Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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quarta-feira, fevereiro 24, 2016

Passos Coelho e o láparo que não sai de dentro dele, Agostinho Caridade, o falso padre de Barcelos, o photoshop que correu mal, os bebés que parece que dançam kuduro
-- um post dedicado a falsidades, imitações, erros de casting e outros


Para quem aterrou agora aqui e ainda não ouviu a dupla de sucesso Mozart & Salieri ou não viu ideias para bibliotecas domésticas e para quem ainda não deu de caras com a minha fúria contra os papagaios avençados que opinam agora como se fossem especialistas em finanças públicas  e como se o Orçamento fosse a nova Bíblia, a nova Constituição, os novos Lusíadas, a nova tabuada, o alfa e o ómega de tudo quanto mexe - então informo que, querendo, podem, através dos links, saltar já para lá.

É que aqui, agora, a conversa não vai ser meiga. Eu bem queria destilar mel, fazer olhinhos marotos, dizer lol lol e outras doçuras blogosféricas. Mas a televisão não me deixa. É certo que podia levantar-me e ir buscar o comando mas, ó caraças, uma avózinha depois de um dia de trabalho não merecia ser poupada? Francamente.

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Vamos lá.



Anda por aí um tal que se fez passar por primeiro-ministro durante 4 anos. Conseguiu enganar muita gente, mais pela voz bem colocada e por ser alto e ter boa figura do que pelo que disse ou fez. Durante esses 4 anos revelou completa inaptidão para governar o país, o que não é de admirar já que nunca, antes, tinha governado o que quer que fosse na vida. Os espertos de sempre, que dispõem de olheiros, logo sinalizaram a criatura e passaram a informação aos mandantes. Portanto, com ele a fazer de primeiro-ministro, foi fácil conseguir que as grandes empresas do país, incluindo as estratégicas, fossem passadas a patacos, foi fácil que as firmas de advogados e de assessoria tivessem tido trabalho com fartura e, ainda por cima, trabalho fácil e bem remunerado. Foi também fácil pô-lo a papaguear a argumentação que permitisse suprimir rendimento às pessoas para que, com essas verbas, se pagassem juros e dívidas velhas (por substituição de dívidas novas). E igualmente fácil foi pô-lo a insultar os portugueses, a assustar os mais velhos e a incentivar os mais jovens e melhor preparados a saírem do país.

Agora a aventesma foi finalmente afastada do poder mas, os que lá o mantiveram durante aqueles desgraçados anos e dele se aproveitaram, continuam a mantê-lo vivo. A comunicação social continua a dar-lhe palco de primeiro plano. Os noticiários mais ouvidos têm-no em permanência. Com a sua voz bem colocada e a sua alta figura, continua a falar com convicção, parecendo que sabe do que fala. Pode dizer uma coisa e, acto contínuo, o seu contrário. Diz-se e desdiz-se, jura nunca ter feito o que passou anos a fazer, critica nos outros não o que os outros fazem mas o que ele fez durante anos. É destituído de ética. Ou, então, é destituído de princípios. Mais do que imorais, as suas atitudes são amorais, estranhamente destituídas de qualquer laivo de moralidade. Situa-se num patamar diferente daquele em que se situam as pessoas equilibradas, bem formadas, minimamente inteligentes. Não tem vergonha ou não tem memória ou não tem medo de ser desmascarado, gozado, corrido de cena como um vulgar trambiqueiro. 

Uma pessoa assim destrói a credibilidade dos políticos, dos partidos, dos sistemas democráticos.

Manter uma pessoa destas à frente de um partido pode parecer inofensivo, mas não é. Mina a confiança das pessoas que gostam de ter à frente das instituições pessoas correctas, honradas. Pode parecer que agrada aos seus correligionários mas não, agrada apenas aos da sua laia, e que, felizmente, fazem muito barulho e parecem omnipresentes mas são poucos. 

Uma pessoa assim é uma erva infestante, é um parasita que infecta aqueles em que se aloja.

Ele pode querer tirar o láparo que há nele mas a cada palavra que profere, a cada esgar, se vê que o láparo lá está, o pêlo a sair-lhe pelas unhas, servil perante os mercados, ajoelhado perante a Alemanha, de gatas perante Bruxelas, insidioso perante os portugueses.

E enquanto o seu partido não o relegar para o lado omisso da história e a comunicação social não se envergonhar de dar palco a tão desqualificada criatura, Portugal não vai conseguir respirar ar puro.

A bem da democracia, da liberdade de escolha e da soberania, era bom que o PSD e a comunicação social acordassem e optassem também pelo bem do seu país.

Durante algum tempo Agostinho Caridade, de 42 anos, celebrou missas, enganou os fiéis, fazendo-se passar por padre. Está agora a ser julgado. Durante o tempo em que assim agiu, o falso padre de Barcelos roubou peças valiosas. Agora, pelo menos, mostra-se arrependido.

