Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

quarta-feira, fevereiro 18, 2015

Ponte de Lima - - [1º de 4 percursos no Minho]


No post abaixo contei como fui parar a Valença depois de não ter conseguido almoçar no restaurante do Monte Faro (post seguinte) e isto depois de ter andado a passear na Praia de Moledo (post ainda lá mais para baixo).

Mas pus-me a mostrar as igrejas de Valença e até me esqueci de dizer que num restaurante dentro da Fortaleza - justamente num que se chama Fortaleza - comi um belo cabritinho assado em forno de lenha com batatinha assada, arroz de forno e couves. 

Dali, seguimos para outra cidade da qual já estava com saudades: Ponte de Lima.




 Isabel Silvestre - A gente não lê


Ponte de Lima é uma cidade que, de tão linda e tranquila, mais parece feita para ser contemplada. Poderia ser um cenário, apenas. Mas não é porque depois de a gente se vir embora ninguém lá vai desmontá-la. Pelo contrário, vai é sendo embelezada. 

Uma vez mais me interrogo: como será viver numa cidade pequena, linda, calma? Será como viver dentro dum filme? Tudo bom a todo o momento? E, sem ter que se perder tempo no trânsito, será um tempo que nunca mais acaba?


A vaca das cordas


Há muitas esculturas em metal, alusivas aos costumes e à história. Têm posição de destaque e assim é que está bem, dignifica-se o trabalho e a cultura locais, dá-se-lhes visibilidade. Junto ao rio, onde as pessoas se concentram em esplanadas ou passeando, estas grandes esculturas têm honras de primeiro plano.






Contudo, uma coisa há que vinha à espera de já não encontrar e que afinal está na mesma. Junto ao rio, no que eu esperava ver já transformado em jardim com passeios pedonais e zonas de lazer, existe ainda o mesmo parque de estacionamento. Se calhar é assim porque, quando o rio vem cheio e com força, talvez transborde e talvez estragasse o que ali se fizesse. Não sei. O que acho é que é pena que o terreno junto à margem esteja cheio de carros e não de pessoas a desfrutar a proximidade do rio. Mas talvez haja uma razão lógica. O meu marido diz-me que a razão lógica se chama dinheiro ou, melhor, falta dele. Não sei.

Seja como for, a cidade, apesar deste aspecto, é linda na mesma.




Nas margens do rio podemos ver os soldados romanos. Na outra margem, a cavalo, Decius Junios Brutus.




Do lado de lá do rio, uma bela igreja. Não sei o nome nem fui até lá mas é linda, aconchegada entre os montes, a ponte, o rio Lima, banhada pela luz da tarde.




Esta aqui abaixo é outra igreja, imponente. Não sei se é a Igreja Matriz. Estive agora a ver se descobria na internet mas os sites da Câmara ou de turismo são fracos, não consigo encontrar informação sistematizada e de acesso fácil. Mas é no centro da cidade. Acho que ia haver missa pois havia pessoas nos bancos mais à beira do altar e o padre andava paramentado a organizar algumas coisas.




E, já de regresso ao Porto, o sol dourado a pôr-se dourando o musgo que cobria o tronco de uma árvore, mais uma escultura.


Em dia de Teresas, mais uma: D. Teresa

Foi a Rainha D. Teresa quem, na longínqua data de 4 de Março de 1125, outorgou carta de foral à vila, referindo-se à mesma como Terra de Ponte

in
wikipedia sobre Ponte de Lima


Quando chegámos ao quarto do hotel já a luz do dia se extinguia sobre a cidade, o mar estava quase tingido pela noite (a fotografia não está famosa).




Um pássaro grande voou aqui em frente da janela neste piso tão elevado e eu corri a fotografá-lo. Disse que era uma gaivota mas o meu marido não acreditou, acha que vejo gaivotas por todo o lado. Não a consegui apanhar na fotografia mas juro que não sonhei.

----

Se descerem por aí abaixo encontrarão o percurso completo ao longo do dia. Conforme explico no post abaixo, escrevi isto conforme fiz o percurso mas numerei ao contrário. Ou seja, este que acabaram de ler deveria ser o 4º percurso já que foi o último e o da Praia de Moledo lá mais para baixo deveria ter sido o 1º e não o 4º. A ver se amanhã tenho mais cuidado quando for a descrever as minhas andanças (se o fizer, claro está).
....

Tal como ontem e pelas mesmas razões, vou já desligar o computador e a luz pelo que não vou reler o que acabei de escrever.

