Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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segunda-feira, novembro 10, 2014

Casas e jardins especiais


No post abaixo mostro uma entrevista divulgada pelo site da Vogue inglesa, At Home with Kate Moss. A propósito falo um pouco dela e do quanto ela tem inspirado artistas variados - mas graça mesmo o que tem é a conversa dela.

Mas isso é a seguir. Aqui, agora, a conversa é outra.

Ando um bocado constipada há uns dias, sinto-me ligeiramente adoentada, há bocado tomei um anti-histamínico e, por tudo isso, estou com menos pilhas do que o habitual. Claro que, quando anunciei que este domingo não estava disponível, que ia ficar em casa, me perguntaram se tinha febre e parece que o pimentinha mais crescido até perguntou se eu tinha legionella. Pois, acho que não, nem andei por aquelas bandas (a não ser que passar na A1 na zona da Vialonga e Alverca conte). Mas, mesmo não sendo isso (noc-noc-noc, três vezes na madeira) e sendo apenas uma porcaria de uma doençazeca, a verdade é que estes resfriados ou gripes ou lá o que isto é deitam uma pessoa um bocado abaixo. 
Mas amanhã já vou estar fina até porque tenho programa nocturno e ai de mim se falhava o evento. Depois logo conto até porque promete; mas, como devo chegar tarde a casa, talvez seja apenas uma nota breve. Logo vejo o que consigo fazer.

De tarde, enquanto, deitada no sofá e tapada com uma manta quentinha, lia de gosto O Grande Rebanho de Jean Giono, ia pensando que, à noite, aqui, no Um Jeito Manso, tinha muita matéria para pôr em dia. Pensava, por exemplo, nas ligações de Durão Barroso ao BES ou noutras coisas desagradáveis como a venda do País ao desbarato, seja a chineses, angolanos, brasileiros, omanitas, a quem calhar; mas a verdade é que, agora, não tenho disposição para falar das teias de que se tem tecido a vida política em Portugal, grande parte dela subordinada a interesses oportunistas e, em alguns casos, pouco mais do que feudais.


Contudo, em dias assim, quando não estou em grande forma, só me apetece falar ou pensar em coisas que me agradam.

Por isso, com vossa licença, que se lixem o Cherne e as suas liasons ao BES, a Isabel dos Santos, agora com a OPA sobre a PT e a quem já não deve faltar muito para ser a nova DDT, e os anormais sempre de perna aberta que acham muito bem que se perca a soberania num abrir e fechar de olhos, sem que se lhes ouça um ai


Vou antes partilhar convosco casas ou jardins de que muito gosto.


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.  1  .




Já não é a primeira vez que aqui trago Luis Barragan, cuja arquitectura muito me inspirou numa dada altura em que pintei várias telas a pensar nas linhas puras, nos recantos subtis e nas cores quentes das suas casas.


A sua casa é maravilhosa. Se um dia me sair o euromilhões (coisa que acho que um dia vai acontecer e, por isso, apesar de saber que a probabilidade é ínfima, jogo todas as semanas), tentarei descobrir um arquitecto que me desenhe uma casa - uma casa tripla (para os meus filhos poderem viver perto de mim) - do género da casa de Barragán. A casa mete-se pelo jardim e o jardim, quase selvagem, entra pela casa e, mesmo que não houvesse tudo o resto, quase que só isso bastava. Mas há: as cores, os ângulos de luz, o silêncio. Um despojamento que me toca.


Casa Estudio Luis Barragán, México





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.  2  .


Há um outro jardim que acho muito belo. As cores, a vegetação, a água do Jardim Majorelle em Marrakech, Marrocos, são exuberantes e maravilhosas. Aquela conjugação de azuis escandalosos com os verdes em todas as gradações, as flores, os cactos, o marulhar da água, tudo aquilo é superlativo. O jardim foi desenhado pelo artista francês Jacques Majorelle em 1920/1930 e adquirido em 1980 por Yves Saint-Laurent para evitar que fosse convertido em hotel. YSL dizia que aquele jardim era uma inesgotável fonte de inspiração. Acredito.



Jardin Majorelle, Marrakech




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.  3  .



Não queria deixar de aqui ter um jardim português ou uma casa mas não encontrei vídeos sobre aquilo de que me estava a lembrar. Até que pensei no parque ligado a um palácio que acho também de grande beleza e a merecer uma visita, Monserrate.

Transcrevo o texto que acompanha o vídeo.

