Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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sábado, fevereiro 22, 2014

Aula teórica de português ("erros de português que ficam muito mal") e aula prática sobre o tipo de resposta a dar a um marido/amante/namorado/etc que se arme em exigente e picuinhas à mesa (post com bolinha vermelha no canto dada a imagética usada no vídeo que decorre, como é bom de ver, na Porta dos Fundos: é o diálogo entre a Odete e o Carlos Alberto a propósito da sobremesa)


Antes de mais, deixem que faça o aviso do costume: a seguir a este post há um post sério, interessante, uma explicação para o conflito ucraniano e um vídeo sobre um terrível extermínio pela fome. É um texto a não perder. Foi-me enviado por um Leitor.

Igualmente recebido de oferta, há mais dois posts, duas anedotas. Uma graça. Ou melhor: duas graças.

Mas aqui, agora, a conversa é outra.

*

Li no Expresso um artigo interessante e útil que versa sobre erros crassos, daqueles que impressionam mal. Qualquer criatura que faça questão de estar pelo menos um ou dois furos acima dos analfabetos que nos desgovernam deve ter isto em atenção.

Vou transcrever porque me parece de utilidade pública e é certo e sabido que aqui o Um Jeito Manso é um guichet do Ministério da Cultura. Um guichet clandestino, é certo, não vá o Xavier mandar encaixotar-me e levar-me na mala diplomática para ser rifada aí numa quermesse qualquer.

Ora bem. A vossa atenção que vou passar a transcrever e as palavras vão mesmo sem cuecas pois o Expresso adoptou essa prática e eu estou a limitar-me a transcrever. Custa-me. Correto e não correcto? Até dói. Mas enfim. É só hoje.


Aula teórica de português - Erros que não devem ser cometidos.


Em baixo/ abaixo

Erro: Vou lá em baixo
Correto: Vou lá abaixo
Explicação: Abaixo refere-se a uma localização, enquanto em baixo se usa para falar de uma posição relativa.

Onde/ aonde

Erro: Não sei aonde fica a sala do chefe
Correto: Não sei onde fica a sala do chefe
Explicação: A forma mais fácil de evitar este erro é pensar que só pode usar 'aonde' em substituição de 'para onde'. Por exemplo, 'aonde vais amanhã' está correto, mas 'aonde deixaste as minhas chaves' é um erro crasso.

À/ há

Erro: Terminei o curso à dois meses
Correto: Terminei o curso há dois meses
Explicação: Este é um erro que só se nota na escrita, mas é grave. Para indicar um tempo passado usa-se o verbo haver

Haver/ a ver

Erro: Esse assunto não tem a haver comigo
Correto: Esse assunto não tem a ver comigo
Explicação: Ter a haver é sinónimo de 'ter a receber', enquanto ter a ver significa 'dizer respeito a..." Se emprestou dinheiro a alguém que ainda não lhe pagou, pode dizer que ainda 'tem a haver esse dinheiro', por exemplo.

Ir de encontro a/ ir ao encontro de

Erro: Isso vai de encontro à minha proposta
Correto: Isso vai ao encontro da minha proposta
Explicação: Estas expressões são completamente opostas. No primeiro caso a ideia é o contrário da minha proposta, enquanto na segunda situação está absolutamente de acordo com ela.

Comprimento/ cumprimento

Erro: Com os meus comprimentos
Correto: Com os meus cumprimentos
Explicação: É um erro muito comum, mas comprimento está relacionado com tamanho e não com saudações ou realizações. O que está correto é dizer o comprimento da sala, o cumprimento de prazos e enviar os cumprimentos a alguém.

Descriminar/ discriminar

Erro: Descrimine os produtos na nota de encomenda
Correto: Discrimine os produtos na nota de encomenda
Explicação: Descriminar é absolver, é declarar alguém inocente, enquanto discriminar significa distinguir, diferenciar.

Auferir/ aferir

Erro: No final do dia, o empregado deve auferir se os valores da caixa conferem com as vendas feitas
Correto: No final do dia, o empregado deve aferir se os valores da caixa conferem com as vendas feitas
Explicação: Estes dois verbos têm significados diferentes. Aferir é conferir, calcular, avaliar. E auferir é ter, obter, ganhar. Exemplo: no novo emprego ele vai auferir um bom ordenado.

Quaisqueres/ quaisquer

Erro: Quaisqueres informações é comigo
Correto: Quaisquer informações é comigo
Explicação: A palavra quaisqueres não existe. O plural de qualquer é quaisquer.

Descrição/ discrição

Erro: Ele age com descrição
Correto: Ele age com discrição
Explicação: Descrição é o ato de descrever alguma coisa, por exemplo, ele fez a descrição da situação. Já discrição significa discreto.

(...)

Na minha opinião pessoal/ na minha opinião

Erro: Na minha opinião pessoal deves candidatar-te ao mestrado
Correto: Na minha opinião deves candidatar-te ao mestrado
Explicação: A sua opinião já é uma opinião própria, não precisa de repetir essa ideia.

Há cinco anos atrás/ há cinco anos

Erro: Há cinco anos atrás ainda estava no secundário
Correto: Há cinco anos ainda estava no secundário
Explicação: É redundante usar 'há' e 'atrás' na mesma frase, porque o verbo haver já se refere a tempo.

