Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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sexta-feira, setembro 19, 2014

Não é uma qualquer força invisível e misteriosa que determina se nos sentimos ou não confiantes. Não, é o cérebro mesmo, uma certa zona do cérebro. E outra: é possível modificar a configuração do nosso cérebro e a meditação é uma boa ferramenta para isso. Zachary Mainen, director do Programa de Neurociências da Fundação Champalimaud e Sara Lazar, neurocientista do Departamento de Psiquiatria no Massachusetts General Hospital e Professora de Psicologia no Harvard Medical School, falam nisto.


Bem, depois de nos dois posts abaixo me ter dedicado a elegâncias, modelitos, belezuras, fotografias, revistas de beleza e, até, a anúncios de gajas boas, aqui volto ao tema de ontem: o cérebro.








Sou naturalmente bem disposta, optimista, activa, primária, essas coisas todas que, quem aqui me acompanha, já tantas vezes presenciou.

Sei bem que estas características me menorizam aos olhos dos que, por serem sofredores, amargos e quezilentos, acham que quem ri, brinca e gosta de estar na boa é gente simples da cabeça, irritante e, até, digna de desprezo.

No entanto, nada posso fazer pois é assim mesmo que sou. Nasci assim, cresci assim e não consigo ser de outra maneira.

Vejo-me nas fotografias da minha infância: estava sempre a brincar, a rir, cheia de luz que dourava ainda mais o ondulado do meu cabelo.

Lembro-me de mim no liceu: sempre no meio de amigos e amigas, rindo, dançando, dançando muito, namorando, beijando, feliz, aventureira.

Vejo-me nas fotografias do meu casamento, vinte anos, corpo e rosto de menina, rindo, beijando aquele que o meu coração tanto amava (e ama).

Vejo-me hoje, sem paciência para dramas, com vontade de aprender, com prazer em viver, de gargalhada fácil.

Como todas as outras pessoas, tenho momentos de susto, de preocupação, de dor.

Mas, pelo menos até agora, tenho tido a capacidade e a facilidade de colocar o que é mau para trás das costas, de seguir em frente, de olhar para o que está para vir e relativizar o que passou.

Tal como nasci com esta cor de olhos, pele clara, cabelo farto, tal como tenho mãos pequenas, carnadura franca, nasci também com esta maneira de ser.

É o meu cérebro. A personalidade é fruto da forma como o nosso cérebro funciona.


Li hoje uma notícia que me deixou entusiasmada: 

Descoberta zona do cérebro que controla a confiança nas decisões.



Esperar ou não esperar, eis a questão quando decidimos. Num estudo publicado na revista científica "Neuron", cientistas do Programa de Neurociências da Fundação Champalimaud, em colaboração com investigadores do Cold Spring Harbour Laboratory, em Nova Iorque, descobriram que o sentimento de confiança é codificado numa área específica do cérebro de ratos.



Os investigadores conseguiram demonstrar matematicamente que esperar mais tempo, quando se está confiante, é a opção certa para otimizar a relação custo-benefício do ato de esperar por um resultado incerto.

A equipa da Fundação Champalimaud conseguiu ainda identificar a área do cérebro onde é codificada a confiança. Assim, quando desativaram uma zona do cérebro dos ratos chamada córtex orbitofrontal (COF), o seu comportamento foi alterado e perderam a capacidade de saber quão confiantes estavam na sua decisão.


Não há coisa do além nisto, há mesmo é circuitos informativos a funcionarem de uma ou outra maneira. A experiência foi levada a cabo com ratos mas quem diz ratos diz gente, isso é sabido.




Ontem à noite já tinha estado a ouvir Sara Lazar, neurocientista do Departamento de Psiquiatria no Massachusetts General Hospital e Professora de Psicologia no Harvard Medical School, a demonstrar outra coisa curiosa. Evidencia ela, com as suas imagens do cérebro, que a meditação pode efectivamente mudar o tamanho de algumas áreas chave do nosso cérebro, melhorando a nossa memória e tornando-nos mais capazes de empatia, compaixão e resiliência sob stress. 


Esta da plasticidade do cérebro e da forma e do modo como funciona, capaz de influenciar o modo como somos e nos comportamos é coisa que me fascina. A sério.

Coloco aqui o vídeo relativo à sua intervenção numa conferência TED em Cambridge porque o acho bastante interessante.


O que somos, porque somos. E nada de etéreo, de misterioso, apenas a matéria concreta que nos habita e que aos poucos, muito lentamente, vamos conseguindo perceber como funciona.





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A música lá em cima era Fly interpretada por Solveig Slettahjell


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Relembro: no post abaixo tenho a Sarah Jessica Parker numa sessão com Mario Testino para a Vogue, vestidos lindos, um luxo, uma maravilha.

Mais abaixo ainda, há uma colectânea de anúncios com mulheres muito sexy, uma coisa que poderá incomodar as feministas mais chatas.


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2 comentários:

Claudia Sousa Dias disse...

Sou feminista mas não sou nada chata tenho uma vaidade indefectível, foi uma coisa que nunca me perdoaram na faculdade:ler "As Flores do Mal" e usar bâton vermelho Chanel.

Concha disse...

Olá UJM!Continuo a dizer presente,mas a maior parte das vezes em silêncio.Hoje este post sobre a meditação, vem de encontro ao que já experimentei diria que religiosamente.As explicações ultrapassam-me, mas em termos de resultados obtidos,é de facto fantástico.Trinta minutos já dão para voltarmos à realidade e ela nos parecer rosa,mesmo se o cinzento sempre lá esteve.Os orientais com aquela sabedoria que os caracteriza e não é bem aos chineses que me estou a referir,utilizam essa e outras técnicas, para tornar as suas vidas mais agradáveis."Voando" um pouco acima de todas as guerras que enfernizam as nossas vidas diariamente,venham coelhos, teixeiras da cruz e outros que não nos deixaremos abater por nada deste mundo.Envio-lhe daqui um beijinho e desejo que o seu fim de semana seja muito bom.Muito obrigada!