Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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sexta-feira, março 30, 2018

Um hábito recomendável para todos os actuais, putativos ou potenciais avôs


Continuo invandida pela preguiça. Se começo a ler, pouco avanço. Estive a tentar ler crónicas de João Barrento mas fui debicando, de crónica em crónica, até que pousei o livro. Estive com o Raul Barndão Íntimo mas arrastei-me por ele, deixando-me ficar a ouvir a chuva, o vento, vendo as chamas na lareira.

No carro vim com O Leopardo e, de facto, deleitada com o requinte irónico da escrita. Com ele detenho-me mas para saborear a suculência daquelas palavras. Quem mo ofereceu, referindo que esta edição e esta tradução é a melhor de todas, tinha-me dito que é do melhor que a literatura já produziu. Sabendo de cor algumas passagens, tinha exemplificado como com uma escolha criteriosa e inteligente de palavras se conseguia visualizar a subtileza de algumas situações, o sentimento contido, a emoção elegantemente demonstrada, o humor religiosamente envolto em brandura.

Mas, quando me encanto muito com algumas leituras, custa-me avançar. Gosto de reler o que acabei de ler e por ali fico, o pitéu rolando vagarosamente na boca. Ora imagine-se isso, o vagar alimentado, quando a preguiça me tolhe a mente. Fecho os olhos, o tempo vai correndo e eu sem avançar.

Depois passeei, fotografei, olhei os verdes e os céus, adormeci no sofá e agora aqui estou, lenta, procurando nem sei o quê enquanto na televisão alguns quantos comentam qualquer coisa.

E, no meio destas coisas, estando eu ao acaso, aparecem-me coisas com piada. Fiquei agora a saber que não é incomum os chineses dançarem na rua -- e vi vários vídeos em que algus homens, que se vê terem já uma idade bem medida, dançam com crianças ou adolescentes. Coreografias bem afinadas entre o avô e as suas netas. Delicioso. Já mostrei ao meu marido. Acho que ele deveria ensaiar uma dança assim com os netos. Esteve a ver com alguma atenção mas acho que convencê-lo a levantar os pés do chão para saltitar desta forma graciosa com os miúdos é proeza que nunca conseguirei. Mas tenho pena. Acho que vou mas é eu tentar.



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