Será que alguma vez vamos ver o falso ex-primeiro-ministro Passos Coelho arrependido por ter enganado os portugueses e ter proporcionado o roubo de rendimentos, o roubo de soberania? Não sei. O ex-falso padre diz que agiu assim para fazer face às dívidas do jogo. E, digo eu, se calhar viu que era fácil enganar tanta gente. Não sei qual a motivação de Passos Coelho mas, provavelmente, às tantas passou a fazê-lo também por ser fácil. 

E, pelo que se vê com o lindo espectáculo dado pela comunicação social, continua a ser-lhe fácil. Dão-lhe palco, retocam-no, tentam fazê-lo parecer respeitável.
Ele, contudo, não sendo capaz de esconder o láparo que vive dentro dele, diz coisas inconcebíveis (que António Costa ajoelha perante a Europa, que não sei quem é pirómano, e o Montenegro-voz-do-dono logo vem dizer que o Orçamento é bipolar e outras vacuidades que tais). Olha-se para a criatura alaparada e o que se vê é um descuidado exercício de photoshop: nada ali bate certo, é tudo falso. Um desastre.

Passos Coelho é como esta menina: ainda quer parecer um primeiro-ministro, agora todo prosa, todo anti-carga-fiscal, todo anti-bruxelas, todo rescendendo a social-democracia. 

Mas olha-se e não apenas se vê o láparo a sair-lhe pelas unhas como nada nele é coisa própria de um primeiro-ministro. A comunicação social bem tenta, mas a verdade é que não têm sorte nenhuma. Passos Coelho é um erro de casting em forma de gente, tudo o que ele faz ou diz está errado. 

Olha-se para ele e parece que ainda tem a mão de Schäuble no ombro, uma madeixa de cabelo da Merkel a sobrevoar-lhe a cabeça, o espírito do João Duque a esvair-se-lhe da perna, a maluquice do Maçães a derreter-se-lhe na mão, as inverdades da Albuquerca a reluzir-lhe no olho, a devoção do Cavaco a fazer-lhe subir o umbigo barriga acima, o apoio dos inteligentes Hugo Soares e Duarte Marques a desequibrar-lhe a linha do mar. Só cenas.


(Já agora: para quem quiser confirmar os erros de photoshop da fotografia, clique aqui)

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Até pode parecer que as crianças aqui abaixo fazem mesmo tudo o que aqui se vê: mas é tudo montagem, tudo treta. É o mesmo que aquilo a que estamos a assistir com Passos Coelho: põem-no a fazer de conta que foi um primeiro-ministro responsável mas, hélas, apesar da figura escorreita e da voz bem colocada, basta olhar com um pouco de atenção para aquela pobre construção se desmoronar toda. Passos Coelho é, sempre foi e sempre será o Pedro que abre portas (e oh se ele as abriu nos últimos 4 anos: foi um fartar vilanagem; quem quis, entrou e serviu-se).

Kuduro 


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E permitam que volte a recordar-vos: se descerem por aí abaixo encontrarão, já a seguir, um post sem láparos ou outros tretalhões: apenas bibliotecas, decorações e, pasme-se, uma obra Mozart e Salieri. Mais abaixo volto à catanada (Não há vida para além do orçamento?) que, por muito pacifista que uma pessoa queira ser, estão sempre a desafiar o nosso bom feitio.

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4 comentários:

Anónimo disse...

Hoje, no regresso a casa, ao fim da tarde, ouvi num canal da rádio o final do debate sobre o OE na A.R, apanhando uma boa parte do discurso de Passos e depois a resposta do governo, a encerrar, por Eduardo Cabrita. Passos é claramente o passado, um passado que nos deixou um caderno de encargos lamentável, quer no plano económico, quer social. Passos que já não goza do apoio viscoso de Portas, em turismo pela América Latina. Passos, se não fosse um patife político, era de se ter pena dele. Assim, tem-se asco. Já Cabrita esteve bem. Aqueles 10 pontos que enumerou, deu para perceber a diferença entre um governo, como no passado recente, que preferia atacar os mais fragilizados socialmente e beneficiar os mais ricos e um governo que apesar das limitações, em boa parte via UE, Eurogrupo, Troika, Mercados, etc, optou por aliviar quem até agora tinha pagado uma factura pesada por esta austeridade. Sem ter culpa dessa situação.
P.Rufino
PS: leio, entretanto, o espectáculo que o próximo PR se prepara para nos servir, por ocasião da sua tomada de posse, com uma caricata iniciativa a modos que religiosa, metendo uma Mesquita à mistura, esquecendo-se, sobretudo no seu caso como constitucionalista, que o Portugal de hoje é um Estado laico. Segundo o “Inimigo Público”, Marcelo poderá vir a adoptar o cognome de, se não erro, “Presidente Francisco”. Não me admiraria nada!

Anónimo disse...

tem duas das principais características dos psicopatas: ausência de remorso e de empatia
GG

Anónimo disse...

https://psicologado.com/atuacao/psicologia-juridica/psicopatia-conceito-avaliacao-e-perspectivas-de-tratamento

GG

Anónimo disse...

Tal e qual!