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quarta-feira, março 01, 2017

Na Sé
(Mesmo sem compreender o que é a Fé)
[2º de 8 Postais ilustrados de Lisboa, a bela]


Nem vale a pena falar mais no assunto, tantas vezes já aqui o confessei. Gosto de entrar nas igrejas, gosto de andar devagar a ver tudo, gosto de sentir o silêncio a envolver-me, gosto de observar as imagens, gosto de ver a monumentalidade, a imponência, a beleza daquilo tudo, gosto de ver as entradas de luz, gosto de sentir o meu coração contagiado pela piedade que vejo no olhar de Nossa Senhora, gosto de ver como algumas pessoas ali estão, sentadas, rezando, certamente sem dúvidas quanto à sua Fé, gosto de não perceber o que sinto, gosto de me sentir agradecida e agradecer, gosto de pedir pelos meus sem saber a quem peço, gosto de não saber explicar estas minhas contradições e de me aceitar como sou.

A Sé de Lisboa. De uma beleza absoluta, a Sé.

Não sei fotografar espaços de grande dimensão -- em particular, edifícios religiosos. Não quero usar flash, não quero fazer barulho, não quero andar num lugar destes armada em fotógrafa acidental, insensível ao mistério do lugar. Por isso, procuro recantos em que não perturbe, em que tenha alguma luz coada, ângulos que não distorçam demais a geometria. Conclusão: o resultado nunca é famoso.

Mas, ainda assim, partilho convosco pois pode acontecer que não tenham a oportunidade de vir conhecer ao vivo. E espero que consigam intuir a beleza do lugar.










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Handel - Sonata Nº 4 para Violino (Adagio)
Maxim Vengerov, violino; Vag Papian, piano


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E saibam que, descendo, poderão encontra mais seis Postais Ilustrados de Lisboa.

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