quinta-feira, março 05, 2026

Há quem os tenha no sítio
-- Quem o dia é o meu marido --

 

De quando em vez um ou outro comentador de direita da nossa televisão diz mal do Pedro Sánchez. Não conheço o suficiente da politica espanhola para me pronunciar mas há pelo menos duas coisas que sei. A economia espanhola é das que mais cresce na UE e o PM espanhol, ao contrário do que acontece com o governo português, não faz fretes ao Trump e não verga a espinha à administração americana. Eu sei que é difícil a Europa falar a uma só voz e que há líderes europeus que não aprendem, mas as declarações que têm sido feitas por estes lados são verdadeiramente irritantes e diminuem o papel que UE devia ter na cena internacional. 

Não aprenderam que a única vez que a Europa mostrou alguma união e fez frente ao Trump, refiro-me á Gronelândia,  o tipo TACO (Trump always chickens out). Não percebem ou não querem perceber que estes actos da administração americana, que toma medidas despóticas, irracionais, que não respeitam o direito internacional e fortalecem objetivamente as posições dos russos e dos chineses têm que ser criticados e a que UE não pode ser complacente com eles. O que vale é a lei do mais forte e, se a UE fosse firme, poderia fazer das fraquezas forças e começar a contar na política mundial.

Na realidade, a Europa dividida e minada por duas ou três toupeiras, não é suficientemente forte e muitos dos países da UE não contam para este campeonato. O Macron, de vez em quando, tenta pôr-se em bicos dos pés e o Merz dá mais no cravo que na ferradura. Por exemplo, na terça-feira, na Casa Branca, quase fez figura de urso.

No caso português, ninguém os tem no sítio. A entrevista do Paulo Rangel na CNN para justificar o injustificável relativamente às Lajes foi ridícula. Nem coragem têm para assumir o que aconteceu. Estou convencido que, se o Pedro Sanchez fizesse alguma escola, a Europa era mais respeitada e o eixo transatlântico não ia ao fundo, antes pelo contrário. Felizmente, esta quarta-feira, o Costa mostrou solidariedade com Espanha o que é relevante.

Tenhamos esperança, mas não estou suficientemente confiante que as midterms tragam grandes mudanças nos Estados Unidos. O Trump é tão nocivo como o Putin e a sua eleição foi uma verdadeira catástrofe planetária.

O Trump é um grande problema, mas, o problema enorme são aqueles que o rodeiam e que tudo manobram para conseguirem os votos dos grunhos e demais acéfalos. Será que vão conseguir continuar a manobrar a esta gente em Novembro? 

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Uma nota final: A conferência de imprensa do Peter Hegseth e a forma como falou do afundamento do navio iraniano revelam bem a boçalidade da administração americana. Ao elogiar empolgadamente a forma como, com um torpedo, o navio foi afundado, esquecendo-se que a bordo estavam quase duzentas pessoas, revela a crueldade e a falta de respeito pela vida humana da administração Trump.

2 comentários:

Anónimo disse...

Pedro Sánchez não os tem no sítio,o seu governo depende dos radicais da ETA e da esquerda radical,por isso ele é defensor do regime "democrático"do Hamas, defensor de Maduro, defensor do regime fofinho do Irão. Aconselho a ver um grande documentário que passou na FRANCE 24. O futuro da esquerda tem tanto de sombrio como de cómico. Felizmente,diga-se.

ccastanho disse...

Vou tentar com algum metassentimento levantar prós e contras nesta guerra.

Se de um lado temos um Trump louco, e neste termo, entra tudo o que de negativo uma pessoa tem para líder do ainda maior império do mundo. No outro lado, temos um regime Teocrático, um regime opressor nas elementares regras sociais para um ser humano, um regime que quer ajustar contas com um passado longínquo com a “Reconquista” deitando mão de tecnologia mortífera para a ordem mundial , um regime que esquece o convívio salutar que houve na Idade Média no “Al-Andaluz”, ou “Toledo como grande centro da cultura multifacetada ” na comunhão e confluências das três religiões na arquitetura, na cultura e no respeito pela diferença entre pensamentos e filosofias no modo de estar dos povos que as adotam como suas, etc.

Estou contra esta ou outra qualquer guerra…? Estou. Ponto.

Estou a favor que se desarme um Estado que tem como finalidade eliminar outros Estados por diferenças religiosas e políticas, e para tal, fornecer armas, dinheiro e organização e proteção fomentando as forças terroristas contra “as Forças do Mal” …? Estou. Ponto. Concordo com a forma utilizada para destituir um líder absolutista e teocrático…? Pergunto: há outra forma para civilizadamente, o fazer?! Tenho muitas, muitas dúvidas para não dizer certezas. que não há.

Não vale a pena o argumento “civilizado” do respeito pelo direito internacional, quando o mundo mudou absolutamente. Mudou na geopolítica, mudou na economia, mudou no equilíbrio de forças produtivas, mudou não domínio da tecnologia, mudou na energia, mudou na comunicabilidade entres sociedades, e um por-maior, mudou o modo de fazer a guerra nesta era tecnológica, onde numa poltrona bem sentado, se carrega no botão do míssil a 6000km de distância do alvo. Gostava, todos gostávamos, de que assim não fosse, mas a realidade é o que é, não se pode pedir a um burro que seja um cavalo na corrida de obstáculos.