Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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quarta-feira, julho 08, 2015

Belíssima, pedagógica e convincente intervenção televisiva do Embaixador Seixas da Costa na TVI 24 sobre a situação na Grécia. Também excelente e sólida intervenção a de Ricardo Paes Mamede. Boa e segura intervenção de Mariana Mortágua. E uma lástima, mas mesmo uma lástima (demagógica e oca), a conversa trapalhona de José Luís Arnaut.


De vez em quando lá calha. Estava um grupinho na TVI 24 que conseguiu manter uma conversa proveitosa, esclarecedora, sobre o que se passa na Grécia e nesta descabelada Europa. Paulo Magalhães, com a elegância e delicadeza de sempre, moderou e moderou bem. 

Eu conto.

Penso que Seixas da Costa valoriza imenso estes espaços de discussão porque introduz um tom que dissuade quem tenha pretensões de ali estar para armar confusão. 


Tem um raciocínio muito bem articulado, consistente, muito bem informado, por vezes fora da caixa, alinhando argumentos que não são os mais óbvios mas que, uma vez ouvidos, logo se vê que fazem sentido e enriquecem a leitura dos acontecimentos. E tem uma visão humanista. É um socialista para estes novos e conturbados tempos que vivemos: arejado, descomplexado, flexível - mas com respeito pelas pessoas, pela sua vontade, pelos seus direitos. E, apesar do tom quase suave, é combativo, não deixa de as dizer. É bom que comecem a aparecer rostos fortes associados ao PS. Assim as pessoas habituam-se a associar, no PS, rostos a áreas temáticas.

Outro que agora tem aparecido imenso e que está sempre muito bem é o Ricardo Paes Mamede. Tem uma liberdade de movimentos, uma assertividade e um domínio dos assuntos de que fala que é sempre uma mais-valia nestes debates. 


Aprende-se sempre com ele. Desmonta com segurança as bocas dos fala-baratos que lhe aparecem pela frente, acrescenta explicações bem fundamentadas. E tem a simplicidade na argumentação que é própria de quem sabe do que fala. A esquerda tal como é representada por Ricardo Paes Mamede é uma esquerda aberta, inteligente, cosmopolita, interessante.

Mariana Mortágua é uma força da natureza. Combativa, informada, serena (falsamente serena, diria eu, pois dá a ideia que, a todo o momento, pode saltar para a jugular dos adversários). 


Não se deixa ficar -- mas terá que aprender a esperar pela sua vez para falar pois alguns dos seus argumentos não se ouvem por falar sobre o que os outros dizem. Hoje saltou algumas vezes para rebater as vacuidades do Arnaut mas, ao falar em cima das palavras dele, ficámos sem ouvir o que dizia. Mostrou também alguma atrapalhação com a farpa lançada por Seixas da Costa a propósito de o Syriza se ter coligado com a extrema direita e não lhe deu troco quanto ao facto (também inteligentemente lançado pelo Embaixador) de o governo grego não ter ainda pretendido taxar os armadores gregos ou a igreja ortodoxa grega.


Quanto ao Arnaut foi a mesma coisa de sempre: papagueou a argumentação trauliteira dos PaFs, no estilo arruaceiro de salão que tão bem o caracteriza a ele e os seus correlegionários. 





Um zero à esquerda. E foi um zero à esquerda e não um desastre a sério porque ali, na televisão, estava só a falar -- e não a defender os seus poderosos clientes em mais alguma privatização lesiva dos interesses do Estado ou contrato milionário daqueles que, em teia, se cruzam com interesses que nos aparecem como algo dúbios.

Se todos os intervenientes ligados à esquerda tivessem, nos debates públicos, a qualidade de Seixas da Costa, Ricardo Paes Mamede e Mariana Mortágua, a esquerda teria uma ampla vitória nas próximas eleições. E, como praticamente todos os PaFs são do calibre do Arnaut, os direitolas desapareceriam do mapa se tivessem gente escorreita destas pela frente e não alguns dos artolas que volta e meia os partidos arranjam para encher chouriços.

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1 comentário:

Anónimo disse...

O José é uma repugnante figura política de uma não menos abjecta instituição, a Goldman Sachs, que entre outras malfeitorias vendeu Swaps ao Estado português (quando, por exemplo, Moreira Rato lá era funcionário), resultando em prejuízos para o Estado. Esteve por detrás de vários negócios de venda de património estatal, como a REN, EDP, Ana, etc e faz parte de uns tantos dirigentes políticos “topo de gama”, que através das suas movimentações e influências de bastidores, conseguem grandes e lucrativos negócios para as empresas (e escritórios de advogados) que representam, ajudando a subtrair ao Estado empresas que nunca deveriam cair nas mãos do sector privado e muito menos estrangeiro. O seu escritório de advocacia já recebeu vários milhares de euros, a exemplo de outros concorrentes, a título de “prestação de serviços de patrocínio judiciário”. Um bom debate, mesmo com a presença do Arnaut, o que aliás permitiu abrilhantar ainda mais a prestação dos outros 3 convidados, embora eles não precisassem desse “apoio”, dada a qualidade intelectual de cada um deles. Houve um ponto, entre outros, muito pertinente, levantado por Seixas da Costa: o facto de até agora, mesmo com o Syrisa no poder, os armadores e a igreja ortodoxa manterem os privilégios fiscais que detêm. Algo tem de ser corrigido e rapidamente, a esse respeito. Curiosamente, quer o FMI, quer a Comissão e BCE (e ALE, Eurogrupo, etc) não colocaram isso nas suas exigências!
P.Rufino