Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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domingo, abril 22, 2018

E agora é para ver se adivinham por onde andei eu a ver as montras




Não foi propriamente uma passeata mas, mais, uma flanagem. Não saímos cedo. Dormi até tarde. Depois ainda fui à ourivesaria buscar o meu relógio que estava para pôr uma pilha e à sapataria para ir comprar uns sapatos azuis escuros de salto alto. Tenho uns mas são com a parte de cima em rendilhado, esburacadinhos e, com algum frio, não dão muito jeito e os outros, os que uso mais, em camurça em dois tons, estão já um bocado coçados. Não queria nem muito afilados nem com salto muito alto mas, logo por coincidência, os que me ficaram melhor foram justamente assim. Trouxe-os na mesma pois visto-me muito em tons de azul e estava mesmo a precisar.

Depois ainda fui comprar fruta e legumes e pôr tudo a casa. Portanto, já não foi a horas decentes que saímos. Mas foi bom na mesma, deu para o que deu; e chegou.


O meu marido foi pelo caminho do costume mas eu discordei, achei que mais valia ir por outro lado.  Seria mais seguro em termos de trânsito e de estacionamento. E, de facto, não vos digo nada. Por pouco não tive que lhe dizer que, como se provava, eu tinha razão. Mas não disse. Agora uma coisa vos digo: tanta gente, tanta, tanta. Isto vai em crescendo. Aqui, no post, para vos mostrar, tenho essencialmente montras e não propriamente pessoas mas acreditem em mim: magotes. De todas as nacionalidades. 

Comentámos: tomara que não tenham razão os que temem um fenómeno de gentrificação por estas bandas.


Mas não andei apenas a ver montras. Na loja acima entrei mesmo. Tenho várias peças daqui e, se passo perto, não resisto a espreitar as novidades.

Desta vez trouxe uma menina cheia de flores. Uma graça. Se o meu marido já tivesse espetado um prego resistente para a pendurar, fotografava-a para vos mostrar. Mas ainda não. A ver se não vai andar a encanar a perna à rã, a fazer-se esquisito ou a inventar desculpas para não tratar do assunto. Se fosse um prego normal eu ainda me arriscava. Mas acho que é melhor com bucha, tem que ser com berbequim e, com isso, não me ajeito. Por isso, agora está deitada ao lado do Stº António, à espera -- e, claro, não vou fotografá-la assim nestas intimidados com um santo.


Depois fomos almoçar a um dos magníficos restaurantes do Avillez. Sempre bom. Boa comida, bom serviço, bom ambiente.

Ao nosso lado, duas brasileiras. O que elas conversaram, o que elas se auto-fotografaram, o que elas comeram e beberam, a graça do que diziam, tudo aquilo era razão mais do que suficiente para me apetecer ficar ali a vê-las e ouvi-las. Uma vive cá, a outra está de férias. Meninas com alto poder de compra, pelo que me foi dado perceber. O meu marido, volta e meia, alertava-me para não me pôr a observá-las tão descaradamente. Mas elas estavam tão focadas uma na outra e na conversa e nas fotografias que tiravam que nem deram por mim. Oh língua gostosa este nosso português enfeitado de cor, perfume e sabor do Brasil. Quando nos viémos embora ainda elas iam a meio do almoço, tão vagarosas estavam a ser, tantas as vezes que paravam para se fotografarem, para escreverem no telemóvel, para mostrarem fotografias uma à outra, para conversarem. Só me apetecia filmá-las. Uma novela, aquelas duas.


Depois fomos para onde vos mostrei abaixo e que espero bem que tenham adivinhado onde é

Para a Gulbenkian, of course. Patos, patinhos, um ovinho no meio das folhas debaixo de umas árvores, os meninos sempre contentes naquele espaço. Mas também exposições, um lanchinho dos bons, livros (ofereci 'O Leopardo' à minha filha, embora não seja a mesma tradução e a mesma versão que o meu amigo me ofereceu), conversa em dia, boa disposição, convívio bom daqueles que aconchega o coração de uma carangueja com ascendente de caranguejo (conversámos de signos, com os meninos a quererem perceber o que é isso dos signos e com um deles a dizer que o dele não é carneiro nem leão nem nada disso, é dragão. Como é bom dever, agora deu em dizer que é adepto do Porto. Lá lhe explicámos que os signos não têm nada a ver com isso, que não há dragão nenhum nos signos. Não pareceu muito convencido.)


E a ver se ainda cá volto que tenho mais para vos mostrar

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