Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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sábado, março 03, 2018

Feminina
[Mas não queiram saber o que se esconde sob o meu underwear...]





Eu gostava de poder escrever alguma coisa mas este meu dia foi longo, complicado, com sobressaltos, e nele esgotei as minhas capacidades. Já sabia que ia ser longo, a começar cedo, ainda de noite, mas pensava que fosse tranquilo. Mas tudo menos isso. Com tudo e também com sustos, ansiedades, inquietações. No meio das atribulações, os telefonemas, as sms. Já para não falar nos mails que fiz de conta que não ouvia a chegar.

Esta sexta-feira não foi sexta-feira.


Cheguei tarde aqui ao meu porto de abrigo. Partilhei o cartoon da escola americana e logo caí a dormir. O meu corpo tem isto. Mantém-se de pé e parece que aguenta tudo. Depois, quando apanha oportunidade, desliga-se. Pimbas. Tiro e queda.

Acordei agora. Mas pouco.

O fim de semana estava programado e anunciava-se repleto que nem um ovo e agora já não sei como vai ser. Provavelmente será, na mesma, cheio que nem um ovo mas talvez todo virado de avesso. Mas não vale a pena pre-ocupar-me. Ocupo-me na hora, quando não puder deixar de ser. Agora é altura de estar em modo off.

Durante o dia não soube de noticias, de nada. Enquanto conduzia, a autoestrada quase invisível tanta a chuva, ia ouvindo música. Ou, no apressado regresso, ao telefone. Tanta chuva. A dada altura, o céu negro e um escandoloso arco-íris. Ia pensando: tanta falta que ela faz, tão bom que é testemunhar a chuva de volta, mas, caraças, logo hoje...? 

Mas pronto. Não se escolhe. E é bom que venha com farturinha e que perdure até as barragens estarem a boa altura. Assusta-me a falta de água e atormenta-me pensar que os pastos esmorecem e os animais podem morrer à míngua de alimento e de água.

De vez em quando, enquanto conduzia, ainda pensava mudar para as notícias. Mas não me apeteceu. É bom ir a conduzir debaixo de chuva e resolver não querer saber do mundo. Agora a televisão está ligada mas continuo a não querer saber de notícias. Está a dar uma telenovela brasileira e estou a gostar de ver. Há tanto tempo que não via telenovelas brasileiras. 

Também espreitei os blogs. Gosto dos que têm pequenos apontamentos, observações, pensamentos, histórias engraçadas, desabafos, instantâneos. 

Há uma pequena amostra do mundo aqui ao lado, na minha galeria lateral de blogs. De vez em quando entram uns, saem outros. De alguns que saíram não me esqueço. Outros estão parados há muito tempo e eu sinto alguma preocupação por não saber dos seus autores. Espero que estejam bem.

Estou a escrever à toa. Conversa mole. Às tantas, coisa de mulher. Mas não que ache que é pobreza ter conversa de mulher. Conversa de mulher pode ser toda feita de levezas e leveza é coisa boa.

Gosto de ser mulher. Sou muito feminina e gosto de sê-lo.
Embora, de cada vez que penso isso, me ocorra aquela vez em que um -- um tal que era conde e que todos achavam temível -- ter dito de mim a um outro: tantos homens à volta daquela mesa e só ela teve tomates. Senti mixed feelings ao ouvir isso e ainda sinto. Não que me desagrade a metáfora... mas, de certa forma, incomoda-me um pouco. Fisicamente. Um par de tomates pendurados entre as pernas parece que não deve dar grande jeito. E um homem pensar que os uso incomoda-me. Terei um andar estranho para ele pensar isso? 
Mas, portanto, a fazer fé no que o conde marafado disse, (achando-me eu uma mulher muito feminina, toda feminina da cabeça aos pés), aqui bem nas profundezas do meu ser esconde-se um belo par de testículos. Sorte é que isso não me provoca efeitos secundários. Senão seria uma mulher muito feminina mas com espessa voz de bagaço, perna cabeluda e uma farta bigodaça. 
 Adiante.
Mas a verdade é que, seja lá porquê, em vez de me debruçar sobre os males do mundo ou me cultivar, dissecando textos e torturando frases até à exaustão, estou nisto.
E a sério: estou em crer que não dou mais do que se vê não tanto por fadiga mas mesmo por natureza. Ou por defesa. Não sei. Tanto faz.
Mas adiante, mesmo.

Há pouco, fui espreitar o YouTube. Tinha sugestão boa. É sempre presente gostoso quando o algoritmo me aparece com vídeo do Cine Povero. Mário de Sá-Carneiro sobre o que seria se fosse mulher e isto sobre imagens muito pouco femininas. Adoro a ironia.

Feminina

Eu queria ser mulher para me poder recusar...


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As imagens mostram fotografias de Helena Almeida

E, uma vez mais, Catrin Finch interpreta Lisa Lan 

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