domingo, março 01, 2026

Trump, as guerras, as palhaçadas, os sistemáticos atentados à democracia, à lei e à ordem -- e a cobardia hipócrita dos líderes europeus

 

Não consigo dizer que os americanos são estúpidos tal como não digo que os russos são criminosos. Uma coisa é a população e outra é o regime instalado no respectivo país. Não fomos fascistas só porque tivemos, durante décadas, um fascista a governar-nos. 

Por isso, ao pensar no que os Estados Unidos têm feito no último ano, tenho que fazer a ginástica mental de me focar nos responsáveis pelas anormalidades a que temos assistido: Trump e os seus acéfalos carneiros, tão ignorantes quanto seguidistas.

Mais uma vez, não sei se mais esta ofensiva contra um outro estado soberano é fruto de um plano assente em ideologia ou que vise uma estratégia, ou se é, apenas, fruto de um desvario narcisista, alguém que começa guerras para depois apregoar vitórias (mesmo que ilusórias) ou se é uma demanda tresloucada para afastar a atenção do seu eventual envolvimento no ambiente Epstein ou se, por qualquer motivo que um dia se perceberá, está nas mãos do criminoso Bibi e, por isso, faz o que este lhe manda. 

Claro que o regime iraniano não é defensável sob qualquer ponto de vista. Mas o Irão é um estado soberano e, a haver ajuda ao povo, não poderá ser desta forma. O direito internacional é para ser levado a sério. 

Se, lá porque se acha que quem governa um determinado país é um déspota, for aceite que um outro país o invada e atire bombas e mísseis e drones para cima da população então o que não falta são países candidatos a serem arrasados, a começar pelos países governados pelos ídolos de Trump ou, até, os próprios EUA.

E o que me faz ainda mais confusão é como os merdas dos líderes europeus, em vez de condenarem veementemente esta acção bélica de Trump e de Netanyahu, aparecem quase de gatas, com uma conversinha de caca, em que se limitam a condenar a retaliação do Irão contra outros países. O que é que estavam à espera? Que o regime iraniano vergassm sem disparar um míssil? Supostamente, o Irão estaria a pretender atacar bases americanas e o que terá acontecido em zonas urbanas terá resultado de mísseis interceptados. Mas sabe-se lá, quando se começa uma guerra nunca se sabe o que acontece a seguir: há erros, há acidentes, há excessos. E, para mim, de forma inequívoca, em primeiro lugar haveria que condenar a ofensiva de Trump, que, ainda por cima, parece ser ilegal mesmo face à constituição americana. Ele, o bufão cor de laranja, dirá que é uma ofensiva tremenda, nunca antes vista, talvez até diga que é hot, se não mesmo big and beautiful. Mas, por sabermos todos o chanfrado cruel e demente que é Trump é que se justificaria condená-lo, condená-lo com veemência. A ele e ao outro criminoso, o manipulador Netanyahu.

Claro que sou pacifista, totalmente pacifista (excepto quando a paz é sinónimo de rendição e anulamento de identidade). Portanto, claro que gostaria muito que todos os países fossem democracias, que os povos vivessem em liberdade e pudessem gerir as suas vidas num ambiente tranquilo e feliz. E isso vale para os iranianos, os coreanos do norte, os russos, os venezuelanos que agora nem devem saber a quantas andam, até os americanos que agora vivem tão atormentados, e tantos mais.

Só espero que esta última loucura de Trump, o doido varrido que se acha merecedor do Nobel da Paz e a quem ninguém parece conseguir controlar, não alastre, não traga mais mortes e não se arraste no tempo.

Só espero também que os líderes europeus mostrem que se regem por princípios e por valores, que têm capacidade de liderança, que sabem fazer ouvir a sua voz -- ou seja que têm cabeça. E tomates.

E pardon my french. Mas é que fico passada com gente cobarde e hipócrita. Com burros, então, nem vos digo nem vos conto.

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