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quarta-feira, setembro 21, 2016

Alô, alô Catarina Martins!
Pode fazer o favor de mandar a Mariana Mortágua estar calada e quieta...?!
Ah... é verdade...
Alô, alô António Costa! E já agora, a bem do País, pode demarcar-se, de forma clara e inequívoca, das incendiárias palavras da menina Mortágua?
Agradecemos!


Pronto. Não queria falar nisto. Mas ela não se cala. Escreve, responde. Por todo o lado se ouve comentar sobre isto. Portanto, vou mesmo falar.

O que a Mariana Mortágua disse, de todas as vezes que falou, foi estúpido até à 5ª casa. Estúpido, estúpido. O que ela disse não se diz. O que ela disse foi lançar uma acha para a fogueira em que a direita está sempre pronta para queimar a esquerda, foi lançar a desconfiança nos aforradores, gente que trabalha e que receia ver as suas poupanças devassadas, que acha um ultraje ter que prestar contas por uma vida de poupança. E, igualmente grave, foi lançar a instabilidade junto de investidores no sector imobiliário.




E é tão mais estúpido quanto a poupança é tão fundamental para assegurar a estabilidade do sistema financeiro e quando o investimento, nomeadamente o estrangeiro, é tão indispensável à reactivação da economia.

O que Mariana Mortágua disse é tão - mas tão estúpido - que não apenas dá argumentos de mão beijada à direita como deixa o eleitorado do PS (e até o do PCP) desagradado, indisposto, inquieto.

Podem umas quantas pessoas mal informadas, ou que reagem por impulso sem avaliarem as consequências de palavras incendiárias, achar que uma Robin Wood assertiva é mesmo o que a sociedade portuguesa precisa. Mas não passam de meia dúzia.  

É que o que Mariana Mortágua disse de todas as vezes que falou, reagiu ou escreveu artigos de resposta (a Rui Moreira) é tão estúpido que não resiste a uma análise de dois minutos.

Quando Mariana Mortágua, a propósito do fisco poder ter acesso a todas as contas acima de 50.000 euros, pergunta qual o mal, afirmando que quem não deve não teme - está a abrir a porta a toda a especie de desrespeitos dos mais básicos à liberdade e à privacidade dos cidadãos. A partir daí, com esse argumento, como travar o raciocínio da menina Mortágua quando ela resolver que -- para ver se as pessoas, assustadas, não tiraram o dinheiro do banco e o esconderam no colchão -- haverá autorização para que a polícia ou brigadas populares possam entrar pela casa das pessoas fazer buscas? Perguntará com aquele seu ar desafiante: qual o mal? quem não deve, não teme! 


E, quando decreta que é preciso ir buscar onde há e que há que perder a vergonha de o fazer. perceberá a menina Mortágua que, a esta hora, já muita gente está a pensar onde esconder o dinheiro para que as poupanças de uma vida não sejam desviadas para onde a cavalheira o entender?

Caraças. Se eu sou contra a exploração do trabalho, se eu sou contra a 'optimização fiscal' que permite toda a espécie de esquemas para que quem vive de facto à rica poucos impostos pague (porque, por exemplo, os bens estão em nome de empresas e as sedes das empresas estão aqui e ali)...!

Se eu sou contra!

Mas combater a fraude e a evasão fiscal não é assim que se faz! Não é. Só gente muito inexperiente, muito totó e muito estúpida é que faz o que Mariana Mortágua fez.

Os danos que Mariana Mortágua causou na credibilidade deste governo são maiores do que tudo o que a oposição fez. 

Votei PS e toda a gente que aqui me lê sabe a energia que sempre coloquei no ataque a Passos Coelho, Paulo Portas, Cavaco e gente dessa.

Mas daqui o afirmo para quem o quiser ouvir: com igual firmeza combaterei este Governo se não se demarcar deste amadorismo populista que, inevitavelmente, arrastará o eleitorado para a direita e abrirá a porta a toda a espécie de populismos e que, num instante, arrasará a boa imagem de estabilidade e responsabilidade da governação portuguesa.

