Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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quarta-feira, outubro 14, 2015

Ó Sr. Passos Coelho e Sr. Paulo Portas! Mas que caras de enterro vêm a ser essas? Quase a fazer beicinho, ó seus piegas...! Mas porquê, se, afinal, parece que estão a nadar em dinheiro? Saíu-lhes o Euromilhões, foi? Contem lá onde é que arranjaram os €1.309 que agora já têm? Ou isso é apenas mais uma mentirinha para ver se enganam o António Costa? Vá, mostrem lá as continhas, ó seus bebés-chorões...!


No post abaixo já contei que não gosto que me apalpem as mamas e que nem o faço a mim própria. E nada de estarem já, para aí, a fazer trejeitinhos gozões, como se eu padecesse de uma mania estranhíssima, porque se calhar não estou a falar daquilo em que vocês estão a pensar. E, além do mais, gostos não se discutem, ora essa.

Mas isso é a seguir. Claro que, se quiserem ir direitinhos para as mamocas mal agradecidas, podem sempre apalpar aqui.

Agora vou apenas comentar brevemente as carinhas infelizes de Passos Coelha e do seu Vice-Irrevogável Portas à saída da segunda reunião com António Costa: estavam de dar dó. A toda a hora poderiam desatar a chorar. Estavam como se lhes estivessem a pisar os calos ou se estivessem aflitos para ir à casa de banho e nem pudessem mexer um músculo não fosse o esfíncter relaxar. Ou como se tivessem levado um tareão e nem forças tivessem para apresentar queixa. Ou, melhor, como se estivessem num velório, no velório antecipado do seu fim político.




Time to say good bye


Do que lhes vi e ouvi, saíram da reunião com o PS todos esfarelados, aparentemente sem perceberem nada do que lá se passou, tal como nunca percebem nada de nada. Até agora, tinham tido a sorte de apenas se terem uns aos outros pela frente ou, vá lá, o Cavaco, e, portanto, nunca tiveram que se confrontar com gente inteligente. Agora, aparece-lhes um Costa pela frente, um Carlos César, um Mário Centeno, a Ana Catarina (agora não me lembro o nome dos outros), e não têm outro remédio senão meter a viola no saco. A música agora toca num outro comprimento de onda. 


Apresentaram-se a eleições sem programa, sem contas, só com conversa fiada, habilidades de marketing, perfis falsos às centenas nas redes sociais, conivências da comunicação social, convencidos de que, para todo o sempre, lhes bastaria isso e sorrisos e vozes bem colocadas. Meia dúzia de palavras lhes bastavam para conseguir uma parangona nos jornais que, à noite, os papagaios avençados incensavam, até ao vómito, nas televisões.

Mas agora, frente a frente com gente instruída e bem documentada, os truques pafiosos já não resultam. 

Armados em totós de vão de escada, copiaram vinte e tal medidas do programa socialista e, sem pudor em mostrarem-se uns vulgares vira-casacas, foram dizer que eram mais socialistas que os socialistas: políticas sociais agora é com eles.
  • Subir o abono de família? É para já. 
  • Acabar com o plafonamento? Já era
  • Aumentar o salário mínimo? Já tardava
  • Acabar com a sobretaxa? Ó pá, nem nunca isso devia ter visto a luz do dia. Acaba-se já com ela, nem que seja ao tiro.
  • E por aí fora: prestações sociais a subir, impostos a descer, sempre a abrir. 

Do nada, o Láparo e o seu Vice aparecem com medidas que custam €1309 milhões em quatro anos. É caso para dizerem que, para cairem nas boas graças de António Costa, dão o cu e cinco tostões (and pardon my french).


Mas - alunos cábulas e, ainda por cima, apanhados de calças na mão - pelos vistos, apesar de darem tudo, a coisa não lhes correu bem. 

E, então, foi o que se viu: apareceram à porta, todos desenfronhados, com ar de quem não sabe a quantas anda, de quem está verdadeiramente sem rei nem roque. 

