Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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sábado, janeiro 16, 2016

Coisas que, às tantas, uma simples avozinha já não pode fazer


Bem. No post abaixo já pedi que alguém me explicasse o que é que se está a passar já que, em vez de informação normal própria de uma campanha eleitoral para as presidenciais, só me aparecem 'cenas' que mais se parecem com big brothers e fazer presenças e o escambau.

Mas isso é a seguir. Aqui, agora, vou falar de mim, dos meus problemas de saúde relacionados com a idade. Bem, não sei se isto de que vou falar encaixa na categoria de 'problemas de saúde' mas, à falta de taxinomia mais apurada, serve esta mesmo.

A questão é esta: dantes eu tinha uma maleabilidade corporal que só vista. Deitava-me de barriga para baixo, curvava-me toda e conseguia tocar com os pés na cabeça. E fazia ballet e as minhas pernas levantavam-se e curvavam-se de uma maneira que, depois, quando deixei de o fazer, me pareciam improváveis. Isto passou-se para aí até à minha adolescência.

Com o tempo, fui perdendo elasticidade. Mas tinha resistência. Podia caminhar de manhã à noite, dias a fio, sem me cansar. De cada vez que me apanhava num país desconhecido, palmilhava as suas ruas de lés a lés, dia após dia. Não me cansava nem um bocadinho, não me doíam pés, pernas, o que quer que fosse. Dava cabo era dos outros que me imploravam paz e descanso.

E carregar com coisas? Arrumar, varrer, lavar? Não havia pai para mim: uma força e uma energia que deixava os outros parvos. 

Pois. Isso foi numa outra era. Agora, oh meus amigos, onde é que isso já vai.

Bem, também não é bem assim, estou a exagerar, está a dar-me para a vitimização. Mas já vos explico porquê.

Como sabe quem por aqui costuma acompanhar-me, adoro andar: ando, ando, olho para tudo, fotografo, passeio - e nem pingo de cansaço. E mesmo trabalhar: trabalho, trabalho e onde os outros caem para o lado ou se esganam uns aos outros com stress, eu mantenho-me na minha, calma, fresca. Até há quem me diga com um certo tom de censura: 'ah, eu também gostava de ser assim, de não me ralar...'. Pois, fazer o quê? Cada um é como cada qual - não é o que se costuma dizer?

Mas infelizmente já há partes de mim que começam a acusar o desgaste.

Concretizo: desde o fim de semana passado que ando no laré. Antes de ir, quando me perguntavam se ia para fora, eu dizia que não, qual quê, férias-férias, para descansar mesmo. E era essa a minha intenção. Mas descansar, para mim, é sinal de bater perna, não de estar de perna estendida. Por isso, desde há dias que não faço outra coisa senão palmilhar montes e vales, aldeias e vilas, subir a rochas e rochedos. E tudo bem. Desde que me conheço que sou cabrita dos montes, assim é que estou bem. Dantes, quando era miúda, também adorava correr pelos campos, ir a voar pelas ladeiras abaixo, ter a sensação de que ia perder o controlo quando as descidas eram acentuadas. Mesmo para o liceu muitas vezes não ia de autocarro, ia a correr. A minha mãe passava-se, receava que não tivesse atenção ao atravessar as ruas, que me acontecesse alguma. Mas não, corria tudo bem. Chegava esbaforida mas feliz da vida. Ou seja, fazer bom uso das pernas sempre foi um prazer, uma necessidade. E, portanto, como ia dizendo, é sem esforço que o faço. 

E tudo bem até hoje à hora de almoço: quando me preparava para ir almoçar, começou a doer-me o que penso ser o colo do fémur de um dos lados. Que pincel. O meu marido diz que nem comenta: horas a andar em piso incerto, dias a fio, e debaixo de frio, e, ainda por cima, sem ténis adequados, dá nisto - diz ele. Mas onde é que são precisos ténis especiais para fazer o que é costume fazer nas férias? Ai, que chatice. Só pode ser a idade. Estou a ver que tenho que interiorizar que já não sou uma miúda pequena e que tenho que começar a dosear o exercício ou a ter cuidadinhos próprios de avozinhas. Só visto.

