Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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quinta-feira, agosto 31, 2017

Cavaco Silva, o não-político, foi dar uma aula aos Jotas.
Se eles são bons alunos, devem ter aprendido a ser ressabiados, mal encarados, invejosos e pacóvios.



Ia a caminho de um lugar muito bonito quando na rádio nos pareceu ouvir uma voz vinda do além. Eu disse: 'Mas o que é isto? A múmia...?'. O meu marido esticou o braço para lhe calar o pio mas interceptei-o: 'Deixa ver o que é isto'. Enfadado, cedeu.

Compreendam-me: parecendo que não, estou de férias. Quase não se vê televisão e, quando se vê, é só o que a TDT nos oferece. Como não é grande coisa, desligamos. De carro, também andamos menos e, quando andamos, vamos a ouvir música. Por isso, não estamos muito a par das notícias de Boliqueime nem de como o casal Mariani ocupa o seu tempo. E, se formos pelas probabilidades, também não conseguiríamos lá chegar. De facto, quem iria pensar que, para instruir neófitos da política, alguém se lembraria de ir buscar um pretenso não-político? Na verdade, um ser que é um pretenso não-ser.  Ele não só pretende fazer-se passar por não-político, como também por um não-peso-morto, por um não-causador de um desastre civilizacional e cultural em Portugal, por um não-oportunista.

Mas permitam que repesque a ideia que me ficou da intervenção política da criatura ao longo do tempo em que andou na política -- tempo demais, diga-se.

Depois de anos como Primeiro-Ministro a passar o país a patacos, fechando fábricas, colocando campos em set aside, acabando com parte da frota pesqueira e de ter levado para a ribalta toda a espécie de chico-espertos, de oportunistas e de gente pouco recomendável, saíu de mal com o país, à dentada ao bolo-rei, boca cheia, mal disposto com a falta de apreço que os portugueses mostravam por ele -- e remeteu-se ao ressabiamento à porta fechada. 

Entretanto, fez uns investimentos financeiros que lhe correram especialmente bem, depois viu grandes amigos e ex-colaboradores metidos em sarilhos judiciais e, ao que parece, saíu da Mariani, tendo-se mudado para a Coelha. Acontece que o espírito Mariani não saíu dele. 


E quando pensávamos que nos tínhamos visto livres da criatura, eis que, qual pesadelo, a assombração voltou às nossas vidas, desta vez sob a forma de Presidente da República.
Contudo, não foi à força para lá. Volta e meia, por falta de alternativas inspiradoras ou porque os votantes são crentes e ainda acreditam na regeneração de casos perdidos, acontecem fenómenos desconcertantes. Foi lá parar com os votos de parte da população. Mas se para a primeira vez ainda pode haver explicação, já para a segunda a coisa foi mais estranha. A verdade é que foi reeleito e por lá continuou a arrastar-se sem fazer nada. 
Um presidente inexistente que os portugueses dispensavam de boa vontade. Um presidente que, perante a pobreza crescente dos portugueses, se pôs a lamuriar com o que ganhava dizendo que nem lhe dava para as despesas. Ele que vivia uma vida regalada, ele de quem se sabia o que tinha ganho com as famosas acções recomendadas pelos tais amigos, ele que tinha optado por receber a alta reforma, não se sujeitando ao ordenado de Presidente.


Mas não foi só isso. Não é verdade que não tenha feito nada. Eu deveria ter dito: nada de útil. É que, aos poucos, Cavaco foi derrapando para aquilo que é a sua ideologia e esquecendo-se de que era suposto ser o presidente de todos os portugueses. Tornou-se líder de facção. Não descansou enquanto não fez a vida negra a Sócrates, abrindo as portas, de par em par, ao seu bem amado Passos Coelho que vinha de braço dado com o espertalhão Paulo Portas. 



Não sei o que viu Cavaco em Passos Coelho. Um instrumento? Um pau-mandado? Um abre-portas? Nunca percebi bem. Sendo um economista teórico, a Cavaco não podia passar despercebido o nível de ignorância e incompetência do láparo. Sendo professor, a tendência para o corrigir e reprovar devia ser constante. 


