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sábado, janeiro 17, 2015

Eu, Cumberbitch confessa, não escondo: acho o Benedict Cumberbatch um actor do caraças. O Jogo da Imitação é um belo filme pela vida do fabuloso matemático Alan Turing mas também (e sobretudo) pelo desempenho dele que é extraordinário.


No post abaixo falei de liberdade de expressão, de terrorismo, de fanatismo religioso e do sururu que por aí vai sobre as inesperadas palavras do Papa Francisco que disse que, se chamarem um palavrão à mãe, é bem capaz de dar um murro a quem o fez. Ou seja, em vez de pedir que chamem mais um, é bem capaz de ter uma reacção emocional e isso, como seria de esperar, fez cair o Carmo e a Trindade. Afinal o Papa defende ou desculpa o terrorismo? Ui....!

Mas, enfim, sobre isso falo no post seguinte. Aqui, agora, a conversa é outra.


Cheguei a casa tarde e más horas e, cheia de sono, vinha a jurar a mim própria falar do filme e ala moça que se faz tarde: cama! 

Mas não sou de cumprir com as minhas determinações quando elas são atiladas e, portanto, já fiz de tudo, incluindo mudar o look ao blogue. Já andava farta daquele décor em cor de vinho, estava a apetecer-me ir para a rua, laurear, sentar-me encostada a uma árvore, desfrutar de uma natureza mais verdejante, ser cortejada.

Por isso, já num ambiente mais campestre, vou, então, falar do filme que fui ver esta sexta-feira à noite: O Jogo da Imitação. Para começar, uma surpresa. A maior sala do Cinema, uma sala mesmo enorme, cheia, cheia, cheia e, grande parte, jovens. O que os levou lá? Estávamos espantados com aquela enchente e o meu marido já temia o pior, barulho, agitação. Mas qual quê. Caladinhos durante todo o filme, acompanhando-o com atenção - uma coisa surpreendente.




Da vida de Alan Turing se poderia dizer que daria um filme - e deu já mais do que um. Este que hoje fui ver tem como actores principais Benedict Cumberbatch e Keira Knightley e só por eles já o filme valeria a pena. Mas vale por muito mais que isso, incluindo pela vida de Alan Turing.


Eu, que amo a matemática (e que, enquanto a estudei sempre tirei notas altas que incluiram duas vezes 20 e umas quantas outras 18 e 19, tendo até ganho prémios por causa disso), nunca fui de saber fazer habilidades. Pelo contrário, o meu interesse nunca foi despertado por enigmas, charadas, jogos sequenciais e coisas que sempre considerei perda de tempo. A mim sempre me interessou mais a lógica e a relação pura entre as coisas. Mas tudo o que sejam filmes que metam matemáticos me atrai. Geralmente são seres um bocado à parte, com alguma dose de autismo ou de excentricidade mas que têm em comum um despojamento face ao supérfluo e uma relutância em lidar com o artifício. É que há na matemática uma verdade e uma beleza que só quem as sente o percebe. É como gostar de poesia. Tem que se gostar de contemplar o efeito da luz sobre as palavras, o ângulo que a sombra desenha nas frases. É um deslumbramento idêntico a gostar de decantar a verdade que existe nas expressões algébricas, encontrar-lhes a raiz, sentir a seiva que liga os números, as variáveis.

Alan Turing ia para além disso, Alan Turing era daquelas pessoas tocadas pela genialidade. Ele viu para além dos tempos. 

E, por ser homossexual num tempo em que as diferenças eram ilegais, sofreu a humilhação de uma condenação e de uma castração que o debilitou até ao fim dos seus dias. 

Morreu novo e não é fácil imaginar o quanto a história teria sido acelerada se tivesse vivido mais e em liberdade para poder oferecer ao mundo o fruto da sua prodigiosa visão. A sua máquina, a que chamou Cristopher em memória do seu primeiro amor, era, de facto, um computador, uma coisa extraordinária que reproduzia os mecanismos da sua mente.




Dado o adiantado da hora, sobre Alan Turing fico-me por aqui e falo agora de Benedict Timothy Carlton Cumberbatch, esse fabuloso actor inglês de 38 anos, ou melhor da fama que se vai construindo à sua volta.


Às suas fãs chamam Cumberbitches e dizem que, para se ser uma verdadeira Cumberbitch, tem que se obedecer a oito condições:


1 - Tem que se ter um elevado QI
2 - Tem que se mexer bem na internet
3 - Tem que se gostar de filmes obscuros
4 - Tem que se gostar de multidões
5 - Tem que ter interesse por História e por Política
6 - Tem que ter sentido de humor
7 - Tem que ser paciente
8 - Tem que ter obsessão por pormenores

Não sei se cumprirei todos os requisitos e seguramente não gosto de multidões mas quero lá saber, sou completamente fã desta criatura.


