Actualidade, livros, árvores, amores, ficções, memórias, maluquices, provocações, desatinos, brinca

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quarta-feira, julho 19, 2017

Se queres usar uns sapatinhos queques, ao menos garante que não têm a biqueira ratada.
[Que é como quem diz: se queres armar-te em simpática a dar em público os parabéns a alguém, garante que não é uma manobra ao lado]


Confesso. Comigo não dava. Preciso de espaço. Não consigo suportar o excesso de proximidade física. Entrar numa loja e saltar-me uma empregada ao colo a querer impingir-me o que quer que seja, não dá. Ou estar a falar com alguém que se aproxima demais e não pára de me agarrar no braço ou molestar-me com o odor do seu hálito -- não aguento.

Imagine-se agora o que seria estar horas sentada encostada a alguém, um de cada lado, braço com braço, perna com perna, e vários atrás. Horrível. O que vale é que, por aquelas bandas, têm fama de ser lavadinhos. Se fossem franceses, com aquela fobia que parte deles ainda tem ao banho diário, havia de ser um cheirinho a balneário frequentado por judocas transpirados...

No entanto, como espectáculo, não há como o Parlamento do Reino Unido. Uma paródia num permanente registo de tête a tête. Quando tenho dias cabeludos nos quais, em vez de partir para a desgraça, me armo em Madre Teresa, chego a casa capaz é de partir a louça toda. Contudo, sendo putativamente racional, era o que faltava dar prejuízo a mim própria e, portanto, sublimo. E, quando assim é, há remédios que não falham nunca: ou os Monty Python ou o parlamento do Reino de Sua Provecta Majestade.

Acho um piadão àquele Speaker* e acho um piadão à forma como reagem às provocações ou aos deslizes de uns e outros, seja de que lado da bancada for. As interjeições, a pateada e a risota parecem divertidas cenas de um teatro shakespeareano. E eu, nada e criada num país verde e azul que gosta de se travestir de cinzento, pardacento e bolorento, adoro ver como é possível transformar uma coisa que os portuguesas encaram com pacóvia reverência num exercício livre e não desprovido do seu lado lúdico.

Adiante. Nesta cegada do Brexit, ando divertida a ver a saia justa em que os ingleses se meteram quando se deixaram levar pela cantada dos populistas. E, mais concretamente, acho o máximo a forma como a desajeitada Theresa May anda a fazer um papelinho com o qual meio mundo se diverte. 

Leio, por exemploTheresa May em dificuldades na primeira semana de negociações com UE. Bloomberg fala em "erros básicos e tropeções" que têm manchado a reputação do Reino Unido.
Mas isto não são horas para eu me aventurar por terrenos que não domino e, portanto, não vou falar nem do Brexit nem das barraquinhas passadas e futuras onde a Senhora Dona Madame se meteu.

Limito-me a mostrar um grande plano dos sapatos da dita Theresa May durante uma reunião com o primeiro ministro da Estonia no nº 10 Downing Street. Acontece que a senhora é uma vaidosona de primeira, gosta de andar montada em griffes, sempre com sapato e toilette a dar no olho... e, afinal, anda com sapatos ratados. A única desculpa perdoável será se, durante a reunião, o primeiro-ministro tiver andado debaixo da mesa, sabe-se lá com que intuitos para além do de lhe ratar os sapatos.


Theresa May durante a conversa com Jüri Ratas


Claro que a senhora comete gaffes de vária ordem e é alvo fácil para partidas e piadas que levam o Parlamento às lágrimas. Podia escolher vários momentos épicos para aqui partilhar convosco. Mas vai este que acho o máximo: arma-se em simpática e dá os parabéns ao seu grande rival Jeremy Corbyn pelo nascimento de uma neta. Mas upsss... não tinha nascido nenhuma neta... Acontece que o sentido de humor dela também tem graça e isso salva-a do ridículo




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Já agora um momento que, se em Portugal, seria o momento anti-Morgado**: Theresa May e uma desconcertante alusão sexual a propósito do aniversário de Peter Bone.




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* Order! Order! -- grita o Speaker



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** Sobre o Morgado, poema de Natália Correia:


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E um dia feliz a todos quantos por aqui passam.

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