Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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domingo, agosto 17, 2014

Maria Luís Albuquerque - Um curioso retrato d 'a ministra sem raízes' num artigo de Christiana Martins na Revista do Expresso. Uma toupeira com carapaça de jacaré, somos levados a concluir.


No post abaixo falei da Calamity Jane portuguesa que gosta de se sentir homem e que curtiu com uma mulher que afinal era um homem. E contei aquela do homem que curtiu com uma mulher que afinal tinha sido um homem. E mostrei, em nudez frontal, a mulher por quem um homem se apaixonou e que afinal era um homem. E termino com M.Butterfly que deu a volta à cabeça de um diplomata que viveu com ela sem perceber que, afinal, ela era um homem. Trocas e baldrocas, no post a seguir a este.

Mas aqui, agora, a conversa é outra.

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Hoje, depois de almoço, estive a fazer uma cópia. A seguir fui a casa dos meus pais e deixo sempre lá o Expresso pelo que, dado o que era, tive que copiar aquela suculenta matéria numa altura em que me apetecia era passar pelas brasas. A culpada foi a pinóquia.

Explico-me: comecei que achar que o Expresso já estava a estender a passadeira vermelha à ambiciosa criatura que se perfila para suceder ao láparo, caso as eleições o apanhem de calças na mão. Maria Luís Albuquerque, a Merkel portuguesa, e a estudante mediana (curso na Lusíada com nota final de 14), mestrado, casamento a seguir ao mestrado, toda muito marrona, muito aplicada... - e  a coisa parecia ir por esse previsível trilho.


Eis senão quando a coisa descarrila e os testemunhos, geralmente não identificados, começam a levar o texto para escorregadias veredas.

É certo que aos portugueses tanto se lhes dá: serem governados por um psicopata, por um incompetente ou por alguém que genuinamente se esforce por que o País tire o pé da lama, para os portugueses é tudo igual.

Bem podem todas as evidências mostrar a desordem que alguns vieram introduzir no País que as intenções de voto mostram que os portugueses, basicamente - e desculpem-me o linguajar- , estão-se a cagar para isso.

Por isso, o artigo de Christiana Martins que tenta revelar os traços de personalidade da simpática e sinistra Ministra das Finanças poderia chocar as almas e toda a gente passar a olhá-la de lado, a virar a cara para o outro lado quando ela passasse, poderiam dizer-lhe que Roma não paga a traidores


Mas acho que nada disso vai acontecer. Os jotas arraçados de Duarte Marques e quejandos são capazes de gostar da peça e achar que, de facto, é mesmo disto que o partido precisa. 

Para que percebam, transcrevo os pontos em que o artigo se desvia da rota bem comportada de Maria Luís Albuquerque. Parece uma daquelas telenovelas em que há uma vilã disfarçada de boazinha, uma daquelas que, se necessário for, esfola a mãe, deserda os filhos, vai para a cama com o inimigo e, a frio, dá um tiro na nuca do melhor amigo só porque ele sabe segredos a mais. 

Exagero, claro. Mas ora vejam com os vossos próprios olhos:



O seu nome tinha sido indicado ao secretário de Estado do Tesouro, Carlos Costa Pina, para a viagem à Líbia pelo presidente do IGCP, Alberto Soares - actual quadro da CGD - mas, quando é comunicado ao resto da equipa governamental, é recebido com espanto. "Vão levá-la? Mas ela passa informação!", conta, sob anonimato, alguém que acompanhou esta deslocação. Soares é confrontado com estas dúvidas, mantém a confiança e ela vai. A reunião decorre sem dificuldades, a compra da dívida não se efectua, e, mais tarde, confirmar-se-á a tese das fugas de informação. O desconforto cresce no Executivo. Diz-se, entretanto, que ela sempre foi cuidadosa - os encontros com Passos Coelho não seriam pessoais, envolveriam intermediários - mas na campanha para as legislativas o líder do PSD é pródigo em informações sobre o endividamento das empresas públicas.

(...)

Os comentários sobre a estreita ligação de Maria Luís Albuquerque e Passos Coelho avolumam-se. Perguntas do IGCP a várias empresas públicas sobre o endividamento fazem com que o presidente de uma delas questione a DGT sobre a necessidade de enviar dados a dois organismos distintos. O director-geral do Tesouro determina que as informações sejam canalizadas, como sempre, apenas à DGT. Mesmo em alguns sectores do PSD, a situação causa estranheza: "Se ela faz isso com eles (PS), quem garante que não o fará connosco?"


Em fevereiro de 2011, nos estertores do governo socialista, novo episódio. Maria Luís é das poucas pessoas que participa na reunião confidencial no Ministério das Finanças com representantes do BCE e da Comissão Europeia, no âmbito das negociações do PEC 4. O telefone toca no gabinete de comunicação de Teixeira dos Santos e, do outro lado, alguém do "Diário Económico" faz perguntas sobre a agenda e os participantes na reunião. O alarme soa. Daquela fama ela já não se livra.


[Aqui interrompo o artigo para introduzir um breve apontamento.

Nessa altura, António Albuquerque, marido de Maria Luís Albuquerque, era editor-executivo no Diário Económico. 


E, já agora, veja-se o vídeo abaixo e atente-se em como, por esses dias, eram curiosas as suas opiniões, tal como eram curiosas as opiniões de Ricardo Salgado veiculadas pelo marido de Maria Luís. 


Assim se lavou a cabeça aos pategos dos portuguesas, com aplicação sistemática de produtos com amaciador para que a introdução da mensagem fosse mais suave. Manipulação a torto e a direito com os papagaios avençados a repetirem ad nauseam o que os senhores do dinheiro, os Ricardos Salgados desta vida, quiseram que se dissesse.



