Por vezes sinto saudades de quando não me preocupava com encher a casa de tralha inútil.
Sempre gostei muito de decoração, de ter a casa à minha feição, de me rodear de objectos que me parecem especiais.
Aquela lojinha de velharias que havia não muito longe do meu emprego era uma tentação. Comprei lá vários objectos que me encantavam. Um leque antiquíssimo, uma caixinha para guardar cartas. Até uma cadeira que foi arranjada pelos meus pais, até um espelho grande que está agora no meu quarto, até um candeeiro. Ou o galo pintado numa madeira que descobri num antiquário em Amesterdão. Ou objectos que descobria em lojinhas que vendiam peças artesanais. Ou uns copinhos de vidro que desencantei em Les Halles, em Paris, e que levaram o meu marido ao desespero pois não apenas achava que não faziam qualquer falta (e tinha razão, nunca foram usados, continuam o que sempre foram, lindos e apenas decorativos), como não queria andar com peças que se partissem e que obrigassem a muitos cuidados no avião.
Via peças que me agradavam muito, achava que ia ser mais feliz se me rodeasse delas. E era verdade. Mas depois veio um tempo em que percebi que não podiam estar todas expostas senão a simples operação de limpar o pó tornava-se um inferno. Passei a ter móveis com portas de vidro.
Quando nos mudámos para esta casa, foi feita uma grande limpeza. Alguns móveis ficaram na cave e, com eles, muitas peças. A minha filha, que é muito mais minimalista que eu, deitou mãos à obra e simplificou o quanto pôde.
Nunca mais comprei nada. Aliás, só uma muito bonita talvez há mais de um ano. De cada vez que me deixo tentar, penso: 'Vou pôr onde?". E como não quero ter nada ao monte, desisto.
Contento-me em ver vídeos como este que abaixo partilho. Em lugares assim, eu ficaria mil vezes tentada, coisas tão bonitas. Não são velharias, são peças com alma, com uma beleza intemporal.
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