O Láparo ainda ensaiou aqueles seus tão bem conhecidos sorrisinhos amarelos mas o Portas estava que não podia, desasado, compungido, arrependido de por ali andar, aos caídos, enfiado no bolso de um Coelho tão pouco escolado.

António Costa, pelo contrário, falou e falou claro. E, uma vez mais, chamou a atenção para o tempo longo demais que está a decorrer sem que Cavaco se mexa - e realçou que, quando Cavaco falar de novo com alguém, estará a iniciar a ronda de conversações oficiais. Ou seja, Costa está a deixar claro que o que Cavaco fez até aqui, falando com Passos e com ele próprio, foi apenas converseta de pé de orelha. Caso contrário, ter-se-ia que dizer que Cavaco estava a violar a Constituição, desprezando algumas forças partidárias com assento parlamentar.

Entretanto, começam a ouvir-se vozes responsáveis a dizer o óbvio: não há mercados nenhuns com medo de um governo de esquerda. O que pode haver é apreensão pelo tempo que isto está a demorar ou apreensão pela falta de jeito de Cavaco ou apreensão pela incultura e saloice de parte da classe política portuguesa ou apreensão pelo défice testicular que muito boa gente (incluindo no próprio PS) tem demonstrado, gente que parece que tem medo de tudo, até da própria sombra.

O que é preciso - e isso os sacrossantos mercados apreciarão - é que alguém apareça com uma proposta governativa bem estruturada, com garantia de governabilidade. Até aqui a coligação dos PàF não o fez e, temo bem, não será capaz de o fazer. O PS, pelo contrário, tem-se mexido e de uma forma disruptiva, arejada e, espero eu, bem sucedida. E quando digo bem sucedida quero dizer que se espera que a solução que venha a surgir dê garantias de estabilidade, de ser capaz de virar a página e de apontar no sentido do crescimento sustentado, do desenvolvimento social e cultural, do respeito pelas pessoas e pelo seu futuro.

Se esta cena do entendimento à esquerda vingar, haverá o risco de algum dos parceiros (PS, PCP, BE) roer a corda? É disso que os prudêncios desta vida têm medo? E então? Se isso acontecer: será coisa nunca vista, o fim do mundo em cuecas...? E alguém deixa de se casar com medo de, um dia mais tarde, eventualmente se vir a divorciar? Acho que não. Se isso acontecer, qual será o drama? O que se espera é que, até lá, valha a pena. 

Ou seja, não sei no que isto vai dar mas já vale pela animação que estamos a viver: este tem sido um tempo em que se fala política, em que se discutem equilíbrios, estratégias, em que aparentemente a democracia amadureceu e começou a dar passos de gente grande.

Enquanto despacha o Láparo, o líder do PS fala com líderes europeus da família socialista e já dá entrevistas para tranquilizar investidores e mercados
Costa prepara Europa para governo de esquerda


A vida, de vez em quando, ainda é capaz de nos surpreender e Portugal, volta e meia, ainda mostra que não é coitadinho, de plástico para ser mais barato, nem composto apenas por maria-amélias, beatas, virgens ofendidas, velhos do restelo, mansinhos, descerebradinhos e castradinhos.

Por isso, daqui envio os meus votos de que a força não falte ao PS, ao PCP e ao BE, que continuem a portar-se como gente grande, que nos façam sentir, de novo, orgulho em seremos portugueses.

...

Relembro que, caso queiram saber que coisa é esta de não gostar que me (a)palpem as mamas e de como acho que não devo ser exemplo para nenhuma mulher, é descerem até ao post já a seguir.

...

E, caso vos apeteça visitar-me numa onda mais lírica, terei muito gosto em que me visitem no Ginjal.

..

4 comentários:

Silenciosamente ouvindo... disse...