Análise de António Albuquerque - Edição das 12, 30/03/2011 do Económico TV

António Albuquerque, editor executivo do Diário Económico, analisa o corte de rating a Portugal, pela S&P






Comentários para quê?]


Retomo o artigo do Expresso:

(...)

Mal começa a preparar-se a corrida à liderança do PSD e, depois, a chefe do Governo, Passos Coelho lembra-se dela. Maria Luís está num lugar-chave e quem acompanhou de perto o trabalho de formiga de Passos Coelho confirma: "Ela passou informação decisiva sobre a real situação das contas públicas. Havia informação sobre falta de dinheiro que e falhanços nas emissões de dívida que ele (Passos) recebia primeiro do que Sócrates ou Teixeira dos Santos. Sem ela, nada disto tinha sido assim"


Já como ministra:

"(...) Que mulher aceitaria de volta a equipa que lhe fez uma desfeita no momento mais delicado da sua carreira? Apenas alguém com grande capacidade para fazer cedências, acomodar exigência. Faz o que for preciso para alcançar objectivos", diz de Maria Luís uma pessoa que com ela trabalhou mas que não quer ser identificada.

"Ela espalhou-se na argumentação sobre os swaps e não precisava. Bastava ter tido que a informação recebida era insuficiente, mas preferiu dizer que era nenhuma. Foi uma opção política, uma encomenda.", afirma uma pessoa envolvida no caso. As contradições de Maria Luís Albuquerque levam à instauração de uma Comissão de Inquérito pela Assembleia da República.

Vários foram os responsáveis ouvidos, e alguns administradores de empresas públicas demitidos. Alberto Soares, o presidente do IGCP, que confiara em Maria Luís Albuquerque quando todos desconfiavam, é desmentido por ela em plena Assembleia. Quem lhe dá a volta é Pedro Felício, ex-director geral do Tesouro, que apresenta no Parlamento a troca de e-mails, comprovando o envio de informações sobre os swaps. A oposição pede a sua demissão, com os socialistas a invocarem "questões éticas".

O ex-ministro das Finanças Teixeira dos Santos e o seu secretário de Estado, Carlos Costa Pina, desmentem-na e o próprio Vítor Gaspar é bastante cuidadoso num comunicado emitido pelo Ministério das Finanças a 30 de Junho: "A questão foi abordada na reunião de transição entre o ex-ministro Teixeira dos Santos e o actual ministro, Vítor Gaspar (e depois, no encontro que teve a presença dos secretários de Estado do anterior Executivo).

(...)

Alguém que a conhece de perto e que também viveu em África explica: "Ela tem couraça de jacaré, resiste a tudo. Pode faltar-lhe traquejo político, mas é indiscutível a sua resistência física e psicológica. É ambiciosa, determinada e atrevida nas decisões".



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E é isto. Uma toupeira com carapaça de jacaré. 

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Onde eu trabalho, dá-se mais valor à lealdade de uma pessoa, à sua integridade e bom carácter do que à sua motivação para ser a voz do dono ou uma estrela. Quando é preciso admitir alguém para trabalhar comigo, faço questão de estar presente na última reunião de selecção, à qual vão apenas os que chegaram à fase final. Gosto de ouvir o meu colega de Recursos Humanos fazer perguntas gerais cujas respostas dão para perceber se estamos na presença de um individualista, de um líder, de alguém muito ambicioso, de alguém prudente, de alguém medroso. Depois eu deveria fazer perguntas mais técnicas ou específicas. Mas não faço. O que faço geralmente é quase entabular uma conversa. Gosto de perceber se a pessoa é inteligente, se é humilde e perante matéria desconhecida, naturalmente confessa que não sabe, se parece pessoa de gostar de coisas novas e, sobretudo, se a minha interacção com a pessoa é espontânea, se aquela parece ser uma boa pessoa, se pensa mais em ajudar a equipa do que em sobressair. E, sobretudo, tento perceber se a pessoa é confiável. Jamais conseguiria trabalhar com uma pessoa de quem desconfiasse.

Nas organizações, um dilema que se coloca amiúde é o de a quem se deve lealdade. Será ao chefe? Para mim sempre foi claro: eu devo lealdade, em primeiro lugar, à minha consciência e, a seguir, à empresa que paga o meu ordenado. Já trabalhei para vários patrões e já tive vários chefes. Sempre me mantive firme na lealdade ao que referi, independentemente de quem são os accionistas ou os meus superiores hierárquicos.


Maria Luís Albuquerque revelou ao longo de vários períodos que não é confiável, que não se ensaia nada para pisar, mentir. É leal a Passos Coelho mas traíu a confiança que outros depositaram nela, e, pior, foi desleal para o organismo para o qual trabalhava, que era quem assegurava o seu sustento. E, mais grave ainda, pelos vistos não sabe o que é a consciência. 

Faz o que faz e prossegue sorrindo, narizinho franzido, fofinha, indiferente ao mal que semeia.


Do que nos é dado saber, dir-se-ia que jamais uma pessoa assim deveria exercer um cargo público de responsabilidade.


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Relembro: sobre encontros imediatos de segundo, terceiro e quarto graus, é descer, por favor, até ao post seguinte. Casos reais e casos ficcionados mas basicamente a mesma história: enganos que umas vezes são levados na boa e outros que, por vezes, acabam em tragédia. 


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Desejo-vos, meus Caros Leitores, um bom domingo. 
Desejo muita saúde para os que estão menos bem ou que tem familiares a atravessarem situações mais complicadas. 
Haja esperança em melhores dias. E alegria - que tristezas não pagam dívidas.

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