Senão/ se não

Erro: Senão consegue entregar o relatório no prazo, avise
Correto: Se não consegue entregar o relatório no prazo, avise
Explicação: Para transmitir a ideia de não conseguir fazer o relatório, o correto é o segundo exemplo. Senão quando escrito numa só palavra tem muitos significados, mas não este.

Fazem agora dois anos/ faz agora dois anos

Erro: Fazem agora dois anos que entrei nesta empresa
Correto: Faz agora dois anos que entrei nesta empresa
Explicação: O verbo fazer quando se refere a tempo é impessoal e deve conjugar-se na terceira pessoa do singular.


**

Aula prática de conjugalidade


O que deve uma mulher responder quando o maridão se arma em esquisistinho, exigentão, em patrão mandão?

Ora atenção e não tentem repetir a menos que saibam a lição de fio a pavio..

(Alerta às meninas sejam de que sexo forem: ponham, por favor, bastante algodão nos ouvidos. É que aqui a D. Odete parece que estagiou no Bolhão)





E os meus Leitores homens, pensem bem antes de refilarem. Um conselho: se tiverem uma Odete pela frente, então, é melhor comerem sem piar.


*

Relembro: Indo por aí abaixo poderão encontrar textos para todos os gostos.

Divirtam-se com os dois últimos, que não há nada melhor do que a gente rir-se.

Desejo-vos, meus Caros Leitores, um belo fim de semana!!!!!!!!!!!!!

10 comentários:

Anónimo disse...

ó minha amiga, então

«descendo por aí abaixo»?

pleonasmo expresso, para reforçar ou um daqueles lapsos da pressa?

cordialmente, bom fim de semana

rui

Bob Marley disse...

Encontrei este com legendas , caso queira fazer um post sobre os nossos novos investidores - Cidades Fantasmas - https://www.youtube.com/watch?v=2yL7t0j_4tQ

Bob Marley disse...

Podia ser em Lisboa - https://www.youtube.com/watch?v=4HZTPNucQVw

Ora aqui está a prova como a realidade é diferente dependendo das lentes que usamos

Bob Marley disse...

E o futuro aqui tão perto - http://www.ted.com/talks/andreas_raptopoulos_no_roads_there_s_a_drone_for_that.html

Bob Marley disse...

AC/DC - Thunderstruck (Original) - https://www.youtube.com/watch?v=n_GFN3a0yj0

adaptação em Violoncelos - https://www.youtube.com/watch?v=uT3SBzmDxGk

Um Jeito Manso disse...

Olá Rui, bom dia,

Pois nem sei que lhe diga, se foi pleonasmo deliberado, se foi o facto de estar a escrever com o computador ao colo e os músculos do pescoço e ombros a darem de si.

A ideia é que, como os posts do dia, são vários, era preciso descer e depois descer e depois descer. Daí o 'por aí abaixo'. Mas concordo que juntar isso ao 'descer' fica redundante e, por isso, aqui outra vez numa pressa que o dia promete e tenho carradas de coisas para fazer, já corrigi: substitui o 'descendo' por 'indo'. Assim mantenho a ideia e elimino a redundância.

Obrigada.

Quando me vou deitar sem reler fico sempre a pensar que o texto deve estar cheio de gralhas, vírgulas a mais ou a menos, letras trocadas, palavras fora do sítio. Por isso, agradeço imenso quando me chamam a atenção para coisas que devem ser corrigidas.

Desejo-lhe um belo dia!

jrd disse...

Como diria o António Capucho a Comissão "Homolga" este texto.

Abraço

Anónimo disse...

Jim Morrison disse...
Lá temos o Marley a enviar aqueles comentários, uns atrás dos outros, de cansar as costas do Serafim!
Chiiiiçççaaaa!

Anónimo disse...

só por estar no âmbito de uma «aula teórica de português», brinquei com ujm. não merecia tanto. obrigado!

rui

Anónimo disse...

Sabe, é curioso isso, relativo à aula prática de português. É que, e digo isto com alguma humildade e um misto de humor, eu, por vezes, digo “aonde”, o que é, naturalmente, incorrecto, o que julgo ser um resquício das minhas origens do Porto, isto apesar de já não lá viver há umas tantas décadas. Pois, sai-me ocasionalmente, veja lá. Curioso!
Já quanto à D. Odete, ui, aquilo é feroz! Aqui há uns anos, uma amiga nossa um dia “encheu” de ver o marido sentado, a ler o jornal, sem fazer a ponta de um corno, uma porra de uma ajuda, enquanto ela cozinhava, punha mesa (e depois levantava e lavava alguma loiça que não ía pra a máquina), tratava dos filhos, deitava-os, etc, etc. Atirou, nesse dia, com uns pratos ao chão, deu um berro e de seguida, dirigindo-se a ele, disse-lhe:”hoje cozinhas tu, tratas tu dos filhos, pões a porra da mesa e doravante ou ajudas, colaboras e dividimos as tarefas caseiras ou termina a merda do casamento. E sexo nicles, até esta neura de te aturar me passar!” E foi ver televisão, de seguida.
Remédio santo! O jantar foi uma desgraça, o fulano não sabia cozinhar, inventou uma treta qualquer, mas aprendeu bem a lição, pois gostava dela e hoje é vê-los, ambos, a colaborar e ele todo atencioso!
Nada como o velho grito do Ipiranga!
P.Rufino