Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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segunda-feira, abril 09, 2018

Couves com flores amarelas, nabos rosados, flores cor-de-rosa, meninos pintores, inteligência artificial, cisnes de patas para o ar.
Vários mundos no mesmo mundo.


Este domingo foi muito bom. Houve plantação de tomate. Leitor amigo tinha recomendado o tomate coração de boi e, tendo eu retransmitido a recomendação, o meu filho e família resolveram segui-la e plantá-los na sua horta e também ir expandir a horta plantada in heaven.

Portanto, dia de alegria, com os meninos radiantes. Tão bom para todos a largueza de movimentos, a liberdade em contacto com a natureza.


O bebé também já adora o lugar. Ri, chilreia, pega em flores, anda, senta-se, brinca. Uma alegria.


Acontece que a parte da manhã foi usada para apanhar flores, espreitar a gruta -- agora posta a descoberto depois de termos desbastado as árvores que a encobriam --, para espreitar a maravilhosa vista do terreno limpo do lado de lá da vedação, para ver como os nabos já estão a dar as caras, para bordejar por aqui e por ali.


A seguir ao almoço, o bebé foi dormir, eu e a belezura mais linda fomos também, cada uma de seu lado do bebé, o bebé ferrado e ela sempre na conversa, eu cheia de sono e ela sem se calar nem por um minuto, salvo nos segundos de intervalo em que dizia que, se entrasse alguém, nós fingíamos que estávamos a dormir. Depois quis ir pintar. E eu que não e ela que sim e eu que não e ela já a ir buscar uma tela. Lá fomos. O meu filho, que estava na sala, igualmente perdido de sono, tomou o nosso lugar na cama, ao lado do bebé. Do lado livre, pus uma almofada e encostei uma cadeira à cama.

E as pinturas começaram. Ela pintora e logo o mano a seguir também pintor.




Depois o bebé acordou -- para surpresa de toda a gente apareceu a rir à porta da sala, depois de ter saído sozinho da cama -- dei-lhe também de lanchar e, quando estava na hora de ir plantar os tomateiros, desatou a chover torrencialmente.

Portanto, a plantação, debaixo de chuva, deu-se ao pé de uns pinheiros e de uma azinheira perto de casa e não lá em baixo, na horta. A ver se vingam também aqui, no meio da caruma, apesar de pouco sol irem apanhar.

Quando a chuva amainou, ainda tentámos ir dar uma voltinha -- e os meninos até estavam munidos com binóculos, uma lanterna e uma lupa para irem espreitar para dentro da gruta -- mas desatou, de novo, a chover a bom chover e tivemos que regressar, a correr. A temperatura baixou. Ficou um dia de inverno perfeito. Ela disse ao avô: 'Devem estar uns 10º'

Quando entraram no carro, para se vir embora, o pai viu a temperatura e disse: 'Estão 10º'. Consta que ela nunca se engana.

Ainda fui apanhar couves para trazer. E, como sempre, pensei que a vida pode ser uma coisa boa, simples, vivida em harmonia com a natureza, entre afectos.


Entretanto, agora já na cidade, já fiz sopa com as ditas couves, as portuguesas e as chinesas, com as flores amarelas e tudo. 

Também fiz frango estufado para o jantar de amanhã, uma espécie de jardineira, e usei um dos nabos que trouxe de lá.

E já estive a ver as fotografias e a escolher algumas para mandar à minha filha, que ela me pediu. 

E já estive a ver o filme Do you trust this computer, sobre Inteligência Artificial, que ela me enviou ontem. Depois de um dia in heaven, um filme mostrando o lado estranho e perigoso do desenvolvimento. O mesmo mundo mas um parece o avesso do outro. Diferentes perspectivas sobre o mundo em que vivemos.


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Tudo pode ser visto segundo diferentes perspectivas e, consoante quem as veja, todas elas podem ser as legítimas.








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E desçam, por favor, caso queiram ver uma mulher indecisa quanto à lingerie.

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