Daqui a nada vou pôr uma pomada a ver se isto me passa. (A minha avó é que punha pomadas, se bem me lembro dizia que ia dar uma fricção. Ou fazer uma fricção, não me lembro com exactidão do que ela dizia. Mas, portanto, coisa de avozinha, mesmo). Só estou para ver se este sábado vou mesmo ter que ficar estendida a ler e a ter as tais férias-férias. Não dá para acreditar nisto.

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Entretanto, enquanto me preparo para ir tratar da articulação (mas se calhar também pode ser uma questão muscular - digo eu; se amanhã me levantar coxa, tomo mas é um brufen), vou ver uns vídeos com gente que faz aquilo que eu gostava de fazer: voar.


Voa, Marcelino Sambé, voa


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No primeiro vídeo, Christopher Carr ensaia The Dream de Frederick Ashton com o nosso Marcelino Sambé (ah, como eu gosto de dizer 'o nosso', toda orgulhosa deste português talentoso) e Luca Acri.

No segundo, Wayne McGregor ensaia o seu conto de fadas dos tempos modernos com Sarah Lamb e Eric Underwood.

As fotografias que enfeitam o texto são da autoria do sueco Bertil Nilsson.

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E com isto, nem vou poder mostrar-vos as fotografias que fiz esta sexta-feira nas margens do Minho, num lugar lindo, lindo, lindo. Talvez amanhã. O nosso Portugal tem vezes em que não é de plástico nem tem apenas três sílabas para ser mais barato: é majestoso, é mágico, é do além. A sério.

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E agora, permitam que vos sugira que desçam até ao post seguinte onde falo do parodiante Marcelo e de um tal Henri que anda por aí, tiriri, tiriri - ou seja, trelélé a propósito de uma campanha do caneco.

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5 comentários:

Rosa Pinto disse...

Bom dia.
Tal qual...até ri.
Beijinho

Rosa Pinto disse...

http://www.unidadedaanca.com/a-trocanterite-da-anca/


Esqueci de dizer...acontece a quem abusa da caminhada...

Um Jeito Manso disse...

Olá Rosa,

Pois já estive a ver... Mas olhe, apliquei a dita pomada, dormi como uma santa e acordei como nova. De qualquer forma, hoje poupei-me, andei mas menos e em piso mais regular. Espero amanhã estar pronta para outra.

Vou guardar o link porque pode dar jeito até porque é muito completo. Com tanto osso e ossinho e tendão e músculo nesta zona, mais tarde ou mais cedo vou forçar mais algum.

Obrigada, Rosa.

E um bom resto de fim-de-semana!

No Meu Quarto Andar Sem Cave disse...

Desculpe a intromissão, mas umas boas sapatilhas para running ajudam mesmo muito. Reduzem o impacto e a energia que é transferida ao longo da perna é menor. Algo deste tipo

http://www.adidas.com/us/women-black-running-boost-shoes

As melhoras e sim o minho é lindo (verde de tanta chuva) :)

Um Jeito Manso disse...

Olá 'No meu Quarto andar sem cave',

Não é intromissão, é gentileza. Já percebi que sim, que andar a palmilhar serras e vales com sapatos inapropriados é disparatado. Por isso, ontem ao fim do dia, de regresso à 'civilização', fui à Decathlon. Ia decidida a escolher umas sapatilhas com toda a ciência ou de uma boa marca. Contudo, vendo os preços, arrepiei caminho. Comprei umas Nike que eram a 44€ e que estavam a 19. São azulonas, com o símbolo da nike em rosa pink, uma coisa que não sei se vai 'combinar' bem com o tipo de roupa que uso mas paciência. Tenho ideia que são para caminhada mas não sei se são impermeáveis ou adequadas. Mas pensei cá para mim que sempre hão-de ser melhores que os que usei e que fiz um 'bom negócio'. Tenho, de facto, um lado completamente irracional.

Mas obrigada pela sugestão! E já estive a ver o seu blog e gostei, escreve de uma forma franca.

Um abraço.