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domingo, março 30, 2014

'Duas mães' (ou 'mães perfeitas'). Ou 'adoração'. Ou 'paixões proibidas'.


No post mais abaixo mostro-vos um homem muito belo filmado com mestria por Scorsese a propósito de Bleu.

Aqui, agora, continuo numa onda de filmes.


Mas este de que aqui vos mostro um pouco não é um filme qualquer. Este é um filme baseado numa novela de Doris Lessing e só por isso já ficamos en garde. Não é de banalidades que aqui se vai tratar. E não trata mesmo. O que temos são duas amigas, vizinhas muito amigas, que, por vicissitudes da respectiva vida, criam os filhos sozinhos e, dada a proximidade, quase tratam o filho uma da outra como se seu próprio filho fosse. 

Mas os rapazes crescem. E um dia há um olhar que se crava no olhar indevido.

Pelo olhar se começa a sedução. Pelo olhar começam os romances mais perigosos. Devem evitar os olhares interditos, aqueles que não queiram tombar em perigosos abismos.

E o que não podia acontecer, aconteceu.

Por zanga, vingança ou porque, quando se ultrapassa uma certa linha, todos os perigos se desmandam, o filho ultrajado paga da mesma moeda. 

Demónios à solta. Mas, vendo bem as coisas, não são demónios: são anjos. Anjos belos à solta no paraíso.

E, para além de amores interditos e intensos, há a amizade entre duas mulheres. Os afectos podem tomar formas não convencionais e, nem por isso, menos belas.

Anne Fontaine é a realizadora e as duas mães são Robin Wright (de quem sou franca admiradora) e Naomi Watts. Um pouco do ambiente, no trailer aqui abaixo, para que percebam aquilo de que vos estou a falar.

Na ausência do filme ('Paixões proibidas', Two mothers', 'Perfect mothers', 'Adore' ou 'Adoration') sugiro a leitura da novela 'As avós' de Doris Lessing ('avós' já que a relação vai durar até ambas serem avós).








Roz e Lil são amigas inseparáveis desde a infância. Cresceram, casaram, tiveram filhos, e vivem na paradisíaca bacia de Baxter, um lugar cercado de rochas por todos os lados. O ambiente protegido, "bocejante", além do qual o "verdadeiro oceano rugia e roncava", é o cenário ideal para uma relação cada vez mais simbiótica. Morando em casas vizinhas, elas criam os filhos por conta própria - e eles se tornam adolescentes encantadores. Tão encantadores e próximos, que Roz e Lil não tardam a se envolver uma com o filho da outra. 

Num efeito ambíguo e desconcertante, típico da grande literatura, o que poderia parecer repulsivo é tratado com naturalidade e bom-humor, fazendo a quebra de tabus soar como regra, e não como dramática exceção. Temas como amizade, maternidade e sexualidade ganham novos contornos enquanto Doris Lessing esmiúça as complexidades e armadilhas da forte ligação entre essas duas mulheres, e retrata a força com que elas confrontam as convenções familiares e sociais de sua época.


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E, por favor, desçam até ao post seguinte para agora mergulharem no Bleu de Chanel.

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