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quarta-feira, fevereiro 18, 2015

Valença - [2º de 4 percursos no Minho]


Como descrevi no post abaixo, depois de termos caminhado na bela Praia de Moledo e de termos tentado almoçar no Monte Faro, descemos até Valença. Não tínhamos plano B pois nem nos tinha ocorrido a hipótese de que o restaurante estivesse fechado.

Acho que nunca tinha parado em Valença, ou, se tinha, foi coisa tão rápida que não guardava memória. Valença era, para mim, apenas uma cidade a caminho de La Coruña, das Rias Altas, do animado carnaval galego ou, então, a cidade que tinha um monte com um notável restaurante.

Se eu fosse de papaguear o insípido palavreado motivacional usado nas empresas, diria que uma contrariedade é um desafio e que um desafio é uma oportunidade.

E, por uma vez, dei razão a essa conversa mole. Numa daquelas apps dos telemóveis vi que na Fortaleza de Valença havia alguns restaurantes. Lá fomos. 

Só turistas espanhóis. E só lojas de atoalhados (vendidos ao quilo, imagine-se), pijamas, colchas. Uma coisa extraordinária. Será que os preços são tão diferentes e que os espanhóis estão tão precisados de toalhas de rosto e pijamas que justifique virem de propósito a Portugal?

Não faço ideia. Lojas e lojas, pegadas umas às outras, cheias de roupa de cama e de casa de banho e bandos de espanhóis, a ver. a saber preços, a comprar.

Mas aquele casario dentro de muralhas é mais que isso. É muito cuidado, casas bonitas, ruas empedradas, igrejinhas. E, por isso, até foi bom que não tivéssemos almoçado em Monte Faro pois, senão, não teria conhecido este lugar.





Isabel Silvestre, do Grupo de Cantares de Manhouce, 
canta o hino religioso Miraculosa Rainha dos Céus



As capelas e igrejas portuguesas são muito bonitas, umas riquíssimas, em talha dourada, obras preciosas, mas outras têm figuras muito simples, belas na sua inocência.

Num espaço tão pequeno como é o casco velho dentro da Fortaleza visitei duas igrejas e as duas muito bonitas. Se não estou em erro a primeira é dedicada a São Teotónio porque é essa a estátua que está lá ao pé e a outra tenho ideia que é a Sto Estevão. Numa delas, creio que nesta última, ouvia-se uma música, uma bela ária italiana que envolvia aquele espaço de serenidade, um ambiente diria que quase cinéfilo de tal forma inesperado.







As casas são uma graça. muito arranjadas, muito bonitas mesmo.  Fotografei várias mas as ruas são estreitas e é difícil conseguir o ângulo certo para as apanhar sem ficarem inclinadas.

Mostro-vos apenas estas, com janelas trabalhadas, com varandas em ferro, paredes ou com pedra ou com azulejos muito cuidados.

Ao percorrer estas ruas em que, fora da zona do comércio, há um sossego incrível, pensei como deve ser bom morar em terras assim, Moledo, Caminha, Valença. Será que tenho Leitores que moram aqui? Se tiver, será que eles me lêem como se eu fosse de um outro mundo, sempre a correr, sempre à pressa? Saberão a sorte que têem por poderem morar em sítios tão bonitos?




E esta aqui abaixo é a Igreja que penso ser de Sto Estevão e onde fiquei um pouco pensando nos meus. Quando isto me acontece, penso sempre que, se Deus existe mesmo, deve achar que não sou boa da cabeça: eu que venero árvores, pássaros, rios, pedras, achando que é nessa harmonia que residem todas as divindades e que é a natureza que deve ser preservada como sendo o tesouro onde se escondem todos os milagres e que prego a generosidade e a tolerância apenas porque sim, porque acho que assim são as árvores e os bichos e que assim devemos ser todos, vir depois aqui a uma casa cheia de ornamentos, madeira tingida a ouro, pequenas figurinhas pintadas e a que chamam santos, e pôr-me a pedir protecção para os meus. Sinto-me ridícula e incoerente e saio de lá sempre sem me compreender.

Mas, fazer o quê?, já estou farta de saber que não sou nem boa da cabeça nem nenhuma santinha, nem sequer de pau oco. E consolo-me pensando que, se Deus existe mesmo, deve estar fartinho de dar com gente ainda mais maluca que eu.





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Reparei agora que estou a escrever isto ao contrário. Disse no título que este era o 2º percurso e não, foi o 3º já que comecei lá por baixo, pela Praia de Moledo e depois por Monte Faro. Numerei isto mal mas agora fica assim, paciência. Mas, para a leitura ficar lógica, deverão ler de baixo para cima, do que chamei percurso 4 para o 3, depois 2 e a acabar no de cima, no 1. E não bebi vinho ao jantar, faria se bebesse.

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1 comentário:

Anónimo disse...

Caminha també está bem estimada, pelo menos do que via aqui há algum tempo. Em Valença havia uma Pousada, onde estivemos. Não sei se se mantém em funcionamento. Toda essa zona é muito agradável de visitar.
P.Rufino