O Parque de Monserrate integra exuberantes jardins e um palácio, testemunho ímpar dos ecletismos do século XIX, onde os motivos exóticos e vegetalistas da decoração interior se prolongam harmoniosamente no exterior. O relvado fronteiro ao palácio permite um descanso merecido, antes de prosseguir na descoberta de um dos mais ricos jardins botânicos portugueses. Em setembro de 2013 o Parque de Monserrate recebeu European Garden Award para "Best Development of a Historic Park or Garden" (Melhor Desenvolvimento de um Parque ou Jardim Histórico). 



Parque de Monserrate, Sintra, Portugal


 


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Relembro: sobre aquela que (aos 40 anos) continua a ser uma musa para fotógrafos e demais artistas e uma extraordinária máquina de fazer dinheiro, falo um pouco sobre ela e partilho um vídeo agradável, At home with Kate Moss, no post já a seguir.

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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma boa semana a começar já por esta segunda-feira.

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1 comentário:

Anónimo disse...

Cara UJM,
Isto da vida é assim, nem sempre podemos estar de acordo. No caso presente, a arquitectura do Luís Barragan dá-me arrepios! Não há nada ali que mexa comigo. Aquelas linhas geometricas nada me dizem. Detesto tudo o que seja arquitectura moderna. Insuportável! Acho aquilo de fugir! Tal como não gosto e assumo tal, da pintura de Picasso! Costumamos comprar várias revistas sobre casas (quer relativas a decoração de campo, quer de praia, ou até de cidade – estas a mim pouco me interessam dado que não gosto de todo de viver na cidade, a não ser que sejam casas com um caracter, antigas, mas nunca, jamais, modernas!). E, de facto, na nossa opinião, voltamos sempre á mesma conclusão, de que as revistas espanholas são, de longe, as melhores, pelo menos naquilo que nos interessa. Há também boas ideias, sugestões, em revistas inglesas. Aquele “country side” é magnífico em termos de decoração. Também, por vezes, nas revistas italianas e francesas, embora tendam a resvalar para propostas de interior mais “ousadas”, demasiado modernas, que logo recuso, lamentando te-las comprado. É uma atitude que tenho, ou temos, desde sempre, não é de agora. Já mais novo era assim. Desisti há muito de viver na cidade e sobretudo num apartamento. Sou absolutamente incapaz. Quero a minha privacidade e, nesse sentido, ter uma casa (moradia), grande para receber amigos e familiares, com jardim e não ter que andar a cumprimentar vizinhos todas as manhãs e fins de tarde, etc, no elevador, pagar condomínios e outras tretas. Estou aqui no meu sossego, a gozar a minha privacidade, longe da cidade, sem ouvir um único carro, um único som, a não ser um mocho que nos visita, ou um cão ao longe, numa casa de campo/praia, no Inverno com a lareira a crepitar, no tal sossego dos Deuses e com uma decoração interior longe de tudo o que cheire a modernismo, a design de riscos e geometrias que detesto. Com móveis que têm caracter e a patine de anos, por exemplo. E prefiro qualquer quadro do Impressionismo a outro qualquer do Cubismo, Expressionismo, Fauvismo, Surrealismo, etc, o que não quer dizer que não aprecie algumas dessas extraordinárias obras e que as gostaria de possuir, houvesse dinheiro para tal. Agora, quanto à Arquitectura, julgo que, em muitos casos se excedeu o bom senso nas linhas e no design. Sou muito crítico de desses grandes nomes, que prefiro aqui não referir. Não gosto. Ponto! Aquilo é frio e cru, não me diz nada. Mas, enfim, gostos não se discutem. O mesmo para os jardins Majorelle, em Marrakech. Não aprecio palmeiras, jamais teria uma no jardim, detesto cactos e nada me diz aquela exuberância da flora dos trópicos, que conheci muito bem, pois vivemos lá uns bons anos. Lá faziam sentido, por cá não. Prefiro, de longe, a nossa vegetação, os nossos carvalhos, pinheiros, castanheiros, oliveiras, azinheiras, sobreiros, etc, os nossos fetos, as nossas matas. Gosto mais dos cheiros das matas daqui, dos passeios nos bosques de cá, do que nesses países, que conheci. E prefiro, de longe, as 4 estações ás duas, dos trópicos. Ainda outro dia fomos a casa de umas pessoas, uma casa antiga, lá para Sintra, com carácter...por fora. Quando entrámos, a decoração era totalmente moderna. Excessiva. Só ângulos e riscos, ousadíssima, agressiva. Detestei. Um completo horror. Tudo desenhado por um famoso arquitecto. Um pavor. Um choque. Mas, cada qual gosta do que que quer.
P.Rufino