Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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sábado, janeiro 16, 2016

Vocês desculpem lá... mas podem esclarecer-me? O Comentador Marcelo ganhou a Quinta das Celebridades ou o Desafio Final e agora anda a fazer presenças? Ou está a decorrer algum programa de tipo Big Brother, com as câmaras de televisão a segui-lo 24 horas por dia (uma coisa tipo Kardashians)? A sério, alguém me explica o que se está a passar?


Eu sei que não tenho acompanhado a campanha de perto, nem na televisão quanto mais ao vivo. Por isso, admito que, algures, possa ter perdido o fio à meada. A questão é que o que chega até mim, de forma avulsa e esparsa, não faz ponta de sentido.

Hoje estava no carro e, intercalando a Antena 2 -- que nos tem acompanhado --, passámos para a TSF. Passava os Tempos de Antena. (Ou não seria na TSF? Não sei). Sei é que apareceu o Marcelo, numa charla inqualificável, como se não andasse a candidatar-se ao cargo mais importante do País. Uma conversa mole, como se fosse um vizinho na palheta com outro. Depois a Marisa, sempre levando a sério o seu papel, bem. Também o Nóvoa, razoável mas um bocado cinzento, vago, aquilo acaba e a gente não se lembra bem do que ele disse. O momento mais absurdo chegou com o tempo de antena de Henrique Neto: um hino infantil em que uma miúda cantava 'Henri, henri, não sei quê, não sei que mais a ti'. O henri lido não à francesa mas à portuguesa, mas dito assim, sem a última sílaba, para rimar com 'ti'. Uma coisa mirabolante. Depois aparecia ele a falar, como se fosse um conservador, daqueles reaccionários que vai buscar um exemplo para generalizar. Uma coisa incomodativa. Também o tal Cândido Ferreira, uma vez mais, a aproveitar o tempo em que podia dizer ao que vem, com a explicação das razões que o levaram a não participar em debates. Absurdo. Do Tino não me lembro, se calhar mudámos de posto; mas não devia diferir muito do comentador Marcelo.

Há bocado, na televisão, de novo o Marcelo com as televisões atrás. Ridículo, ridículo. Só me faz lembrar o Zé Maria quando ganhou o Big Brother e, quando saía à rua, as pessoas iam cumprimentá-lo e as televisões a filmarem tudo, como se estivesse a acontecer alguma coisa que valesse a pena testemunhar.


Pode ser que Marcelo vença as eleições, pode ser que continue neste registo, a andar pelas farmácias, pelos lares de idosos, a passar a ferro, a comer croissants e a dizer banalidades.

Pode até ser que as televisões, para reduzirem custos, despeçam todos os jornalistas e contratem estagiários de qualquer coisa para andarem a tempo inteiro a filmarem o bizarro presidente da república. Pode até ser que, tendo deixado de perceber para que serve um Presidente da República, os portugueses, assim como assim, prefiram ter um parodiante em Belém - e que tê-lo a ele lá ou o Zé Maria ou o Tino, vá tudo dar no mesmo.

Pode ser isso tudo. Mas que isto é tudo de uma grande indigência lá isso é.

...

Fui à procura do hino do Hênrí
e descobri
e já me ri
(olha: até rimi). 

(Se calhar não eliminaram, na dicção, a última sílaba, se calhar limitaram-se a torná-la completamente muda. Ai, minha mãezinha. Ao que chegámos.)



...

Desejo-vos, meus Caros Leitores, um belo sábado.

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1 comentário:

The Hound of Time disse...


A subtileza das coisas tem muito que se lhe diga, é sempre ou quase um gesto de amizade, de amor pelo outro e digno do maior respeito, considerei, em relação a um comentário meu anterior, se a palavra regressão seria a mais apropriada no contexto da frase que usei, considerando que provavelmente a palavra que usei, não existia, ponderei o caso e não, ´Regredir´ é voltar atrás, ´de-evoluir´ é ter esquecido, ignorado, descartado, e intencionalmente desaprender, o que reflecte bem a dinâmica deste momento político.
Porque alguém escolheria tal caminho? Tenho algumas teorias, mas por aqui termino.
Tenha um bom dia Cara
M