Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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quarta-feira, fevereiro 15, 2017

Num registo confessional, crónica do meu Dia de S. Valentim




Por uma questão de honestidade intelectual devo fazer algumas confissões relativas ao meu dia de S. Valentim.

Se eu percorrer as revistas da especialidade encontro receitas afrodisíacas, lingerie tentadora, filmes inspiradores, livros à maneira, especiarias que atam mais forte do que reza, músicas que não falham.

Pois bem. Deve ser porque me tenho portado mal, a mim não me calhou nada disso.

Almocei um robalo desprovido de qualquer sentido de romance, não lhe detectei especiaria de qualquer espécie muito menos afrodisíaca, não fui ao cinema, ninguém me ofereceu um presentinho que fosse.
Minto, ofereceram-me uma caneta que não é bem caneta e que também não foi bem presente e todos os que estavam à volta da mesa a receberam. Não conta, portanto.
E a lingerie que usei não foi nada do que vi recomendado. Explico-me.

Não gosto de cuecas deste género, parecem-me muito à avózinha
Também não gosto de soutiens de cós alto

Pode parecer muito sexy mas os cinto-ligas já são como o rolo da máquina fotográfica: já eram
Há meias lindas com liga de renda aderente

Mas nem eu, nem ele. Se fosse um homem adaptado aos tempos modernos, há pouco, quando se despiu, teria feito uma declaração de amor verdadeiramente sentimental. Mas não. Incapaz de uma manifestação valentina. Como costuma ler isto, aqui lhe deixo este remoque. Para o ano a ver se se lembra de demonstrar o seu amor de uma forma convincente. Aqui fica um exemplo.


Portanto, já estão a ver. O São Valentim, este ano, não mexeu comigo. Estava a pensar se tinha acontecido algo de verdadeiramente amoroso no meu dia mas só me lembro de o meu marido ter ido comprar cápsulas de Nespresso e de, por acaso, ter um queixo parecido com o do Clooney.
Bolas, agora fui confirmar e o Clooney não tem covinha, tem é uma batatinha. E agora estou a ver que, no outro dia, cometi uma gaffe. De manhã, recebi uma mensagem a dizer que o bebé tem covinha no queixo e a perguntar se o avô tem, para ver a quem sai o bebé. Respondi que não sabia, logo via quando estivesse com ele, que o Brad Pitt e o Clooney tinham, isso eu sabia, agora do queixo do avô da criança não estava certa. A mãe respondeu que o pai já andava a achar estranho que o bebé à nascença parecesse chinês, no dia seguinte russo e que, se ao terceiro dia se parecesse com o Clooney, capaz de começar a não achar muita graça.
Quando reencontrei o dito avô, agarrei-lhe o queixo para o inspeccionar de perto. Ficou admirado, 'o que é isso?'. Expliquei-lhe que tinha que perceber, debaixo da barba, se tinha uma reentrância. E tem, sim senhor. Mas, portanto, se não tem queixo parecido com o Clooney, aquilo de ter ido comprar cápsulas de café já não pontua como facto afrodisíaco.


Tirando isso, acho que nada que encaixe no merchandising do Dia dos Namorados. Nada com corações, hearts ou coeurs, nada a pingar amor, nada de beijinhos retintins com bombonzinhos buonzinzins, lacinhos e dulcelins. Nadica.

De resto, também não sou de tipo namoradinha e não é porque seja contemporânea da Mata Hari -- que todas as idades são boas para se ser namoradeira, não é por ser pentavó que já não podia ser namoradinha-inha. É mais porque o meu género é outro.

Mas não me gabo disso. Tenho este lado muito racional, muito anti-metafísica -- e isto não sei se é bom. Capaz de, se fosse mais aluada (no bem sentido), mais froufrou, capaz até de, se tivesse vontade de me filiar no facebook e espalhar likes como quem espalha amor, capaz de, se conseguisse ser mais dada às ondas, se me alinhasse mais com as trends, os insta e os hashtags, tivesse aqui alguma coisa de jeito a reportar. Assim, só tenho coisas que não têm nada a ver ou de que não posso falar.

E mais. Já que estou nesta de registo confessional, ficam já a saber que há bocado comprei peras abacates e que estou decidida a fazer dieta para perder estes três ou quatro quilos que sei bem que tenho aqui a mais, e dizem que a pera abacate é do melhor que há. E, para o ano, no Dia dos Namorados, vou vestir-me aqui como a Gigi, coração ao peito, quiçá até ossinho da clavícula a pedir um chochinho, penas poéticas a la tête, véuzinho todo religioso, lábios completamente en rouge. A ver se não vai ser um fartote de sweet happennings. Me aguardem.


.....

Até já, meus amores.

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2 comentários:

Maria disse...

E para quem for alérgica ao silicone?
ai a minha vida
eheheheh

GG

Pôr do Sol disse...

- Bom Dia!
- Bom Dia, dormiste bem?
- Huuumm... não me lembro, que dia é hoje?
- Hoje é dia de S.Valentim,Dia..
- Temos alguma alguma coisa marcada?
- ... dos Namorados
- mais um dia inventado pelos comerciantes para venderem flores e bombons
- pelo menos ajuda a mexer o comercio
- pois, são dias ditados pelo calendário comercial
- é uma achega,se o coração já não os dita...
- e em dia dos namorados, não temos um pequeno almoço diferente? Fizeste sumo?
- ah, homens...