rangel a dar ainda mais cabo da vida da Leal ao Coelho? Não. Não me peçam isso. Posso parecer tão santa quanto a mais santa das santas mas, vão por mim, sou é mesmo uma pecadora. Por isso, esfarrapar o meu espírito só para fazer a vontade àqueles de vós que aqui vêm na esperança de me ver a desancar nas indigências políticas que por aí andam arrastando tristes cadáveres políticos... não... isso não é comigo.



Ou pôr-me para aqui a rasgar as vestes porque o Isaltino deve voltar a ser escolhido porque as pessoas querem lá saber de causas ou de éticas ou dessas cenas que incendeiam blogs e faces e instas mas que são espuma a que ninguém oferece voto? Ná... estou cansada dessas frioleiras líricas que escamoteiam a verdadeira alma de quem escolhe. Mais do que fartinha de saber que a malta quer é um mundo governado por isaltinos estou eu.

A sério. 

Na televisão o Pedro Adão e Silva, o Rui Tavares e o Norton a falarem destas coisas. Nem dois minutos. Repetem-se, andam em círculo. Posso estar meses sem os ver que, quando voltar, vai-me parecer que estão a falar da mesma coisa. E, quem diz estes, diz os outros.


Não tenho pachorra.

Por isso não tendo nada que me motive e, sonolenta como estou, incapaz de ir seleccionar fotografias e mostrar coisas bonitas ou ir saracotear a minha beleza pelas ruas dos onlines, com o vosso perdão, ficarei por aqui.

É feio, eu sei, maçar a vossa inteligência para chegar aqui e nada, coisa nenhuma. Mas, acreditem, sou humana, um imperfeito exemplar do tipo manuel germano (ou descodificando para quem não conhece o trocadilho: do género humano). Quando não há nada para dizer o melhor é fazer isto: ficar calada. Tal como acabei de fazer. Caladinha, caladinha. 


[Gifs da autoria de ​Hazal Yalım]

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E queiram, se vos apetecer, continuar a descer até à sarjeta.

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