Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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quarta-feira, dezembro 02, 2015

E, para que não pensem que aqui a Jeitosa é uma cabecinha oca, depois da lingerie, os livros como presente natalício, mas, vá lá, criativamente encadernados ou maravilhosamente ilustrados


No post abaixo sugeri como presente de Natal para mulher um conjunto de lingerie à maneira e, para dar boas ideias a pessoas que gostam de se portar mal, mostrei o vídeo da Dama do Burlesco, Dita von Teese, que não se faz rogada a usar um belo bustier, um balconnet ou um cinto de ligas.

Mas, tendo-o feito, logo pensei nos meus leitores tão ajuizados, tão dados à erudição, tudo gente que não parte um prato. Fiquei em sobressalto: ai... e agora o que vão pensar de mim...?

Por isso, a correr, a minha mente logo me propôs uma sugestão que neutraliza a leveza da lingerie, trazendo densidade a este meu modesto sítio: livros.

Contudo, cabecinha dada a frioleiras a minha, logo uma driving force me puxou para os 'livros bonitos'. Podem pensar que estou na brincadeira: não estou. Se gosto de ler livros pelo seu conteúdo, saibam que sou muito sensível ao seu aspecto. Livros mal paginados, com capas espampanantes, com um papel desagradável ao toque, fazem-me não ter vontade sequer de lhes pegar. Em contrapartida, livros bem encadernados, com um papel agradável, com uma letra e paginação equilibradas, logo me levam a ter vontade de lhes pegar. Se o livro, para além disso, tem qualquer coisa diferente, podendo ser apreciado como um objecto que vive por si, sinto-me quase irresistivelmente atraída.
[Em tempos, um comentador disse que eu era exibicionista ao mostrar um determinado conjunto de livros, acusando-me de, na maior das ligeirezas, mostrar livros que, no conjunto, teriam custado quase cem euros. Por acaso, naquele caso em concreto, não tinha sido, pois tinha aproveitado promoções -- mas isso nem vem ao caso até porque, é verdade, os livros não são baratos. O certo é que fiquei francamente desgostada. É um facto que tenho um poder de compra que me permite dar corpo a este meu vício por livros e é também um facto que não sinto necessidade de o esconder. Mas se os mostro ou se falo disto não é por exibicionismo. É exibicionista quem exibe bens para que os outros o olhem com admiração. Ora, sendo eu uma simples anónima, como pode alguém olhar-me assim ou assado? Se mostro livros ou outras coisas de casa ou se falo disto ou aquilo é simplesmente para partilhar opiniões ou coisas de que gosto.
Quando escrevo isto, o meu marido aborrece-se, diz-me que não tenho que me justificar. Mas nem é bem para me justificar, é porque compreendo que, quem vive com umas centenas de euros por mês, deve ter dificuldade em aceitar que outros, como eu, gastem isso em livros, perfumes, idas ao cinema ou ao restaurante. Mas as coisas são o que são: tenho tido sorte, a sombra do desemprego ainda não bateu à minha porta e o facto é que tenho um ordenado proporcional à responsabilidade que as minhas funções exigem.]
Mas adiante que não era sobre nada disto que queria falar.

Queria falar, sim, de duas empresas que se dedicam a livros: uma mais virada para encadernações e outra para livros ilustrados. Não são cá mas pode encomendar-se via net e, mesmo que não se encomende, passear pelos sites já é um prazer.



Founded in London in 1947, The Folio Society publishes carefully crafted editions of the world’s finest literature. We believe that great books deserve to be presented in a form worthy of their contents. For nearly 70 years we have celebrated the unique joy to be derived from owning, holding and reading a beautiful printed edition. (...)







Dylan Thomas numa edição da Folio Society


e





When his Internet startup fizzled in 2001, Thatcher started selling books online as a hobby while trying to figure out “the next big thing.” For a few years, people thought he was crazy to be doing anything related to old fashioned printed books. Fast forward 14 years and Juniper Books is a successful, rapidly growing company in Boulder, Colorado.

Juniper Books has been featured in publications including The New York Times, The Wall Street Journal and Departures. Our Ernest Hemingway and African American Literature book sets were chosen for Oprah’s Favorite Things this year.  All of our products make great gifts and many have been showcased in gift guides of goop, InStyle, Elle, Vogue and other outlets.  Past custom library projects have included the Architectural Digest Greenroom at the Academy Awards, the Library of the NoMad Hotel in New York City, and Yoo Panama by Philippe Starck.


Encadernação em pele, tradicional



Encadernação com uma imagem que se estende ao longo do conjunto de livros

Exemplos



Encadernação simples, cores lisas


Biblioteca em tons de cinzendo
(ou as várias shades of grey aplicadas aos livros)


....

E, para já, é isto. E querendo outras ideias, já sabem: lingerie à maneira aqui já a seguir. Ia dizer que a lingerie vinha pela mão da Dita mas acho melhor dizer que vem a cavalinho no corpinho bem feito da dita. Ver para crer.

..