Catarina Martins tem que mandar a Mortágua estar calada e quieta (e apelo a Catarina Martins porque admito que no BE haja uma hierarquia e que a pessoa que mais manda possa mandar que os outros parem de causar danos na credibilidade do partido e das causas que dizem defender). 


E António Costa tem que se afirmar como Primeiro-Ministro de um governo inteligente, respeitador, que defenda o desenvolvimento e combata a pobreza, a fraude e a corrupção sem atentar contra a estabilidade da confiança dos aforradores, dos investidores - e da população em geral. E, como tal, tem que se entender com a Catarina Martins para ver qual a melhor maneira de anularem a bagunça que a Mortágua causou e mitigar os danos que causou. E, caraças, tem que se afirmar como líder de um governo socialista (não um governo de uma qualquer república das bananas em que qualquer populista pode armar a baderna que quiser). Será pedir muito?! Caraças.


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Horas depois de ter escrito o que leram acima, acabo de ver, no noticiário, que Costa ontem já tentou estancar a verborreia mortaguiana e que a dita já passou num corredor sem falar. Que ela se cale já é bom, Preciso é que deixe também de se manifestar por escrito sobre um assunto destes, Sobretudo porque, quando opinou, o fez não numa perspectiva teórica mas como se pusesse e dispusesse a seu bel-prazer sobre a matéria. E Costa tem que falar mais -- e dar provas concretas -- de que está apostado em fazer crescer a economia em vez de andar a ver onde pode caçar mais impostos. Uma política assente na colecta e não no crescimento nunca deu bons frutos.

....

E tenham, meus Caros Leitores, um belo dia.

......

10 comentários:

bea disse...

E eu que até gosto dela! Ora bolas. Espero bem que o governo pense no que isto tudo pode dar. É gente demais a falar. E gente muito nova a quem falta visão global. Nada disso seria mau se não fosse dito para o público. Mas é. Concordo, foi uma ajuda â direita.

Antonio Lourenço disse...

Eu não acho que o que disse seja assim tão grave que leve a uma reacção destas Combater um governo de esquerda para repor um governo de direita? desculpe lá mas isso não é ser de esquerda talvez esquerda caviar. LOl

António Lourenço disse...

Desculpe o incómodo, mas já agora e neste tópico aconselho a ler o Blog Vai e Vem de Estrela Serrano só para aclarar algumas dúvidas. Também acha que ter património de segunda habitação no valor de 500 mil euros ou 1 milhão é classe média? Afinal este país é muito rico e ordenados de 600 euros são uma miragem.

Anónimo disse...

já vi muita história e argumentação para calar a Mortágua! Agora esta, pseudo apoiante da senhora, enfatizando estratégias coxas, é que é nova. deve ser inspirada nos Pachecos da nossa praça.

Ana Paula disse...

Porquê?

