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sexta-feira, maio 04, 2018

Quando os miúdos tiram os graúdos do sério
[O caso do meu filho, por exemplo]


Só para dizer que percebo o desespero dos que se podem ver no vídeo lá em baixo. As crianças, volta e meia, levam qualquer um ao desespero ou colocam-nos em situações do caneco.

Por exemplo, o meu filho quando era pequeno. A minha filha teria mil coisas mais a dizer que eu -- mas não vou, aqui, arrasar o bom nome do rapaz que já é pai de família e tem uma imagem a preservar. Conto só uma ou duas. 

Teria ele um ano, se tanto, fomos a um restaurante à noite, no inverno. Levámo-lo no carrinho e deixámo-lo ali, entre nós. Veio o empregado com as ementas. E vai ele desata a dar grandes puns (ele, o meu filho, bem entendido) e o empregado a tentar manter-se composto. Passado um bocado voltou para receber o pedido. E o meu filho a continuar naquilo. Começa-me a dar vontade de rir. O empregado já a dar sinais de fraquejar. E o meu filho a dar uns puns absurdos. O meu marido, como sempre, inalterável e eu já a rir descontroladamente, o empregado a tentar controlar o riso. Lembro-me que eu pensava que devia levantar-me e ir com o rapaz para a rua (o rapaz, o meu filho, claro) mas com o frio que estava ainda o constipava. Ou ir com ele para a casa de banho e ficar lá fechada a noite inteira...? Perdida de riso que estava nada fiz. Até hoje, quando me lembro de mim incapaz de falar e do empregado a retorcer-se para também não cair na risota, ainda me desato a rir.

Outra passou-se com os meus pais. Quando os meus filhos eram pequenos, os meus pais vinham de vez em quando ficar em minha casa para tomarem conta deles nas férias. Resolveram, então, comprar uma casa cá. Um dia, foram com eles ver algumas. Uma era uma pequena moradia com um quintalinho. A casa era muito antiga e os donos um casal de idade que queria voltar para a terra. Então, como sempre acontecia, ao meu filho, quando chegava a algum lado, dava-lhe vontade de fazer cocó. Teria uns dois anos, se tanto. A minha mãe começou por não lhe dar atenção. Depois tentou dizer que já se iam embora, que logo fazia quando chegasse a casa. E ele só a dizer que queria fazer cocó. O meu pai a querer ir-se embora, com medo do que pudesse acontecer achando que a higiene ali não era exemplar. A senhora, entretanto, a oferecer a casa de banho e os meus pais a quererem sair, ele a dizer que tinha que fazer cocó. A senhora a insistir e a minha mãe já com vergonha por não deixar a criança fazer uma necessidade e por não aceitar a gentileza da senhora. Então, incomodada e a ver a cara do meu pai, já furioso, a minha mãe lá foi para a casa de banho. Tentou pegá-lo no ar mas ele com medo de cair e a estrebuchar, não fez nada. Então a senhora foi ao quarto buscar um bacio, provavelmente o dela. A minha mãe enojada, que não, que não. E o meu filho que sim, que sim. E foi mesmo sim. Um cocozão no bacio duma velha numa casa desconhecida.

Outra vez, tínhamos ido passear a Espanha com os meus pais. Ficámos, na vinda, em Elvas, a jantar. Fomos a um restaurante numa rua por detrás da avenida principal. À entrada tinham um grande aquário. Sentámo-nos. Quando o empregado veio perguntar o que queríamos, o meu filho, que devia ter uns três anos mas que já, na altura, era um despachado, perguntou-lhe: 'Tem lagosta?'. E o empregado: 'Temos'. E ele: 'Então, quero lagosta'. E eu e o meu marido, encavacados, para o empregado: 'Não come nada...' Naquela altura a lagosta era um balúrdio e nós nunca gostámos de abusar (porque era o meu pai que pagava a conta quando comíamos fora). E os meus pais, 'Mas olhem, se ele quer..'. E ele 'Quero' e eu: 'Não quer nada'. E ele, já convencido: 'Pronto. Então quero canónes'. E o empregado: 'Canónes?'. E eu: 'Não comes nada canónes', e ele : 'Como, como'. Canónes era como ele dizia, vá lá saber-se porquê, camarões. Já nem me lembro como é que a coisa acabou. Presumo que o meu pai deve ter mandado vir uma travessa de camarões.

Mas, enfim, não conto mais (não conto, por exemplo, aquela de ele dar um grito e um salto no ar, tipo karaté kid, numa noite, ao ver uma t-shirt branca a levitar no corredor, quase me matando de medo, levando-me a mim a dar também um grito e um salto).

Mas vejam, por favor, este vídeo que me faz rir até mais não.


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E queiram descer até ao post seguinte para verem peças de toilette que talvez não tenham sido especialmente bem conseguidas

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