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sexta-feira, setembro 08, 2017

Clair de lune



Au calme clair de lune triste et beau,
Qui fait rêver les oiseaux dans les arbres
Et sangloter d’extase les jets d’eau,
Les grands jets d’eau sveltes parmi les marbres.


[Verlaine]


Je suis Clair de Lune. O efémero luar. O que ninguém pode possuir. O que não é senão um reflexo, uma ilusão. Um nome que não é nome. Tão nossa e, afinal, tão imaterial. Distante. Tão presente e tão de todos. E de ninguém. 

Nesta noite tranquila olho a lua por entre longilíneas árvores. Está dourada. Olho-a melhor. Tem pontos de luz. Quase cintila. Ilusão. Pura ilusão. 

Longínqua, sempre em mutação, indefinível. No outro dia em crescente, hoje já plena, esplendorosa. Olho-a. No luar que dela parece emanar encontro outros olhares, votos que se cruzam com os meus. Sonhos, devaneios. 

Logo, logo vai começar a desaparecer. Esconde-se. Depois ficará oculta. No entanto, sabemo-la ali presente, no escuro. 

Mas hoje está luminosa e encerra mil promessas. Um dia. Um dia. Ah um dia. Sim, um dia.

Estive na varanda. Está uma temperatura amena. Estivemos sentados na varanda, a beber um Porto e eu comi um bombom de chocolate. Às escuras, apenas a luz do luar. Silêncio. A lua é silenciosa e cheia de segredos. Secreta como a sua luz que não é luz mas que envolve em seda e ternura os amorosos olhos que a olham.

Clair de Lune. Je suis Clair de Lune.
(Faz de conta, claro)



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Fiz as fotografias da lua há pouco. À última puxei pelo contraste, pela luz e transformei-a numa abstração.

Quem interpreta Clair de Lune de Debussy (que foi inspirado pelo poema de Verlaine) é Kathia Buniatishvili.

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