P. disse...

Cara UJM, sinceramente acho que se está a fazer um ruído exagerado por tão pouca palha. Ao contrário de muitos que se mostram escandalizados, não fiquei minimamente preocupado com as declarações de Mariana Mortágua, que aliás já foram devidamente clarificadas, quer pelo líder parlamentar do BE, quer por responsáveis do Governo, como Pedro Nuno Santos. Não vejo razões para alarme na nossa economia, ou para quem queira investir e continuar a poupar neste rectângulo à beira-mar plantado. Foi mais uma manobra de distração da Direita para que os holofotes da crítica se desviassem de outras questões como por exemplo “o dito por não dito (não sou de voltar com a palavra atrás) ”de Passos Coelho sobre a apresentação do livro porno-jornalístico do JAS, ou até desse juiz justiceiro, que a Direita estima (já há uma petição a favor do homem!), o mesmo que, avivando a memória, ilibou o CDS no caso dos sobreiros, ilibou igualmente Oliveira e Costa e os outros amigos de Cavaco no caso BPN e ficou famoso por não ser capaz de investigar e levar a julgamento os responsáveis do BPN. Que interrogou Salgado, notificando-o na sua casa e deixando-o sair, em algumas horas de interrogatório, com uma caução daquelas para “inglês ver” (tendo em conta o património do indivíduo) e, naturalmente, ainda não prendeu ninguém do BES, ninguém dos submarinos, etc. Tudo o que investiga, curiosamente, passa, depois, para o Sol e para o Correio da Manhã (e não inquiriu Felícia Cabrita para lhe perguntar o que quer que seja, com base no indicio de fuga no segredo de justiça, por exemplo). Voltando a Mortágua, convém não esquecer (e aqui cito o Expresso) que segundo Raquel Albuquerque, no seu estudo “Desigualdade do Rendimento e Pobreza em Portugal: 2009-2014” o rendimento dos 5% de portugueses mais ricos é 19 vezes maior que os dos 5% mais pobres. E como estamos nós na Europa? Em média, houve um agravamento de 0,4 pontos na União Europeia - em Portugal, foi de 0,8 pontos. Por outro lado, todos sabemos que quando o Capital quer fugir aos impostos, ou colocar os seus milhões a salvo em off-shores fá-lo, independentemente das políticas prosseguidas pelos governos. Procura sim é quem o incomode menos, em termos fiscais. Soares da Costa era apoiante da política económico-financeira do governo dos tratantes Passos/Portas, mas nem por isso deixou de deslocalizar a sede da sus empresa para a Holanda por razões fiscais. O mesmo fizeram muitos outros, como os banqueiros que deixaram falir os bancos, que nós, contribuintes, somos hoje obrigados a recuperar. Por mim, sou a favor de uma nova política fiscal, que ainda não foi tentada, por falta de coragem política, que seja verdadeiramente progressiva e obrigue quem tem muito a pagar muito mais, aliviando a carga de quem aufere menos. Hoje, a proporção para quem ganha acima de 5 mil euros é semelhante a quem vence milhões anualmente. Por mim, ia mesmo mais longe, impondo impostos nos ganhos através da Bolsa. Todo o ganho especulativo deve igualmente ser taxado – e bem. Sabe que na Suécia (pelo menos até há algum tempo) se alguém jardinar na sua casa paga imposto sobre essa actividade, pela simples razão de que desse modo impede que outra pessoa possa fazer esse trabalho por ele e nesse sentido receber um pagamento por tal desempenho? Em resumo, voltando ao início, o sistema financeiro continuará estável e o investimento, nacional ou estrangeiro não deixará de se fazer por causa do que a Deputada do BE disse. E faço votos para que quem ganhe, por exemplo, 10 milhões passe a pagar ao Fisco 65% desse valor e que quem apenas recebe 600 euros, pague só 5% do seu salário, por exemplo. Quanto à dita Classe Média, que a Direita diz defender, não tem esses rendimentos, nem esses imóveis. Dormirá descansada, como eu. E espero que entidades como a Igreja, escolas privadas, Partidos Políticos, entre outras, passem a pagar impostos como toda as pessoas, singulares ou colectivas. Boa semana para si!
P.Rufino


Fernando Ribeiro disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anónimo disse...

UJM,

Mais uma vez agradeço as simpáticas palavras que deixou no outro post. Pode crer que também espero que continue a ter muito sucesso! Imagino-a como uma gestora "badass", que não papa grupos! Mas que sabe tratar bem aqueles com quem trabalha.

Eu até compreendo esta estratégia política do Bloco de querer antecipar-se ao governo neste tipo de anúncio, não só para colher os louros, mas também para poder "entalá-lo", anunciando uma medida e, com isso, tornar mais difícil não ir para a frente com ela, uma vez que já se criou a expetativa de que irá mesmo avançar. É certo que a Mariana Mortágua sempre me pareceu um bocadinho, como hei de dizer, arrogante, com a mania que é dona da verdade (mesmo nas comissões parlamentares de inquérito), e acho que a lealdade e o espírito de cooperação devida aos outros membros da "geringonça" aconselhava a que fosse o governo a anunciar estas medidas. Mas concordo com o P. Rufino: não me parece que, por isto, caia o cabo e a trindade. É jogo político.

