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domingo, maio 01, 2016

Uber versus Taxi
- e os senhores do Eixo do Mal





Começo por confessar: é raro usar táxi. Pelos condicionalismos da minha vida, sobretudo da minha vida profissional, raramente uso transportes públicos, incluindo táxis.

Pela mesma razão, também nunca recorri à Uber. 

Contudo, de todas as vezes que usei táxi nunca me senti incomodada. Já aconteceu as viaturas serem antigas e pensar que a vida dos taxistas não deve ser fácil pelo que trocar de carro deve ser investimento dificilmente acessível. Pode ter acontecido os taxistas não serem um modelo de delicadeza mas isso aconteceu com taxistas, com lojistas, com professores, com médicos, com gestores. Por exemplo, ao ouvir, neste momento, os senhores do Eixo do Mal, sinto-me incomodada com a arrogância e as generalizações pedantes e forçosamente incorrectas de Clara Ferreira Alves e Luís Pedro Nunes. Se tivesse que fazer uma viagem e soubesse que algum destes ia no mesmo carro que eu, faria tudo para o evitar. Entre um taxista humilde que pode usar um português gramaticalmente menos escorreito e a pesporrência insuportável da Sra. Dra. Clara ou o emproamento bacoco do dito Luís Pedro, claro que eu preferia mil vezes um taxista.


Nem nunca achei que os taxistas portugueses eram piores em Portugal do que nos outros países. Em França, por exemplo, já apanhei com cada mal disposto... E pode um ou outro tentar receber mais do que deve. Comigo nunca aconteceu mas admito que sim. Não há profissões onde 100% dos seus praticantes sejam um poço de virtudes. Excepções há em todas as categorias profissionais. Mas criticar um ou outro que pisa o risco, não dá o direito de arrasar toda a classe.

Devo ainda dizer que sinto alguma simpatia pelos taxistas que se sujeitam a riscos, que pagam impostos, que estão sujeitos a regulamentação, que trabalham fora de horas, que têm que lidar com tanta e tão diferente gente -- e, provavelmente, para conseguirem um magro pecúlio mensal. 

Nada me move contra a Uber e admito que são tendências que estão aí para ficar. Mas deveriam ser tão regulamentadas como as que já operam no mesmo sector. Da mesma forma que quem aluga as suas casas para o turismo deveria estar sujeito às mesmas exigências de segurança, higiene e fiscais que os estabelecimentos do género, também os senhores da Uber deveriam estar sujeitos a todo os condicionalismos que regulam a actividade dos taxistas.

Mas o que me aborrece mesmo é ver estes pedantezecos, estes senhoritos que, com sorriso superior e verbo ágil, não se importam de denegrir de forma generalizada os profissionais honestos e humildes que, por algum motivo, ficam na mó de baixo. São os marialvazecos e os cagões (de ambos os sexos) que são um perigo para um país: por meia dúzia de moedas, por um microfone à frente da boca, por meia dúzia de likes, para cavalgarem a onda da moda, por sabe-se lá que vã glória, não se importam de pisar em cima dos mais humildes, em especial de quem tem menos facilidade em defender-se. Uma tristeza.

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Nota de rodapé

Volta e meia gosto de renovar a decoração, o corte de cabelo, o aspecto do blogue. Hoje foi dia. Estava farta da capuchinho vermelho, queria outra coisa, apetecia-me algo. A questão é que, na escolha da fotografia que gosto de ter a encimar o Um Jeito Manso, e que gosto que sejam mulheres que tenham a ver comigo, isto é, mansinhas, me distraio com as horas. Mudei o blog mas espatifei-me nas horas.

Tinha aqui umas fotografias das florzinhas do campo -- tão bem que se está in heaven, o ar perfumadíssimo -- e, com isto, agora já é tarde. Se eu pudesse ficar a dormir até às tantas, ainda partia para essa faena mas, como tenho que estar a pé a horas decentes, tenho que me ficar por aqui. E, uma vez mais nem consigo responder a comentários, nem a mails nem participar na tertúlia anedoteira que em posts mais abaixo se formou.

A ver se amanhã, de dia, consigo mostrar-vos como é tão acolhedora a natureza na qual estou mergulhada. (Digo assim que soa melhor e omito a parte do matagal, credo, que a erva e o mato estão com uma pujança...)

Mostro só a robínia carregada de lindos cachos brancos que se vê da sala
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E já é Dia da Mãe -- mas isso a mim não me diz grande coisa porque sou mãe todos os dias (ainda este sábado estive com o pessoal todo, uma animação que é um gosto) e também sou filha todos os dias (e vou estar com a minha mãe este domingo mas é porque estou com eles todos os fins de semana) -- e também é 1º de Maio e, a esta hora e já cheia de sono, o que tenho a dizer é que tenho pena que tenha calhado a um domingo. 


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Caso vos apeteça espairecer, queiram, por favor, deslizar até aos graffitis de Setúbal, arte de rua da melhor do mundo, o rapaz dos pássaros e a menina das borboletas.


6 comentários:

Carlos Azevedo disse...

Venha a meus braços! :-) Um abraço.

Um Jeito Manso disse...

Olá, Carlos, boa noite,

Já li o que escreveu e é isso mesmo. Pobres dos que caem em desgraça junto destes arrogantezecos de meia tigela... Os taxistas são tratados por eles como se fossem uns meliantes que merecessem ser escorraçados da sociedade. Uma vergonha.

E daqui vai o abraço!

Tété disse...

Olá minha amiga! Não consigo entender muito bem tanta guerra a não ser no que diz respeito à desigualdade de tratamento fiscal entre os taxistas e a Uber. E é só.
Em Portugal tivemos durante muitos anos monopólios: eletricidade, telefones, águas e muitos mais serviços e nunca ninguém se lembra disso agora que temos x operadoras de telefones, y de eletricidade, etc, que nos zurzem os ouvidos diariamente para que mudemos entre eles.
Por outro lado e quanto à educação dos taxistas, há para todos os gostos. Devo dizer-lhe que o filho de uma amiga e ex colega de trabalho, que é mais ou menos da idade do meu filho e que se licenciou em Gestão, com os problemas de desemprego que todos conhecemos, optou por arranjar um taxi e já há alguns anos que fez disso a sua profissão. É desmotivante para quem trabalhou e sonhou outro futuro, mas é com dignidade que encarou a nova forma de gerir o seu orçamento de modo a poder dar à mulher e às filhas uma vida capaz.
Será que não vamos ter sossego nunca mais?
Beijinhos e abraços

Bettencourt de Lima disse...

É suposto que as pessoas no mesmo ramo de actividade sejam sujeitas à mesma regulamentação.
Assim reza a ladainha do «mercado».
Quanto às intervenções de CFA elas resvalam entre elevada qualidade e a pura estultícia, o que revela flutuações de humor curiosas.

Rosa Pinto disse...

Concordo.
Bom dia do trabalhador.
Aiopá - que foto ousada!!!!

e já agora...

Um espião alentejano foi em missão secreta para Lisboa. Lá chegado, decide apanhar um táxi. Ao entrar no táxi, pergunta o taxista:
- Para onde vai?
E responde o alentejano:
- Isso jamais saberás!

Mjlcvpt disse...

O objetivo deste questionário, é avaliar a qualidade, a satisfação e as necessidades do serviço prestado e a prestar, na Atividade de Transporte Público de Aluguer em Veículos Automóveis Ligeiros de Passageiros.

Para tal, a sua opinião é importante.

Ficaríamos muito gratos se a pudesse partilhar connosco.

→ https://mjlcvpt.typeform.com/to/wUaNsu

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