E se às fãs chamam Cumberbitch, ao bebé que está para nascer já chamam o Cumberbaby. Benedict está noivo e o noivado foi anunciado num jornal, à moda antiga - nada de facebooks cheios de likes. O bebé chega dentro de pouco tempo e imagino o pasto que isso vai ser para as revistas e para as redes sociais.




Não é propriamente a beleza física que mais atrai neste actor já que Benedict não é propriamente bonito, tem umas feições exóticas. Mas tem um charme, um sentido de humor, uma inteligência e uma voz que o tornam único. 

A sua representação neste filme é qualquer coisa e eu gostava muito que ele viesse a arrebatar um Óscar.

Quanto ao filme em si, transcrevo do Cinecartaz do Público:

O criptoanalista, matemático e filósofo britânico Alan Mathison Turing (1912-1954) é hoje considerado um dos precursores da computação moderna. Durante a Segunda Grande Guerra, ele e a sua equipa deram uma ajuda fundamental aos Aliados na descodificação do código Enigma, que os nazis utilizavam para comunicar secretamente os planos de ataque. Já durante o pós-guerra, Turing projectou um dos primeiros computadores programáveis no laboratório nacional de física do Reino Unido. Entre muitas outras coisas, os seus estudos serviram ainda para abrir portas a uma das questões mais pertinentes da tecnologia da actualidade: a possibilidade teórica da inteligência artificial.
Apesar de todo o reconhecimento, a sua carreira terminou abruptamente em 1952, depois de ter sido processado por atentado ao pudor, acusação que culminou numa condenação por homossexualidade, à época ilegal no Reino Unido. A 8 de Junho de 1954, dois anos depois de iniciar um tratamento com injecções de hormonas femininas que provocam castração química (que preferiu à prisão), Turing foi encontrado morto na sua própria casa. A morte foi classificada como suicídio, embora muitos, começando pela sua mãe, refutem a conclusão.
Em Setembro de 2009, depois de uma campanha liderada por John Graham-Cumming, o primeiro-ministro Gordon Brown fez um pedido oficial de desculpas público em nome do Governo britânico, devido à maneira pela qual Turing foi tratado. Finalmente, a 24 de Dezembro de 2013, o matemático recebeu o perdão da rainha Isabel II.
Realizado pelo norueguês Morten Tyldum ("Headhunters - Caçadores de Cabeças"), um filme dramático sobre a vida de Alan Turing, o lendário génio da matemática que decifrou códigos nazis e que acabou perseguido pela sua orientação sexual. O elenco conta com os actores Benedict Cumberbatch, Keira Knightley, Matthew Goode e Mark Strong, entre outros. Escolhido pelo público como o melhor filme em competição no prestigiado Festival de Cinema de Toronto (Canadá), "O Jogo da Imitação" recebeu ainda cinco nomeações para os Globos de Ouro, nas categorias de Melhor Filme, Melhor Actor (Cumberbatch), Melhor Actriz Secundária (Knightley), Melhor Argumento (Graham Moore) e Melhor Banda Sonora Original (Alexandre Desplat). PÚBLICO

O JOGO DA IMITAÇÃO - trailer






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Relembro que no post a seguir falo das palavras do Papa Francisco a propósito do atentado terrorista no Charlie Hebdo. 

Estou a escrever praticamente a dormir pelo que não apenas não consigo rever o que escrevi como antevejo uma chusma de gralhas. Peço o favor da vossa tolerância.

Nota: Acabada de chegar da minha caminhada e com o Expresso em meu poder, vi que saíu um grande artigo sobre Benedict Cumberbatch, sobre O Jogo da Imitação e sobre as Cumberbitches. Como é fácil perceber pela leitura do que escrevi, não tinha visto o Expresso quando o fiz (já que acabei de escrever por volta das 3 da manhã) mas fico satisfeita por ver confirmada, por entendidos, a minha modesta opinião.


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Desejo-vos, meus Caros Leitores, um belo sábado. 

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2 comentários:

Rosa Pinto disse...

Não vi o filme. Fica na lista.
Tão negras nuvens andam por aí – caiu um nevoeiro na minha mente que me a obscureceu: Crato (homem ligado às ciências exactas).
Partilho uma frase: Zero, esse nada que é tudo! – Laisant, tão presente nos nossos dias.

Beijinho

Anónimo disse...

pensava que o Hipopótamo era lento, mudei de ideia - https://www.youtube.com/watch?v=Su7GkqwxG08

Bob Marley