Portanto, como foi possível que o tivesse protegido ao longo de quatro anos, vendo que a realidade tirava todos os meses o tapete à ideologia que ambos defendiam e praticavam? Como conseguiu conviver com as burrices que aquele governo cometeu, uma atrás da outra? Como suportou a tendência radical de Passos para fazer o gosto ao Schäuble, mesmo que isso implicasse depauperar o País e desgraçar a vida de muitos portugueses? Como aguentou as inconstitucionalidades que Passos Coelho e Portas tentaram fazer passar vezes sem conta? 

Não sei. Mas aguentou. Por mais dislates que fizessem, por maior que fosse a miséria para o qual o País ia sendo arrastado, ali estava Cavaco a passar a mão pelo pêlo aos pafiosos, a pôr-lhes a mão por baixo, a desculpá-los, a apoiá-los.


E mesmo agora que vê que um governo com uma ideologia oposta à que ele e os seus pupilos praticaram vem apresentando melhores resultados, mesmo agora ele continua aos coices na realidade, defendendo uma receita que não resultou, que ninguém quer, que provou ser um desastre.

Até que neste fim de Agosto, Cavaco se apresenta em Castelo de Vide para instruir os Jotas.


E é com uma total ausência de sentido de Estado e de nobreza de carácter (que sempre revelou não ter) que o faz: desenterra as suas velhas raivas, espuma azedumes, deixa deselegantes indirectas portando-se como um vulgar praticante de má-língua que não poupa até o actual Presidente em exercício e, imagine-se, cola-se ao novo presidente francês.


E a forma como falou...? Uma vergonha. Políticos que nem piam ou quando piam, piam baixinho? É esse linguajar que Cavaco tem para ensinar aos jovens do seu partido? E foi este professor que a actual direcção do partido achou que os jotas deveriam ter? Ok. Vou ali e já venho. Depois como é que alguém ainda pode admirar-se com o baixo calibre dos Hugos Soares desta vida? Que é que se pode esperar do PSD com a escola que têm?


Mas com aquela fixação dele no Macron é que eu fiquei ainda mais espantada. Ainda Macron mal aqueceu o lugar e ainda anda a ver a quantas se há-de mexer e já está o Aníbal a comparar-se-lhe...? Uma saloice que revela aquilo que acima referi: o espírito Mariani continua a habitá-lo.


Será que quando vê Macron com a Brigitte ele se revê? Será que olha e vê-se a si próprio com a sua Cavaca? Iguais, tal e qual?

Macron, o anti-Marcelo, Macron, o gémeo separado à nascença dele, Cavaco. Será isso que ele vê? Macron, tal como ele, também anti-jornalistas. Iguaizinhos? E será que também imagina Macron a dar cobertura a inventonas? A mandar um assessor para o sótão... também? 


Enfim. Do pior que a política pós 25 de Abril pariu.

Só se espera que agora que já fez esta má acção e que já piou como uma ave de mau agouro, Cavaco volte à sua condição de múmia. Ámen.

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As imagens que como tal estão identificadas provêm, como é bom de ver, do saudoso We Have Kaos in the Garden.

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E agora apresento o que teria sido uma alternativa mais ajuizada para ensinar os Jotas. Vai na mesma linha do Cavaco, aquele que diz que não é o que é e que, às tantas, já nem sabe o que  é.

Mas, enfim, quiseram o Cavaco, já nada a fazer para este ano. Contudo, caso queiram persistir na mesma linha curricular mas não estejam para presenciar a bílis do marido da D. Maria Cavaca, aqui fica a sugestão: passem o vídeo que aqui partilho.

Monty Python - Apelo à saude mental e em nome da conservação natural



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E agora, caso queiram lavar a vista e purificar a alma, queiram fazer o favor de descer até ao post seguinte onde se fala de matéria de qualidade e bom gosto. Branding em bom.

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