Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

quarta-feira, outubro 14, 2015

Apalpar as mamas



Não gosto que me apalpem as mamas. Nem gosto de as apalpar eu mesma. Pode soar chocante dito assim, com esta crueza, mas é a verdade. E creio que, como eu, grande parte das mulheres. 

Contudo não me refiro ao tipo de palpação que se pode ver na imagem animada que acima se vê. Refiro-me à palpação para possível despiste de quaisquer problemas, nomeadamente do cancro da mama.

Não gosto, tenho medo, é-me desagradável. Acho que, a mim mesma, nunca fiz como deve ser. Melhor: nem como deve ser nem de maneira nenhuma.

E, quando vou fazer exames, é um incómodo.

Fazer mamografia dói. Uma pessoa põe a mama em cima de uma placa fria, depois a mama é prensada - de frente, de lado. Uma mama de cada vez, quase parecendo que vai ser esmagada.

Depois, quando passamos à ecografia mamária e nos deitamos na marquesa, já o médico tem as imagens da mamografia. E, deitadas, mamas ao léu, é-nos dito que coloquemos os braços puxados para cima. Ficamos, assim, indefesas. E colocam um gel e, com o sensor, carregando, vão passando pelo seio, de um lado, do outro. Incomoda, é desagradável, magoa. Depois vão vendo as imagens e fixando a imagem onde surge alguma coisa suspeita. E, nessas alturas, já eu estou com medo, aflita que de lá venha alguma suspeita demolidora.

Já aqui o contei: uma vez, indo eu na desportiva, diz-me o médico que estava a detectar uma massa suspeita num dos seios e que teria que fazer uma biópsia com urgência. Fiquei aterrada. Quando fui fazer a dita biópsia ia em pãnico. E depois aquilo dói que se farta. Uma seringa de impor respeito, uma agulha grossa espetada na mama - depois aquilo dava uns estalos quando extraía tecido para análise e sentia-se uma pressão desconfortável (e digo desconfortável para não dizer pior, não vá estar alguém a passar pelo mesmo e ficar assustada). Mas é mesmo horrível. Depois passa, claro.

Felizmente não era nada, uma formação celular benigna. Um alívio, parece a gente que ganha vida nova.

Na última vez que fui fazer, há uns meses, apanhei outro susto. A mamografia mostrou logo qualquer coisa estranha. A ecografia mamária, depois, confirmou uma outra massa, uma bola, dizia a médica que não lhe parecia nada de grave, talvez um quisto, mas que não estava a perceber; e que não existia no exame anterior e que isso é que não era normal. Amedrontada, disse que já tinha feito biópsia e que não era nada. A médica esclareceu que não era a mesma, que a outra já tinha até diminuído. Fiquei, outra vez, toda assustada. Mandou-me repetir o exame uma semana depois. Lá fui, quase sem acção de tão cheia de medo. Milagrosamente, a dita massa tinha desaparecido. Respirei de alívio. Disse-me ela que devia ter sido um hematoma e perguntou-me se tinha sofrido alguma pancada. Lembrei-me então que, num outro fim de semana, estando eu no sofá a ler um livro ao mais pequeno, ele se levantou num rompante, e, para ganhar balanço, fincou o cotovelo no meu peito, pondo-se de pé-se em cima do sofá num salto, apoiado no cotovelo. Na altura doeu-me de tal forma que até soltei um grito, o miúdo até se assustou, coitado. Mas esqueci-me na hora. Na volta foi isso. Se não tivesse calhado ter feito os exames naquela altura nem tinha dado por nada já que, de fora, não se dava por nada.

Mas só faço o despiste quando me lembro de fazer os exames. Pelo meio, nada. Não faço palpação  -- mas sei bem que devia fazer. Pode ser que um dia ganhe coragem. 

Dito isto, sei que a minha cobardia pode ter consequências. O despiste atempado é vital. O que se passou neste verão com a minha mãe é bem ilustrativo disso. Felizmente foi no início da formação que descobriu que tinha cancro no cólon e, por isso, foi extraído a tempo (juntamente com metade do cólon -- mas está bem, alimenta-se normalmente, faz uma vida normal, não tem qualquer mal estar, e nem quimioterapia teve que fazer).



Vem isto a propósito do vídeo abaixo onde, com humor, se demonstra como é frequente as mulheres serem medrosas. Sabem tudo sobre a teoria da coisa mas, quanto a passarem à prática, está quieto... Mesmo quem não saiba francês vai perceber porque as imagens, bem dispostas, falam por si.

Touche tes boobs, que é como quem diz, apalpa as tuas mamas


 

..

Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela quarta-feira.


1 comentário:

Rosa Pinto disse...

partilho da mesma opinião.
a sensação durante o exame é horrível até se ouvir - está tudo bem. direito a bolo e passeio pela baixa.