Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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sexta-feira, março 02, 2018

Rui Rio, o pobre Negrão e os deputéticos do PSD fizeram as pazes, juraram amor eterno e deram beijinhos na boca.
Mas eu prefiro ver o Hamlet no psiquiatra.


Como é bom de ver, o clima político entrou num ciclo de saudável acalmia. Saíram de cena algumas ervas daninhas e o ambiente desanuviou. Não foi tanto o termo-nos visto livres do Cavaco e do Láparo:  foi, sobretudo, ter saído de cena tudo o que eles representavam. Criaturas negativas, ressabiadas, bafientas, possidónias, mal-encaradas, ultrapassadas e o mais que agora nem me apetece enunciar -- foram respirar para longe de nós e o ar ficou inegavelmente mais limpo.

O que ainda não entrou nos eixos foi a justiça em Portugal. Aí a coisa continua terceiro-mundista. As rábulas joana-vidalistas, saloio-maçoianos, correio-damasianas e etc. com tudo o que envolvem de promiscuidade, calhandrice e espírito vingativo sucedem-se e não podem deixar tranquilos o vulgar cidadão.

Acresce que os tugas continuam a colocar o diz-que-diz-que ao nível da verdade comprovada e continuam a pensar apenas com a metade do cérebro associada à sua paixão clubista -- sejam os clubes de futebol, sejam os clubes pró e contra o Sócrates, sejam os a favor e os contra a medicina chinesa, sejam os que se babam com os textos do Luís Miguel Rosa, sejam os que o acham um bocadinho too much. Por isso, os tugas tendem a condenar quem ainda não foi julgado e tomam de ponta quem apenas quer que o Estado de Direito democrático funcione, ou, até, em especial os que têm mau feitio, desatam a espadeirar quem gosta de espanejar just for the fun of it

Claro que isso me cansa.

E eu não sei se é por tudo isso, se é porque tenho tido que madrugar e ando com sono, se é por umas coisecas cá minhas, se é porque tudo o que é déjà-vu me maça até à medula, mas a verdade é que me falta pica para falar das banalidades quotidianas. Nem mesmo a pirosice do Negrão ter ido pedir desculpa aos deputados por lhes ter dito que havia ali um problema de ética me estimula a verve. Tudo muito brega naquela bancada, tudo muito pífio. 

Não vejo ali criança terrível, não vejo pequeno génio, não vejo dama de ferro, padeira de aljubarrota, guru encartado, artista de variedades -- nada. Só funcionários, burocratas, desengraçados. Não vão longe. São muito maçadores. Ainda se algum seguisse o exemplo do Adolfo e saísse do armário... isso ainda poderia inspirar alguma converseta a la Guerreiro. O Amorim, por exemplo (se é que o Amorim ainda é deputado; parece que não o tenho visto por lá). Ou a loura ex-minister. Uma cena de coming out para fazer a do Adolfo parecer uma irrelevância. Mas nem isso. 


Por isso, chego aqui à noite e não consigo comentar as vacuidades do dia-a-dia.

Claro que poderia enaltecer o baixo desemprego, as altas exportações, a boa economia, as favoráveis notícias do que o governo vai lançando. Claro. Mas a esta hora eu estou mais para o disparate do que para o louvor. Um dia que aqui chegue a horas decentes talvez me dê para falar na muita coisa boa que, paulatinamente, se vai construindo.

Mas hoje não. Hoje estou mais para dizer que não sei se aqueles ali que nunca abrem a boca e que não sei se têm miolos (porque nunca dali vi sair ideia que se apresente, passarinho ou rosa florida)  me fazem lembrar os psiquiatras do Hamlet. Não que, entre eles, falem das mulheres que se põem deitadas de pernas para o ar. Isso eu não sei. O que sei é que mais me parecem deputados a fingir, coisa que alguém há-de aparecer para desmascarar: saia daqui, representar o povo é que você não representa -- chispa daqui.



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E queiram descer caso queiram ver uma reunião de Board lá no céu, com Deus, Director de RH e demais executivos.  É a rapaziada da Porta dos Fundos em grande estilo.

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