Quanto ao imposto, para além do que já tinha escrito no outro post, há um facto que é inegável: o património só não é mais tributado, porque é muito mais difícil tributar património do que rendimento e consumo. Quem tem património - independentemente das conversas moralistas sobre o quanto se terá trabalhado para a acumular (e os que herdaram, por exemplo? Agora que já nem há imposto sucessório, precisamente porque não se conseguia aplica-lo na prática...) e do facto de o património ser, no fundo, rendimentos acumulados (sobre os quais já incidiram impostos, portanto)- deve contribuir com mais impostos do que quem não tem, sobretudo em situações de emergência financeira para o Estado e o país em geral. Disto estou completamente convencida. Uma coisa de que estou farta, é de ter pena dos ricos! Estão sempre na televisão a queixarem-se porque pagam imposto disto e daquilo (estou-me a lembrar do Lobo Xavier, por exemplo). Esquecendo-se que, no nosso país, a classe média, vendo bem, não é classe média nenhuma, é pobre. Porque quem ganha mil euros por mês, com filhos, com passe para pagar, com renda, água, luz, gás, não consegue "acumular riqueza". Dito isto, só não se tributa o património mobiliário, porque, esse sim, é impossível. Quem é que vai andar atrás de peças de arte, jóias, etc.? É normal que o único património tributado acabe por ser sempre o imobiliário.

Outra questão, de que não ouço ninguém falar: tem-se dito muito que, apesar do "alívio da austeridade", com a reposição de salários e pensões, tem provado não estar a resultar, porque a economia não cresce. Pelo contrário, está a desacelerar. O remédio, portanto, não poderia ser esse, deliciam-se os de direita. Estar-se-ia a pôr em perigo os objetivos para o défice, etc., etc., com esta política infrutífera de alívio da austeridade. Bem, aquilo que me parece é que o alívio não tem sido tão grande quanto isso, se é que se pode verdadeiramente dizer que terá algum significado nos bolsos das pessoas. Porquê? A razão é simples: aumentaram as percentagens de retenção na fonte. A minha mãe é funcionária pública professora e, de facto, o salário dela recuperou de maneira significativa, mas o que ela recebe no fim do mês é praticamente o mesmo, porque está a haver mais retenção na fonte. É claro que o que for retido a mais, será reembolsado pelo fisco (isto e não é tão claro quanto isso: para as pessoas insolventes, só 1/3 do salário líquido é penhorado, mas o reembolso é penhorado na totalidade, ou seja, em vez de perder todo o reembolso de IRS, a pessoa insolvente poderia ficar com 2/3 desse valor, repartidos ao longo dos meses do ano... parece-me que há aqui, claramente, uma vantagem ilegítima do credor, que não é tida em conta pelos tribunais). Mas essa devolução ocorre uma vez por ano, sendo que, até lá, durante o ano, as pessoas dispõem de menos rendimento mensal.

Isto acabou por voltar a ficar um testamento, UJM! Espero que não tenha escrito apenas barbaridades.

JV

Abraham Chevrolet disse...

O BE já está no Governo? Eu não sabia! Se não está,a Mortágua pode dizer o que diz lá no partido dela,ou não? Compromete-se a ela e ao Bloco! Se quiserem, apoiam o orçamento que aí vem.E mais paleio é fazer fretes â direita burra, Que anda tola,desvairada,com os pés desfeitos dos próprios tiros. Essa canalha ressabiada não presta nem para atacadores. E quem é de esquerda é sereno:já os derrotamos tantas vezes... a direita inteligente tem o Presidente da República! Não se notará a diferença entre Marcelo e a caceteiragem? Arre mundo!

FIRME disse...

QUE NINGUÉM CALE A JÁ NOSSA "MARIANITA"...Desculpe UJM !