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terça-feira, janeiro 12, 2016

O mar selvagem e belo do meu país






Ao mar manso, plano, suave, eu prefiro o mar selvagem, indómito, poderoso. Nunca fui para nenhum daqueles destinos turísticos onde o mar é chão, transparente, morno. Ouço falar em Caraíbas, Seychelles, e nada disso me seduz. Deve ser bom estar dentro daquela água límpida e tépida mas, para isso, deixo-me estar na minha banheira. Pelo contrário, atraem-me os mares frios, revoltosos, aquela cor sublime, espumando em branco e leveza a sua fúria.

Reparem, por favor, no pequeno barco de pesca que, à esquerda, se faz ao mar: quanta, quanta coragem!

Junto ao mar bravio da costa ocidental estive hoje. O mar grande e louco exerce um fascínio tremendo em mim. Penso no que será cair num mar assim, deve ser um choque avassalador, uma queda imediata no mais fundo e tormentoso abismo, deve ser como se a implacável mão de deus de súbito arrebatasse aquele que um dia ousa entrar no fundo mais fundo dos tempos.


De cima, este mar imenso é uma massa imensa de força sobrenatural, uma sucessão impetuosa e infinita de movimento e energia, matéria azul e verde feita de transparências e nuvens, um ruído incessante, nunca igual, que vem de dentro dos mistérios e se eleva até às asas dos pássaros, até ao refúgio mais secreto do sonhos dos amantes. E as ondas desenham-se, encurvam-se, dominadoras, tentadoras, enormes, enormes, indescritíveis. A frescura das ondas chega até mim, tenho vontade de a sentir de perto.

Tentação magnífica e perigosa, afasta-te de mim.


Ando por ali, rondo o bailado sumptuoso e esplendoroso, fecho os olhos, a beleza é excessiva. E logo uma onda sobre o mar, sobre o imenso manto de águas, sobe, arrojada, trepidante, recurva-se e enrola-se, o mundo inteiro ali feito onda e mar e coragem. Não é possível esquecer uma beleza assim, olho, olho, quero guardar em mim este desenho brutal, estas esculturas em movimento, divinas, divinas, tão acima da natureza humana, tão demais para a minha insignificante escala, para a minha limitada compreensão.


E aqui, mesmo aos meus pés, rebenta, com fúria selvagem, uma onda que se elevou pelos céus, que se veio desfazer em brancura e luz, trazendo-me a maresia, suavidade, frescura. E eu, sinto-me agradecida, tão emocionadamente agradecida, e toco com as mãos abertas a felicidade, assim, invisível e palpável.

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As fotografias foram feitas no Sítio, junto ao Farol e por ali, por onde andei, vendo de perto as grandes ondas onde os surfistas gostam de deslizar sentindo a força do canhão da Nazaré


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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela terça-feira.
Desejo-vos que se sintam felizes.

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