Ontem de manhã, quando reli o que tinha escrito de véspera, ia-me dando uma coisa. Tinha escrito reunião e depois pensei que era mais do que uma e, à pressa, não fui de modas, juntei-lhe um 's'. Quando li reuniãos e vi que já ia com mais de 300 visitas fiquei para morrer. Devem ter pensado que sou uma bronca analfabruta. E dei com mais uma data de gralhas, uma vergonha. E isto hoje deve estar na mesma. A escrever aqui à pressa e quase às escuras deve estar uma obra jeitosa...  Enfim. Quem me manda a mim escrever como se não houvesse amanhã?

...

Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma bela quarta-feira.

..

3 comentários:

Anónimo disse...

Bom dia, UJM!

Tenho uma colega de Ponte de Lima. Ela adora a terra dela, mas sempre quis sair de lá, nunca quis ficar lá a viver. Tenho colegas de pequenas cidades e vilas de todo o país e todos pensam assim. Não querem ficar confinados a um mundo tão pequeno que é a terra onde nasceram, por muito que gostem dela. O meu pai, quando era novo, trabalhou em cruzeiros e ficou uns tempos na Tasmânia e na Nova Zelândia. Aquilo naquela época era um paraíso para os hippies vindos da Austrália: muita ganza e ótimo tempo. Muito lindo, sol, praia, sossego. Mas os nativos queriam todos sair para a Austrália. Veja bem, os da Tasmânia ainda se compreende, mas a Nova Zelândia é um país super desenvolvido, há lá tudo, não é uma qualquer ilhota com um cinema ranhoso de 20 cadeiras. Mas quanto mais os australianos iam para lá, viver em comunhão com a natureza, passando dia a cuidar de ovelhas e fumar charros, mais os jovens neozelandeses queriam sair. Era pequeno demais.

Nuvens

Ó nuvens pelos céus que eternamente andais!
Longo colar de pérolas na estepe azul,
exiladas como eu, correndo rumo ao sul,
longe do caro norte que, como eu, deixais!

Que vos impele assim? Uma ordem do Destino?
Oculto mal secreto? Ou mal que se conhece?
Acaso carregais o crime que envilece?
Ou só de amigos vis o torpe desatino?

Ah não: fugis cansadas da maninha terra,
e estranhas a paixões e ao sofrimento estranhas
eternas pervagais as frígidas entranhas.
E não sabeis, sem pátria, a dor que o exílio encerra.

Lermontov (esta sim, tradução de Jorge de Sena - mas diga-me lá se "estranhas... estranhas... entranhas... soa bem?... Última estrofe, em inglês: "No, you were weary of fields where no harvest grew.../Strangers to passion, and strangers to suffering,/Eternally cold and eternally free, you roam:/
You have no homeland, there is no exile for you." - http://markandrewholmes.com/clouds.html) Entranhas...

Uma ótima 4ª feira!
JV

Anónimo disse...

Ponte de Lima é uma Vila (permita-me a correcção) muito bonita! Um encanto! Onde se come bem.
Por mim, troco, sem hesitar, viver numa terra pequena em vez de uma grande cidade. Por essa razão abandonei Lisboa, onde seria absolutamente incapaz de voltar a viver. Sempre detestei cidades grandes, para residir. Só para visitar. A qualidade de vida é incomensuravelmente melhor numa terra mais pequena! Ultimamente, tenho evitado andar de carro em Lisboa, a não ser se tenho de vir à noite (fins-de-semana) a algum jantar a casa de amigos, ou por qualquer outra razão de excepção, durante o dia. Detesto este trânsito. As ligações por Metro são excelentes (e as suas estações bonitas), por exemplo, embora fuja dos “Bus”. De cada vez que regresso a casa, sinto uma espécie de alívio mental. A confusão e barulheira de Lisboa dá comigo em doido. Conheço muita gente que fez opções idênticas ás minhas e felizmente que muita gente que vive em sítios desses, sobretudo encantadores como Ponde de Lima, ou Óbidos, Sintra, Évora, Colares, no Douro, etc, por lá ficam e não os trocam pelas grandes urbes.
P.Rufino

lino disse...

Ponte de Lima é a terra deste desterrado em Loures. A igreja do outro lado da ponte é a de Santo António, a outra, naquela rua sem trânsito onde está o boi (em bronze) sozinho é a matriz e há pelo menos mais três.
Quanto à beira rio é, desde o tempo de D. Dinis, o local da feira que se realiza às segundas feiras, semana sim semana não. Nos outros dias é local de estacionamento e julgo que não podia ser outra coisa, pois pode haver cheias quando a chuva é muita e a água já chegou a ultrapassar a matriz e a atingir mais de 2 metros de altura na avenida beira rio.
Beijinho