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sábado, março 29, 2014

Relógios de família, outros relógios e beleza em branco (e em branco e preto). Omega, Chanel e Eikoh Hosoe


Depois de, no post abaixo, ter apelado ao aumento da natalidade, apresentando medidas concretas para o seu estímulo, aqui, agora, retiro-me de cena e cedo espaço a um momento de beleza em branco. E depois a outro e, de caminho, falo de outras coisas.

[Estou pouco explícita, eu sei. Deve ser do adiantado da hora. Cada vez chego mais tarde a casa e, a esta hora, já pouco mais do que isto consigo dizer.]




Ora, então, vamos lá.

Apesar de ser Chanel, não sou apreciadora do J12 White. Mas o anúncio é de uma elegância que me seduz. E, estivesse eu com o corpo descansado, e aqui pronunciaria umas palavras tentativamente à altura ou, em alternativa, prudentemente, socorrer-me-ia das palavras dos poetas. Mas não consigo e, portanto, limito-me, em silêncio, a deixar-vos com a beleza em branco. A publicidade Chanel é sempre muito requintada.






Eu, em relógios, não pendo nem um bocadinho para os Chanel. Sou de fidelidades em relação a meia dúzia de coisas, talvez nem tanto, e uma delas é o meu relógio. Em relação a relógios, uso um, apenas um. Já me ofereceram outros mas não tem resultado: regresso sempre ao mesmo. Tenho que sentir aquele peso certo no pulso, aquela forma de se ajustar ao pulso. Falo de um Omega. O meu é Constellation mas não cronómetro.

Aqui há algum tempo ficou com a pilha fraca. O ponteiro dos minutos estava certo mas o das horas ia atrasando. Chegava a andar 5 horas atrasado. Depois eu, manualmente, lá rodava a rodinha para puxar o ponteiro. Ao fim de pouco tempo já ia, outra vez, com horas de atraso. Pois bem: nem assim deixei de o usar. Devo ter andado mais de um mês nisto, nunca arranjava tempo para ir à ourivesaria substituir a pilha.


E estou com esta conversa não para me armar mas porque vi o anúncio do relógio Chanel e achei-o uma maravilha e agora fui à procura de um para o meu Omega e encontrei este que vos vou mostrar e o filme também é perfeito.


[O meu pai também tinha um. Agora que já quase não sai de casa, meteu na cabeça dar o relógio ao meu filho.
Não queríamos, parecia que estava a desistir de um objecto de que gostava tanto por estar a desistir da ideia de fazer sentido voltar a usá-lo. 
Mas não o conseguimos demover. Um bocado emocionado, lá passou o testemunho. Ele gostava de dizer que no Omega tudo o que luz é ouro (porque é verdade) e disse-o quando deu o relógio ao neto. O meu filho é um rapaz moderno, não se está a ver com um relógio de um modelo tão clássico, nem queria aceitá-lo, que o avô o conservasse. Mas o meu pai quis mesmo e o meu filho, agradecido e percebendo o simbolismo da coisa, gostou de o receber. São relógios intemporais. São actos intemporais].




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As fotografias são do fotógrafo japonês Eikoh Hosoe.

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Para conhecerem uma campanha de tipo Factura da Sorte para estimular a natalidade é favor descerem até ao post seguinte.

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E, por agora, por aqui me fico. 
Desejo-vos, meus Caros Leitores, um belo fim de semana apesar de o tempo estar uma seca. 
(Uma seca é como quem diz: uma seca fria e molhada).

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