6 comentários:

Maria disse...

sim os livros podem ser uma obra de arte de per si.
talvez porque na família tenho encadernadores fazem parte do meu imaginário
tenho nas minhas estantes 3 livros encadernados manualmente por esse tio: todos eles têm as capas em baixo relevo com incrustações em madeira e marfim
também o álbum de família é todo ele uma obra de arte na encadernação mas agora em alto relevo, sobre um fundo azul em pano está uma caravela portuguesa com as velas em linho e a cruz bordadas a seda, o casco e mastros em madeira, o caralho em fio de algodão e todas as cordas em fio de seda. um cego que ali colocasse os dedos não teria qualquer dúvida em dizer que se tratava de um "barco antigo" as folhas em papel de seda que separam as de cartão onde as fotografias estão milimetricamente com os cantos incrustados em pequenas fissuras, são brancas texturizadas com teias de aranha em cinza. Já mostrei esse papel a 2 encadernadores velhos e nunca viram um deles arriscou a dizer que talvez tenham sido produzidas pelo próprio. não sei. na altura em que ele era vivo nunca me questionei sobre isso... agora "bistelo" rsrsrs

se o meu tio fosse um moço hoje acho que ficaria rico porque ele adorava esse trabalho...

beijos

GG

Anónimo disse...

É curioso, veio-me agora à memória, que a primeira vez que me foi mencionado e explicado esse tal caralho, o cesto no alto dos mastros dessas embarcações antigas e a sua função, como aqui é referido no comentário anterior, foi através de um avô meu, que possuía uma caravela, muito bonita, em prata, que tinha herdado. Contava isso com ar circunspecto, para desvalorizar a eventual malícia na designação (embora hoje, recordando-lhe o humor fino que possuía, admito que era com algum gozo que falava da coisa). Anos mais tarde, voltei a ouvir explicações sobre o mesmo caralho por um amigo nosso, velejador com muitos anos de experiência, que, a propósito de um quadro que possuía, a óleo, pintado por um autor creio que espanhol, me tentou elucidar sobre aquele cesto, no alto do mastro da embarcação(uma caravela) ali representada.
Daí, ao que se crê, a explicação, de mandar para esse lugar, alguém que nos chateia, pois estar ali de castigo, horas inteiras, ou até dias, não era nada fácil, ou agradável, dado o balanço dos barcos, sobretudo nesses tempos. Naturalmente, segundo o meu avô e o nosso amigo, quem por sua vez ali ficava de vigia, não permanecia assim tanto tempo, sendo substituído por outro marinheiro a bordo. Só quem era castigado.
P.Rufino

Um Jeito Manso disse...

GG, olá!

Deixou-me em suspenso, sem perceber se era um lapso ou se havia algum algum significado desconhecido. Fui indagar e, de facto, o lapso era meu: desconhecia o significado que na sua frase a palavra tem.

De todos os 'palavrões', é o único que nunca me habituei a dizer. Vamos ver se, com o sentido aqui atribuído, sou capaz de pronunciar tal palavra...

E, como pode imaginar, tenho rido de gosto com o efeito que certamente pretendeu... e que atingiu.

De resto, gostei imenso de ler a descrição da beleza do livro e do trabalho de carinho que é encadernar um livro.

Um abraço, GG!

Maria disse...

Olá UJM

folgo em saber que se riu com gosto :P

durante muitos anos forrei os meus livros em papel craft que depois pintava após a sua leitura

com a minha mãe aprendi a forrá-los com tecido. Ainda tenho, por exemplo, dicionários forrados, por ela, com essa técnica.

Porque estão mais à mão fotografei os dicionários para lhe mostrar
Quem acabou a rir-se fui eu ao ler o que por lá tinha escrito pois estava completamente esquecida. Isto é letra dos meus 12/13 anos e, contrariamente ao habitual, não há datas.
Como deve compreender "risquei" tudo o que poderia ser elemento identificativo

Já agora aproveite para fazer a interpretação com a grafia dessa idade. Fico curiosa. Posso dizer-lhe que habitualmente a pressão da minha escrita é leve; não me lembro de ficar marcada na folha de baixo ;)
Sempre sublinhei, risquei, escrevi, desenhei nos meus livros. São meus e muito meus e faço deles o que quiser rsrs
Deixou de ser do autor a partir do momento em que foi publicado.
Quando os releio adoro reler as minhas notas; habitualmente continuo a concordar com elas tenha 12 anos ou 40 ;)

Beijo grande, GG

Maria disse...

para a ujm ver

http://sdcfgrtyufbfghyui.blogspot.pt/

Um Jeito Manso disse...

Olá GG,

Tão bonitos os seus livros, encadernados com o carinho maternal que ficou colado àquelas páginas. Vejo que tem bainhas e que tem 'esticadores': uma perfeição.

A minha mãe forrava os meus livros quando eu andava na escola e eu também forrava os dos meus filhos. A minha mãe forrava os meus com papel plástico transparente e eu, os dos meus filhos, com plástico autocolante, uma trabalheira para não ficar com bolhas de ar.

Quanto à sua letra não dá para ver assim. quando se analisa uma escrita tem que ser uma coisa do género carta em papel branco, pois tudo é relevante: as margens (incluindo a superior e a inferior), a inclinação das linhas, das letras, a distância do texto à assinatura, a assinatura em si, o espaçamento entre linhas, etc. Tem que haver 'material' suficiente para se analisar. A pressão da escrita também e não marcar a folha pode querer dizer que não é agressiva e que não quer impor-se aos outros mas, se for branda demais, pode significar falta de assertividade. Tem que se ver mesmo, e analisar no conjunto.

Também não se deve, por norma, analisar a escrita de uma criança ou jovem adolescente (excepto se estiver com problemas) pois a personalidade, nessas alturas, está em mutação e é, para além do mais, sujeita a influências já que, até certa altura, o que os jovenzitos querem é ser iguais aos outros.

Vi também a lingerie: gira, de um tecido e cores agradáveis, sim senhora. Mas as cuecas um pouco grandes demais para o meu gosto. No entanto, não lhes viraria as costas... :)

Um beijinho, GG!