Tenho lido os seus posts com muita atenção e acabo sempre a sorrir!!!
Também adorei ver a expressão nos rostos de Passos Coelho e Paulo Portas ontem
à saída da sede do PS.
Vamos ver como tudo isto vai acabar. Mas não pode demorar muito mais.
O Cavaco ficar na história como o Presidente da República que deu
posse a um governo apoiado pelo PCP e BE? O homem ainda morre
"dos nervos"...
Mas mais a sério: o povo português, medindo pelos fóruns e redes sociais,
está mesmo dividido.
Aguardo ansiosamente pelo resultado final de tudo isto, mas que "a direita"
nunca esperou tal coisa, ai isso não.
Bjs.
Irene Alves

Anónimo disse...

Temos homem, em António Costa! Depois de uma atitude mais titubeante durante a campanha eleitoral, Costa mostra, agora, fibra. E soube aproveitar a oportunidade que, quer Cavaco, quer Passos (Portas) lhe deram, ao demitirem-se, os dois, PR e PM, das iniciativas que lhes competiam, a de tentar acordos e manter encontros com – TODOS – os partidos com assento na futura Assembleia (incluindo, por conseguinte, o dito PAN, como sábia e simpaticamente, fez A.Costa). Leio entretanto que no Palácio de Belém, ainda há gente lúcida e um assessor do PR vem tranquilizar os assustados apoiantes desta Direita minoritária ao dizer na Antena 1 que se houver um governo de Esquerda liderado pelo PS não vem daí nenhum mal ao Mundo. O homem tem razão! Agora, ao deitar um olho na imprensa, via Net, vejo Passos (sem gravata, numa de Syrisa, pelo menos assim está na foto) muito zangado, muito sentido, o coitado, muito abatido e muito raivoso a dizer que “acabou e não quer mais conversas com o PS” e apela, de caminho, aquela criatura que ainda habita institucionalmente Belém, a dar-lhe posse rapidamente. E entretanto alguma imprensa vem dando eco a umas tantas provocações e aleivosias, como aquelas proferidas pelo Presidente da Câmara de Cascais, a serem verdadeiras (falta de nível! Ao que chegou esta Direita histérica e ressabiada!). Leio também que um outro candidato presidencial, Paulo Morais (já me esquecia que o era) nos lembra uma coisa, ou seja, exemplos por essa Europa fora, como no Luxemburgo e Dinamarca, que nos seus governos de coligação, os PM são dos Partidos mais pequenos que os integram e dali, tanto quanto se sabe, não veio, nem virá, nenhum mal ao Mundo, também. Costa foi inteligente. Tomou a iniciativa, aproveitando a oportunidade que os outros deixaram fugir, por estupidez, ou arrogância, sabe-se qual. E se de facto viermos a ter um governo de Esquerda, sob liderança do PS, os portugueses e portuguesas podem dormir descansados, que ninguém lhes vai tirar as casas, as propriedades, comer-lhes as criancinhas, e por aí. Como António Costa dizia e bem, o “muro de Berlim já caiu há muito tempo!” Agora, quando muito, é tempo é de bolas de Berlim. Bom apetite á Coligação e faço votos para que se desintegre, uma vez formado e aprovado em sede da A.R um governo de Esquerda: PS/BE/CDU (de incidência parlamentar, ao que se percebe).
P.Rufino

Bmonteiro disse...

Com tendência a 'olhar' para os personagens com alguma psicologia, apreciei o ar dos dois 'láparos' ontem ao final do dia. Semblantes bem diferentes dos da 'vitória' do 4Out. Gostei do qualificativo "láparo".
António Costa, que não aprecio muito, está a revelar-se um mestre.
Fosse Passos um estadista, talvez lhe tivesse ocorrido: convite ao PS para um governo comum.
E como iria dividir o pote do aparelho de Estado com o PS, ao meio?
Sem deprimor to Mr AC, cuja tribo persegue precisamente o mesmo.
Abocanhar o aparelho de Estado, num país de economia privada débil, uns bons milhares de lugares apetecíveis aos jovens das tribos partidárias.
A bem do Regime, que a Nação já foi.

Rosa Pinto disse...

O AC parece-me bem. Vamos ver...